No Brasil, onde 62,6% das vítimas de feminicídio em 2025 eram mulheres negras, a lei sozinha revela seus limites: punir o agressor não desfaz a prisão invisível da dependência econômica. A Universidade Zumbi dos Palmares, em São Paulo, propõe uma resposta concreta — formar mulheres negras e periféricas como trancistas, abrindo caminho para renda, formalização e autonomia. É um gesto que reconhece o que as estatísticas insistem em mostrar: romper com a violência exige, antes de tudo, que a saída tenha chão firme do outro lado.
Empreendedorismo como caminho para autonomia da mulher negra periférica
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Bias & Framing
Artigo defende empreendedorismo como solução para autonomia econômica de mulheres negras periféricas vítimas de violência, com viés na apresentação de um programa específico como modelo.
Enquadramento de problema-solução que posiciona empreendedorismo como resposta estrutural à violência doméstica, utilizando dados de disparidade racial para amplificar urgência e legitimidade da proposta institucional.
Geopolitical Impact
Programa de empreendedorismo em trancismo para mulheres negras periféricas busca romper ciclo de violência doméstica através de autonomia econômica, abordando desigualdade racial em feminicídios no Brasil.
Artigo reforça agência de mulheres negras periféricas como atores econômicos e sociais, desafiando estruturas de dependência que perpetuam vulnerabilidade. Destaca lacuna entre marcos legais (Lei Maria da Penha) e transformação material de vida, posicionando educação e empreendedorismo como ferramentas de redistribuição de poder econômico e autonomia social.
Paralelo com movimentos de empoderamento econômico de grupos marginalizados pós-abolição, onde acesso a profissões e renda funcionou como mecanismo de libertação social e redução de vulnerabilidade estrutural.
Economic Lens
Autonomia econômica através de empreendedorismo é essencial para mulheres negras periféricas escaparem da violência doméstica, com programas de qualificação profissional como ferramenta de libertação e inclusão econômica.
Expansão do mercado de serviços de beleza (tranças) com oferta crescente de profissionais qualificadas, potencialmente reduzindo custos e aumentando acessibilidade. Geração de renda para mulheres negras periféricas, estimulando consumo local e economia comunitária.
Necessidade de integrar qualificação profissional e estímulo ao empreendedorismo nas políticas de enfrentamento à violência contra mulheres. Potencial expansão de programas de formação gratuita, políticas de microcrédito e apoio a pequenos negócios para populações vulneráveis. Articulação entre educação, segurança pública e desenvolvimento econômico.