Sempre consigo me surpreender com o amor entre eles
Imagens aéreas mostram araras-canindé trocando carícias no topo de árvore, comportamento comum que reflete forte ligação entre pares da espécie. Fotógrafo Lucas Rocha Fialho dedica-se há 10 anos ao registro da fauna pantaneira, considerando o trabalho como terapia e forma de conexão com natureza.
- Drone registrou araras-canindé trocando carícias no topo de árvore em Aquidauana, MS, em 9 de julho
- Lucas Rocha Fialho trabalha com fotografia há 10 anos e comanda agência de marketing em Mato Grosso do Sul
- Araras-canindé formam casais vitalícios e reproduzem entre agosto e janeiro
Fotógrafo registra com drone interação carinhosa entre casal de araras-canindé em Aquidauana, MS, destacando comportamento natural e vínculo duradouro da espécie.
Um drone capturou na tarde de quinta-feira, 9 de julho, o que poucos conseguem registrar: dois pássaros selvagens em um gesto de intimidade. As imagens aéreas mostram um casal de araras-canindé no topo de uma árvore em Aquidauana, no coração do Pantanal de Mato Grosso do Sul, trocando carícias. Quem operava o equipamento era Lucas Rocha Fialho, fotógrafo da região, e o vídeo que resultou desse trabalho circulou pelas redes sociais justamente pela beleza bruta da cena — dois seres vivos em seu habitat, sem mediação, sem pose.
Rocha Fialho trabalha com fotografia há uma década. Hoje comanda uma agência de marketing e publicidade no estado, mas nunca abandonou o que o trouxe até ali: sair para o Pantanal com câmeras e drones, documentando a vida que pulsa naquele bioma. Para ele, não é apenas profissão. "Acho que isso é minha terapia," disse. "Me sinto muito bem quando estou ali, desacelero da rotina." Nascido em Aquidauana, ele vê no registro da fauna local uma das principais razões de seu trabalho — uma forma de estar presente naquele mundo e de compartilhá-lo com quem o vê depois.
O comportamento que o drone flagrou — o casal trocando carícias — é típico das araras-canindé. A espécie é conhecida por formar pares que duram a vida toda. Não é um acasalamento sazonal ou uma conveniência reprodutiva. Esses pássaros, com suas cores vibrantes de amarelo, azul e verde, escolhem um companheiro e permanecem juntos. A temporada de reprodução ocorre entre agosto e janeiro, período que coincide com a transição da estação seca para a chuvosa, quando a natureza oferece mais alimento.
Rocha Fialho já havia capturado outras cenas notáveis do Pantanal. Registrou araras-azuis nas proximidades da Serra de Maracaju. Cada saída para fotografar, segundo ele, traz surpresas diferentes. "Já tive vários encontros com a vida selvagem no Pantanal e posso afirmar que, mesmo depois de todos esses anos, sempre consigo me surpreender com o amor entre eles. É algo incrível." Essa frase resume o que o mantém voltando: a capacidade de se espantar com o que vê, mesmo após uma década de trabalho.
No Pantanal, a arara-canindé está entre as espécies mais reconhecíveis e observadas. Moradores, turistas e fotógrafos que percorrem a região em busca de registros da vida selvagem frequentemente as veem. Mas ver não é o mesmo que documentar. E documentar não é o mesmo que capturar um momento de vulnerabilidade e afeto entre dois seres. O vídeo de Rocha Fialho faz exatamente isso: torna visível aquilo que existe mas raramente é presenciado de forma tão clara e próxima.
Citas Notables
Acho que isso é minha terapia. Me sinto muito bem quando estou ali, desacelero da rotina.— Lucas Rocha Fialho, fotógrafo
Já tive vários encontros com a vida selvagem no Pantanal e posso afirmar que, mesmo depois de todos esses anos, sempre consigo me surpreender com o amor entre eles.— Lucas Rocha Fialho
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Por que esse vídeo específico chamou tanta atenção nas redes sociais, quando araras-canindé são relativamente comuns no Pantanal?
Porque ver é diferente de presenciar. As pessoas passam pelo Pantanal e veem as aves, mas raramente conseguem estar tão perto, tão acima, tão dentro de um momento íntimo. O drone muda a perspectiva. De repente você está vendo o que ninguém vê normalmente.
Lucas disse que isso é sua terapia. Como é que fotografar animais selvagens funciona dessa forma para uma pessoa?
Acho que é sobre desaceleração. Ele sai da rotina de gerenciar uma agência, entra no Pantanal com equipamento, e precisa ficar quieto, atento, esperando. Não há pressa. A natureza não segue seu cronograma.
Ele mencionou que se surpreende ainda, depois de dez anos. Isso não deveria ter diminuído?
Deveria, talvez. Mas o Pantanal não é um estúdio. Cada dia é diferente. Cada encontro com os animais é único. Ele não está repetindo a mesma foto dez vezes — está descobrindo coisas novas constantemente.
As araras-canindé formam casais para a vida toda. Isso muda como você vê o vídeo?
Completamente. Aquele casal no topo da árvore não está em um encontro casual. Eles podem estar juntos há anos. Talvez tenham criado filhotes juntos. O gesto de carinho que o drone registrou é parte de uma história muito mais longa.
E a reprodução deles ocorre entre agosto e janeiro. O vídeo foi feito em julho. Eles estavam se preparando?
Provavelmente. Julho é quando a estação seca começa a ceder para a chuvosa. Os alimentos começam a aparecer. É o momento em que a natureza se prepara para o ciclo reprodutivo. Aquele casal estava entrando em um período importante.