EasyJet aceita proposta de compra de 5,2 mil milhões de libras da Castlelake

A companhia sabia que valia mais do que aquilo que lhe ofereciam
A EasyJet rejeitou sucessivas propostas antes de aceitar o preço final de 6,90 libras por ação.

Uma das maiores companhias aéreas de baixo custo da Europa chegou a um acordo de venda após meses de resistência: a EasyJet aceitou a proposta da americana Castlelake por 5,2 mil milhões de libras, um valor que os seus administradores consideraram finalmente digno de recomendar aos acionistas. O episódio recorda-nos que o preço justo não é apenas um número — é o resultado de uma negociação onde a paciência e a convicção moldam o destino das instituições.

  • A EasyJet rejeitou quatro propostas consecutivas da Castlelake, acusando a empresa americana de tentar adquirir a companhia a um preço 'altamente oportunista'.
  • A tensão nas negociações foi escalando ao longo de semanas, com cada nova oferta a tentar superar a resistência de um conselho de administração determinado a proteger o valor dos acionistas.
  • A abertura para partilhar dados operacionais, após a proposta de 6,50 libras por ação em junho, sinalizou a viragem decisiva nas negociações.
  • A proposta final de 6,90 libras por ação representa uma valorização de 23% face ao mercado, mas o negócio ainda depende de aprovação regulatória e dos acionistas.
  • A Castlelake enfrenta agora o desafio de encontrar um parceiro europeu para cumprir as regras do Reino Unido e da UE sobre controlo de companhias aéreas.

A EasyJet aceitou uma proposta de compra da empresa de investimento americana Castlelake por 5,2 mil milhões de libras — cerca de 6,06 mil milhões de euros —, a um preço de 6,90 libras por ação, representando uma valorização de 23% face ao valor de mercado anterior.

O caminho até ao acordo foi marcado pela resistência. Desde maio, a Castlelake apresentou quatro propostas, todas rejeitadas pela EasyJet, que classificou as primeiras tentativas como 'altamente oportunistas'. A mudança de tom surgiu no final de junho, quando uma oferta de 6,50 libras por ação levou a companhia britânica a partilhar dados operacionais com o potencial comprador — sinal de que as negociações tinham entrado numa fase mais séria. A proposta final de 6,90 libras foi então considerada suficiente para o conselho recomendar aos acionistas.

O negócio enfrenta, porém, um obstáculo regulatório: as normas do Reino Unido e da União Europeia exigem que o controlo de uma companhia aérea permaneça maioritariamente em mãos europeias. A Castlelake, empresa americana, terá de estruturar a operação com um parceiro europeu, tendo já sinalizado abertura para que os atuais acionistas mantenham participação na companhia. A família do fundador Stelios Haji-Ioannou, com 15,3% do capital, é o maior acionista e terá palavra a dizer no desfecho final.

A EasyJet, uma das maiores companhias aéreas de baixo custo da Europa, aceitou finalmente uma proposta de compra da empresa de investimento americana Castlelake. O acordo, anunciado no domingo, avalia a operadora britânica em 5,2 mil milhões de libras — aproximadamente 6,06 mil milhões de euros ao câmbio atual — a um preço de 6,90 libras por ação. Para os acionistas, isto representa um ganho de cerca de 23% face ao valor de mercado da última sessão de negociação, quando as ações fecharam em 5,582 libras.

O caminho até este acordo foi longo e repleto de rejeições. A Castlelake apresentou a sua primeira proposta em maio, que foi imediatamente recusada. Seguiram-se três tentativas adicionais ao longo das semanas seguintes, cada uma com um valor superior à anterior, mas todas igualmente rejeitadas. A EasyJet considerava a proposta inicial como "altamente oportunista", acusando a Castlelake de tentar fazer o negócio "barato". O preço era, de facto, o ponto de discórdia central nas negociações.

O tom mudou significativamente quando a Castlelake apresentou uma proposta no final de junho no valor de 6,50 libras por ação, elevando o negócio para cerca de 5,7 mil milhões de euros. Este movimento foi suficiente para que a EasyJet concordasse em partilhar dados operacionais com o potencial comprador — um sinal claro de que as negociações estavam a entrar numa fase mais séria. A proposta final de 6,90 libras por ação foi então apresentada, e desta vez o conselho de administração da EasyJet considerou-a a um preço que estaria inclinado a recomendar aos acionistas.

Mas a aquisição enfrenta um obstáculo regulatório significativo. As regras do Reino Unido e da União Europeia exigem que a maioria do controlo de uma companhia aérea permaneça nas mãos de cidadãos ou entidades desses blocos de países. A Castlelake, sendo uma empresa americana, precisa portanto de um parceiro europeu para estruturar o negócio de forma a cumprir estas exigências. No final de junho, a empresa de crédito privado afirmou estar aberta à possibilidade de os acionistas da EasyJet manterem o seu investimento na companhia como parte da operação, uma estrutura que, segundo a Castlelake, foi desenhada especificamente para respeitar as regulações europeias.

A família de Stelios Haji-Ioannou, fundador da EasyJet, é o maior acionista da companhia com uma participação de 15,3%. O acordo agora depende de aprovação regulatória e do consentimento dos acionistas, mas marca o fim de uma negociação que demonstrou como até as propostas de compra mais agressivas podem ser rejeitadas quando o preço não é considerado justo.

A EasyJet considerou a primeira proposta como altamente oportunista, acusando a Castlelake de tentar fazer o negócio barato
— Bloomberg, citando a posição da EasyJet
O conselho de administração estaria inclinado a recomendar aos acionistas o preço da mais recente proposta
— Comunicado da EasyJet ao Financial Times
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Porque é que a EasyJet rejeitou as primeiras propostas se a diferença de preço não era tão grande?

Model

Porque a diferença era grande o suficiente. Quando a Castlelake começou com 6,50 libras, a EasyJet viu que havia espaço para negociar. As primeiras propostas eram insultantes — a companhia sabia que valia mais.

Inventor

E o que mudou entre a proposta de 6,50 e a de 6,90 libras?

Model

Confiança. Quando a EasyJet concordou em partilhar dados operacionais, ambas as partes estavam a dizer: "Vamos levar isto a sério." O preço subiu porque a Castlelake viu o que estava realmente a comprar.

Inventor

A questão do parceiro europeu — é um verdadeiro problema ou apenas uma formalidade?

Model

É real, mas a Castlelake já tem uma solução. Eles estruturaram o negócio para permitir que os acionistas da EasyJet mantenham a sua participação. Isto satisfaz as regras porque o controlo europeu fica garantido.

Inventor

Porque é que Stelios Haji-Ioannou não bloqueou isto com a sua participação de 15%?

Model

Porque 23% de ganho no preço das ações é difícil de rejeitar. E a estrutura permite que ele mantenha investimento na companhia se quiser.

Inventor

O que vem a seguir?

Model

Aprovação regulatória e voto dos acionistas. Mas depois de meses de negociações, isto parece estar resolvido.

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