O Sol desaparece completamente, revelando a Coroa Solar
No dia 12 de agosto de 2026, o céu de Portugal suspenderá por instantes a sua rotina de luz, quando a Lua se interpuser entre a Terra e o Sol num dos eclipses solares totais mais significativos do último século. Quase todo o território continental mergulhará numa escuridão parcial profunda, mas será numa aldeia remota do nordeste transmontano — Guadramil, nos confins de Montesinho — que a totalidade se revelará na sua plenitude, durante apenas 26 segundos. O fenómeno convida Portugal a olhar para cima, com cautela e maravilha, e a reconhecer que há momentos em que o cosmos interrompe o quotidiano para lembrar a escala do que nos rodeia.
- Portugal está a menos de dois anos de um eclipse solar que não terá paralelo no país durante gerações — o maior total dos últimos 114 anos.
- A totalidade será visível apenas numa faixa de território minúscula no nordeste transmontano, criando uma corrida silenciosa ao lugar certo no momento exato.
- O eclipse culmina às 19h30, coincidindo com o pôr do sol, o que significa que o tempo para observar é ainda mais estreito e imprevisível do que o habitual.
- Cidades espanholas como Gijón, Valladolid e Saragoça ficam dentro da zona de totalidade, tornando a fronteira uma oportunidade e não um obstáculo para os observadores portugueses.
- A Agência Ciência Viva, o Instituto de Astrofísica e a Câmara de Bragança já mobilizam programas de observação, transformando um fenómeno astronómico num evento cultural e científico.
- Olhar para o Sol sem proteção certificada durante o eclipse pode causar cegueira permanente — o aviso é tão urgente quanto o espetáculo é irresistível.
No dia 12 de agosto de 2026, o Sol desaparecerá sobre Portugal de uma forma que não acontecia há mais de um século. Em quase todo o continente, entre 92% e 100% do disco solar ficará encoberto, mas a totalidade — aquele silêncio luminoso em que a Lua tapa completamente o Sol — só será visível numa faixa estreitíssima do nordeste transmontano: a aldeia de Guadramil e o Parque Natural de Montesinho.
Quem estiver nesse lugar nos instantes certos poderá testemunhar fenómenos raramente visíveis a olho nu. O Anel de Diamante surgirá nos segundos finais antes da totalidade. Depois, as Pérolas de Baily — fragmentos do último raio solar — e, por fim, a Coroa Solar, o halo de plasma que envolve o Sol e que só se revela quando a sua luz é completamente bloqueada. Tudo isto em 25,6 segundos.
Para quem não conseguir chegar a Montesinho, a fronteira espanhola oferece uma alternativa acessível. Gijón, Valladolid, Bilbau, Saragoça e Valência ficam todas dentro da zona de totalidade. A faixa percorre ainda o Ártico, a Gronelândia e a Islândia, inscrevendo este eclipse num calendário astronómico verdadeiramente global.
O momento máximo ocorre perto das 19h30, já próximo do pôr do sol, o que comprime ainda mais a janela de observação. Os tempos estão calculados ao segundo: o eclipse parcial começa às 18h33, a totalidade dura entre as 19h30m17s e as 19h30m43s, e o fenómeno encerra às 20h23.
A Agência Ciência Viva prepara um programa ao longo de 2026, com um evento central no Centro Ciência Viva de Bragança a partir das 18h30, co-organizado com o Instituto de Astrofísica e a Câmara Municipal. Entidades de astroturismo como Dark Sky Alqueva e Aldeias do Xisto deverão anunciar os seus próprios programas.
Um aviso permanece essencial: olhar para o Sol sem filtros certificados, mesmo durante o eclipse, pode causar lesões oculares graves e irreversíveis. O espetáculo é extraordinário — e merece ser visto em segurança.
Daqui a alguns anos, no dia 12 de agosto de 2026, o céu português vai escurecer de forma dramática. Um eclipse solar raro transformará a tarde numa noite prematura, um dos fenómenos astronómicos mais marcantes das últimas décadas. Em quase todo o território continental, o Sol desaparecerá entre 92% e 100% do seu disco. Mas há um lugar especial onde o espetáculo será completo: uma faixa muito estreita no nordeste transmontano, onde a Lua encobrirá totalmente o Sol durante aproximadamente 26 segundos.
Esse lugar é a aldeia de Guadramil e o Parque Natural de Montesinho, a única zona portuguesa onde a totalidade será visível. Durante esses segundos preciosos, quem estiver lá poderá testemunhar fenómenos que normalmente permanecem invisíveis. Primeiro, aparecerá o chamado Anel de Diamante — um efeito óptico deslumbrante nos instantes finais antes da totalidade. Segundos depois, o último raio de luz solar fragmenta-se em múltiplos pontos brilhantes conhecidos como Pérolas de Baily. E então, no pico do eclipse, o Sol desaparece completamente, revelando a sua Coroa Solar, aquele halo de plasma que só é possível observar durante a totalidade.
