Doze distritos sob aviso amarelo; Açores em alerta vermelho por agitação marítima

Uma mulher morreu em Algés durante tempestade de quarta-feira; dezenas de pessoas desalojadas; múltiplas inundações causaram danos em habitações, estabelecimentos comerciais e veículos.
Fiquem em casa. Não se aproximem da orla marítima.
Apelo da Proteção Civil dos Açores perante ondas de 20 metros e ventos de 168 quilómetros por hora.

Quando o céu impõe a sua autoridade, as sociedades são lembradas da sua fragilidade perante as forças naturais. Em Portugal, doze distritos continentais enfrentavam no sábado avisos amarelos de chuva intensa, ventos fortes e neve, enquanto os Açores viviam sob o alerta máximo vermelho, com ondas que poderiam atingir os 20 metros e ventos próximos dos 170 quilómetros por hora. A memória ainda fresca de uma morte e de dezenas de desalojados na quarta-feira anterior tornava este novo ciclo de mau tempo não apenas uma previsão meteorológica, mas um apelo coletivo à prudência e ao recolhimento.

  • A depressão Efrain transformou o arquipélago dos Açores num cenário de força bruta, com rajadas de vento até 168 km/h e ondas máximas de 22 metros a ameaçar as ilhas do grupo Ocidental.
  • Em Lisboa, a câmara municipal ativou o plano de contingência com a urgência de quem ainda contava os danos da tempestade de quarta-feira — uma mulher morta, dezenas de desalojados e infraestruturas danificadas.
  • Doze distritos do continente entraram em aviso amarelo ao final da tarde de sábado, com chuva persistente, rajadas até 75 km/h e neve esperada acima dos 1.100 metros no interior.
  • As autoridades — da Proteção Civil à Autoridade Marítima — apelaram ao recolhimento domiciliário, ao encerramento de portos e à vigilância junto de ribeiras com risco de transbordo.
  • O porto da ilha do Corvo foi encerrado a toda a navegação, e a população do grupo Ocidental dos Açores foi instada a não se aproximar da orla marítima durante o período crítico.

Portugal acordou no sábado com um aviso que pedia contenção: doze distritos continentais — de Beja a Castelo Branco, de Lisboa a Vila Real — estavam sob aviso amarelo do Instituto Português do Mar e da Atmosfera. A ameaça era tripla: chuva persistente, rajadas de vento até 75 quilómetros por hora e neve acima dos 1.100 metros nos distritos do interior, com possível acumulação de até cinco centímetros acima dos 1.200 metros. O período mais crítico estenderia da noite de sábado até à madrugada de domingo.

A Câmara Municipal de Lisboa tinha razões concretas para estar em alerta. Apenas três dias antes, uma tempestade violenta tinha inundado estradas, danificado habitações e estabelecimentos comerciais, e custado a vida a uma mulher em Algés. Dezenas de pessoas tinham sido desalojadas nos concelhos de Lisboa, Loures, Odivelas, Amadora e Oeiras. Com nova chuva forte prevista, os serviços municipais e a Proteção Civil posicionaram-se para responder rapidamente a qualquer emergência.

Mas era nos Açores que a situação atingia a sua expressão mais severa. A depressão Efrain colocou as ilhas do grupo Ocidental — Flores e Corvo — sob aviso vermelho, o nível máximo. Ondas com altura significativa de 10 metros e máximas de 20 a 22 metros eram esperadas, acompanhadas de ventos com rajadas até 168 quilómetros por hora. O presidente do Serviço Regional de Proteção Civil pediu à população que ficasse em casa e se afastasse da orla marítima. O porto da ilha do Corvo foi encerrado a toda a navegação.

As restantes ilhas do arquipélago também estavam sob aviso: o grupo Central com preocupações de chuva e vento, o grupo Oriental com alerta laranja. As autoridades recomendavam acondicionar objetos soltos, evitar ribeiras com risco de transbordo e, se fosse necessário sair, caminhar junto a edifícios com atenção redobrada. O fim de semana impunha-se como tempo de espera, de portas fechadas e de respeito pela força do que vinha do mar.

Portugal acordou no sábado com o aviso de que o fim de semana traria tempo severo. Doze distritos da região continental — Beja, Lisboa, Leiria, Faro, Setúbal, Évora, Santarém, Portalegre, Vila Real, Viseu, Guarda e Castelo Branco — estavam sob aviso amarelo emitido pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera. O aviso amarelo significa que existe risco real para atividades que dependem das condições meteorológicas. Para a maioria dos distritos, o período crítico começaria ao final da tarde de sábado e prolongar-se-ia até à madrugada de domingo.

