Dentro do mês de junho a gente vai ter essa definição
Em um momento em que a geopolítica do Oriente Médio dita o ritmo da economia doméstica, o ministro da Fazenda Dario Durigan sinalizou que os subsídios emergenciais a combustíveis podem ser encerrados ainda em junho, condicionados à estabilização do petróleo acima de US$ 80 o barril. A decisão aguarda o desfecho das negociações entre Estados Unidos e Irã — um lembrete de que as escolhas feitas em salas distantes reverberam diretamente no bolso do cidadão brasileiro. O momento é de vigília: o governo observa os mercados e os diplomatas com igual atenção, pronto para agir assim que a névoa da incerteza se dissipar.
- O governo mantém os subsídios a combustíveis em suspenso, esperando que um acordo entre EUA e Irã estabilize o petróleo e torne as medidas emergenciais desnecessárias.
- O barril Brent oscilou entre US$ 78,82 e US$ 80,80 em um único dia, traduzindo em números a instabilidade que paralisa a decisão do Ministério da Fazenda.
- O secretário-executivo Rogério Ceron fixou um parâmetro claro: se o Brent se mantiver em torno de US$ 80, não há justificativa para prolongar os subsídios.
- O Banco Central cortou a Selic pela terceira vez consecutiva, para 14,25% ao ano, mas a menção a trajetórias 'alternativas' gerou desconforto no mercado e deixou o horizonte monetário nebuloso.
- Durigan abriu novas frentes de debate — autonomia financeira do BC, indicação de diretores e um Plano Safra da ordem de R$ 593 bilhões —, sinalizando que a agenda econômica do governo está longe de se esgotar.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, indicou nesta sexta-feira que os subsídios emergenciais a combustíveis podem ser revertidos ainda em junho. A condição central é a estabilização do preço do petróleo, que por sua vez depende do desfecho das negociações entre Estados Unidos e Irã para encerrar o conflito no Oriente Médio. Durigan acredita que essa definição pode vir em uma ou duas semanas.
Em entrevista ao portal Jota, o ministro afirmou que, assim que houver clareza sobre o acordo diplomático, o governo avaliará se as causas que motivaram as medidas ainda existem. Seu secretário-executivo, Rogério Ceron, foi mais direto: com o barril Brent em torno de US$ 80, não há razão para manter os subsídios. Ao longo da própria sexta-feira, o petróleo oscilou entre US$ 78,82 e US$ 80,80 — volatilidade que ilustra exatamente a incerteza que o governo aguarda ver resolvida.
Além dos combustíveis, Durigan vê espaço para mais um corte de juros pelo Banco Central, caso o mundo avance para um cenário de desinflação com o fim do conflito. O BC já reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual pela terceira vez consecutiva, levando-a a 14,25% ao ano, mas a menção a trajetórias 'alternativas' para a meta de inflação gerou reação negativa nos mercados.
O ministro também tocou em temas institucionais: manifestou reservas sobre a PEC que tramita no Senado para ampliar a autonomia financeira do BC, prometeu reabrir o debate com o presidente da instituição, Gabriel Galípolo, e com o presidente Lula. Sobre a indicação de diretores ao BC — questão pendente desde o início do ano —, reconheceu que a palavra final é de Lula. Por fim, sinalizou que o Plano Safra deste ano deve repetir o volume de R$ 593 bilhões do ciclo anterior, com possibilidade de liberação recorde.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, sinalizou nesta sexta-feira que o governo pode encerrar os subsídios emergenciais a combustíveis ainda em junho, desde que o preço do petróleo se estabilize nos próximos dias. A decisão depende fundamentalmente de um acordo entre Estados Unidos e Irã para encerrar o conflito no Oriente Médio — um cenário que Durigan acredita poder se concretizar em uma ou duas semanas, no máximo.
Em entrevista ao portal Jota, o ministro explicou que a avaliação será feita assim que houver clareza sobre a negociação entre os dois países. "Talvez semana que vem seja definitiva, ou no máximo na seguinte, mas acho que dentro do mês de junho a gente vai ter essa definição de que houve uma estabilização, as causas que geraram as medidas não estão mais existentes, portanto está na hora de reverter as medidas", afirmou. Seu secretário-executivo, Rogério Ceron, foi mais específico: se o barril Brent se manter em torno de US$ 80, não há razão para manter os subsídios em vigor.