Para quem não conseguir chegar a Montesinho, há uma alternativa próxima. O astrónomo Ricardo Cardoso Reis, do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço, aponta que a faixa de totalidade passa muito perto, já do outro lado da fronteira. Cidades espanholas como Gijón, Valladolid, Bilbau, Saragoça e Valência estarão todas dentro da zona de totalidade, oferecendo oportunidades de observação completa a uma distância relativamente curta. A faixa de totalidade também atravessará o Ártico, a Gronelândia e a Islândia, tornando este um evento astronómico global.
O momento máximo do eclipse deverá ocorrer por volta das 19h30, coincidindo com o pôr do sol. Isto significa que em algumas regiões o fenómeno terminará já depois de o Sol desaparecer no horizonte. Os tempos precisos estão já calculados: o eclipse parcial começará às 18h33m50.8s, a totalidade iniciará-se às 19h30m17.0s e terminará aos 19h30m42.5s, durando apenas 25,6 segundos. O eclipse parcial terminará às 20h23m31.1s. Apesar de a fase total ser breve, todo o fenómeno prolonga-se por vários minutos.
Já há entidades a preparar eventos para o dia histórico. A Agência Ciência Viva está a organizar um programa que decorre durante todo este ano, culminando no dia do eclipse com uma iniciativa no Centro Ciência Viva de Bragança a partir das 18h30. O Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço e a Câmara Municipal de Bragança são co-organizadores do evento de observação. Várias outras entidades ligadas ao astroturismo, como Dark Sky Alqueva, Aldeias do Xisto e Turismo do Centro, deverão anunciar os seus próprios programas.
Mas há um aviso importante para quem planeia observar: olhar diretamente para o Sol, mesmo durante um eclipse, pode provocar lesões oculares graves e permanentes. A observação segura requer filtros certificados ou métodos indiretos, como a projeção por orifício. Este cuidado é essencial, pois o risco é real e pode resultar em cegueira.
O eclipse de 2026 será notável por outra razão: será o maior eclipse total do Sol dos últimos 114 anos. Um fenómeno que não se repetirá em Portugal durante muitas gerações. Para os portugueses que conseguirem estar em Montesinho naquele dia, ou para os que atravessarem a fronteira para Espanha, será uma oportunidade única de testemunhar um dos espetáculos mais extraordinários que o universo pode oferecer.
Citações Notáveis
Será visível o efeito de um Anel de Diamante no céu. Segundos depois, o raio único de luz solar fragmenta-se em múltiplos pontos de luz conhecidos como Pérolas de Baily. Na totalidade, o Sol desaparece completamente, revelando a Coroa Solar, impossível de ver em qualquer outro momento.— Agência Ciência Viva
Vai valer mesmo a pena pois a faixa da totalidade vai passar já aqui ao lado, entre o norte e o este de Espanha, em cidades como Gijón, Valladolid, Bilbau, Saragoça ou Valência.— Ricardo Cardoso Reis, Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Porque é que este eclipse é tão especial? Há eclipses todos os anos, não há?
Há eclipses solares regularmente, sim, mas a maioria são parciais ou vistos apenas de zonas remotas do planeta. Este é especial porque passa por Portugal — e porque é o maior eclipse total dos últimos 114 anos. A totalidade em Montesinho vai durar apenas 26 segundos, mas naqueles segundos o Sol desaparece completamente e vê-se a Coroa Solar, algo impossível de observar em qualquer outro momento.
Então a maior parte de Portugal vai ver o eclipse, mas não a totalidade?
Exatamente. Em quase todo o continente, o eclipse será quase total — entre 92% e 100% de ocultação. Mas a totalidade, aquele momento em que o Sol desaparece completamente, só acontece numa faixa muito estreita. Em Portugal, apenas Guadramil e o Parque Natural de Montesinho estão nessa faixa.
E se alguém quiser ver a totalidade mas não conseguir chegar a Montesinho?
Pode atravessar a fronteira. A faixa de totalidade passa por cidades espanholas como Valência, Saragoça, Bilbau, Valladolid e Gijón. Não fica muito longe de Portugal, e muitas dessas cidades terão melhor visibilidade porque o eclipse não coincide com o pôr do sol lá.
Porque é que o pôr do sol importa?
Porque o eclipse máximo ocorre por volta das 19h30, que é quando o Sol está a descer no horizonte. Em algumas zonas de Portugal, o eclipse terminará depois de o Sol já ter desaparecido no horizonte. Isso significa que perdem-se os últimos momentos do fenómeno.
Há algo que as pessoas devem saber sobre segurança?
Sim, é crítico. Olhar diretamente para o Sol durante um eclipse pode causar lesões oculares graves e permanentes. A observação tem de ser feita com filtros certificados ou através de métodos indiretos, como projetar a imagem através de um orifício. Não é algo para improvisar.
Já há planos para eventos nesse dia?
Sim. A Agência Ciência Viva está a organizar um programa que culmina no dia do eclipse, com uma iniciativa no Centro Ciência Viva de Bragança a partir das 18h30. Outras entidades ligadas ao astroturismo também deverão anunciar eventos. É provável que haja bastante movimento em Montesinho naquele dia.