O timing é delicado. As negociações entre Washington e Teerã sofreram adiamentos, o que levou os operadores de mercado a agir com cautela. Na sexta-feira, o barril Brent oscilava significativamente — começou em queda de 1,29%, cotado a US$ 78,82 na noite anterior, depois subiu para US$ 80,80 (alta de 1,19%) por volta do meio da tarde, e fechava em torno de US$ 80,34 (valorização de 0,61%). Essa volatilidade reflete exatamente a incerteza que Durigan espera ver resolvida nos próximos dias.
Além da questão dos combustíveis, o ministro vê espaço para mais um corte de juros pelo Banco Central. Ele argumenta que o mundo caminha para um cenário de desinflação com o encerramento do conflito, o que criaria margem para redução adicional da taxa básica. O BC já anunciou o terceiro corte consecutivo de 0,25 ponto percentual nesta semana, levando a Selic a 14,25% ao ano, mas deixou os próximos passos em aberto ao mencionar que avalia trajetórias "alternativas" para atingir a meta de inflação — postura que gerou reação negativa no mercado.
Durigan também abordou a Proposta de Emenda à Constituição que tramita no Senado para dar autonomia financeira ao Banco Central. Embora concorde com o fortalecimento da instituição, o ministro expressou preocupação com os impactos na contabilidade pública e com uma possível ampliação de poderes do órgão. Ele sinalizou que reabrirá o debate com Gabriel Galípolo, presidente do BC, e com o presidente Lula sobre o tema.
Quanto à indicação de diretores ao BC pelo governo — questão travada desde o início do ano — Durigan reafirmou sua defesa da prática, mas reconheceu que a decisão final cabe ao presidente Lula. Por fim, o ministro informou que o Plano Safra a ser anunciado neste ano deve prever um volume de recursos similar ao do ano passado, de R$ 593 bilhões, com possibilidade de uma liberação recorde no novo ciclo.
Notable Quotes
Talvez semana que vem seja definitiva, ou no máximo na seguinte, mas acho que dentro do mês de junho a gente vai ter essa definição de que houve uma estabilização— Dario Durigan, ministro da Fazenda
Se estabilizar em torno de US$ 80 o barril, realmente não há necessidade de continuidade das medidas— Rogério Ceron, secretário-executivo do ministério da Fazenda
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que o acordo entre EUA e Irã é tão crucial para a decisão sobre os subsídios?
Porque esse conflito no Oriente Médio criou uma instabilidade que elevou os preços do petróleo. Se houver paz, a demanda por combustíveis volta ao normal, os preços caem naturalmente, e o governo não precisa mais subsidiar para proteger o consumidor.
E se as negociações não avançarem como Durigan espera?
Então os subsídios continuam. O governo não pode simplesmente remover o apoio se o petróleo continuar caro — isso geraria inflação e afetaria toda a economia.
Durigan mencionou desinflação global. Como isso se conecta aos juros?
Se o mundo inteiro entra em desinflação — menos pressão de preços em geral — o Banco Central tem mais liberdade para cortar juros sem risco. Menos inflação significa menos necessidade de juros altos para conter a economia.
Mas o mercado reagiu mal aos sinais do BC sobre "trajetórias alternativas". Por quê?
Porque o mercado quer clareza. Quando o BC diz que está considerando caminhos alternativos, parece indecisão. Os investidores preferem saber exatamente o que vai acontecer com os juros.
A autonomia do BC é realmente um problema para Durigan?
Não é que ele seja contra. Ele quer um BC forte. Mas a PEC atual pode dar ao banco poderes demais e criar problemas na contabilidade pública. É uma questão de como fazer isso sem criar desequilíbrios.
E a questão dos diretores do BC?
Durigan acredita que o governo deve indicar diretores, como sempre fez. Mas reconhece que essa decisão não é dele — é do presidente Lula. É uma questão política que vai além do ministério.