A ameaça era tripla: chuva persistente e por vezes forte, ventos com rajadas na ordem dos 75 quilómetros por hora, e neve. Nos distritos do interior — Vila Real, Viseu, Guarda e Castelo Branco — a queda de neve era esperada acima dos 1.100 metros de altitude, com acumulação acima dos 1.200 metros que poderia atingir 5 centímetros. O Instituto alertava para perturbações causadas pela neve: vias condicionadas ou interditas, possível formação de gelo, danos em estruturas e árvores, abastecimentos locais prejudicados.

A Câmara Municipal de Lisboa tinha razões para estar em alerta máximo. Apenas três dias antes, na quarta-feira à noite, a cidade e os concelhos vizinhos — Loures, Odivelas, Amadora e Oeiras — tinham sido atingidos por mau tempo violento. Inundações cortaram estradas, túneis e acessos a estações de transporte. Estabelecimentos comerciais, habitações e veículos foram danificados. Uma mulher morreu em Algés, no concelho de Oeiras. Dezenas de pessoas foram desalojadas. Os prejuízos foram elevados. Agora, com a previsão de chuva persistente e por vezes forte entre as 22:00 de sábado e as 06:00 de domingo, a câmara apelava à população para tomar precauções. Os agentes de Proteção Civil, os serviços operacionais municipais e elementos das Juntas de Freguesia estavam de prevenção para responder rapidamente a qualquer emergência.

Mas o cenário mais grave desenrolava-se nos Açores. O Instituto Português do Mar e da Atmosfera elevou o aviso para vermelho — o nível máximo — para as ilhas do grupo Ocidental, Flores e Corvo. Entre o meio-dia de sábado e a meia-noite, ondas de sudoeste com 10 metros de altura significativa eram esperadas, com a onda máxima a poder atingir os 20 metros. O presidente do Serviço Regional de Proteção Civil e Bombeiros dos Açores, Eduardo Faria, pedira à população do grupo Ocidental que ficasse em casa. "Alerto a população para não se aproximar da orla marítima ou de locais desabrigados, onde possa haver vento forte. Fiquem em casa", dissera.

A depressão Efrain tinha colocado as nove ilhas do arquipélago sob vários avisos. No grupo Central — Terceira, São Jorge, Pico, Graciosa e Faial — a preocupação era a chuva forte e o vento. No grupo Oriental — São Miguel e Santa Maria — o aviso era laranja para precipitação e vento forte. Faria recomendava que as pessoas acondicionassem objetos soltos, tivessem cuidado com a limpeza das vias e à volta das casas, e muita atenção junto de ribeiras ou linhas de água, pois era muito provável que transbordassem. Se tivessem de sair de casa, deveriam caminhar junto a edifícios ou usar objetos para perceber se havia perigos. Havia também probabilidade de trovoada forte.

A Autoridade Marítima Nacional descrevia a agitação marítima nos Açores em termos brutais: altura significativa que poderia atingir os 12 metros e altura máxima de 22 metros, com período médio entre 14 e 16 segundos. Os ventos teriam intensidade média de até 93 quilómetros por hora e rajadas até 168 quilómetros por hora. O capitão do Porto de Santa Cruz das Flores determinou o encerramento a toda a navegação do Porto da Casa, na ilha do Corvo. O fim de semana seria de espera, de precaução, de portas fechadas.

Alerto a população para não se aproximar da orla marítima ou de locais desabrigados, onde possa haver vento forte. Fiquem em casa.
— Eduardo Faria, presidente do Serviço Regional de Proteção Civil e Bombeiros dos Açores
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Porque é que o aviso amarelo é diferente do aviso vermelho? Qual é a escala?

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O aviso amarelo significa que há risco para atividades que dependem do tempo — é uma situação que requer atenção, mas não é o nível máximo. O aviso vermelho é para situações de risco muito elevado, como aquelas ondas de 20 metros nos Açores. É a diferença entre "cuidado" e "perigo iminente".

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A Câmara de Lisboa estava a preparar-se para uma segunda tempestade em três dias. Como é que isso muda a resposta?

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Quando já houve danos graves — uma morte, dezenas de desalojados, inundações generalizadas — a próxima tempestade não é apenas um evento meteorológico. É um teste à capacidade de recuperação. As equipas já estão cansadas. As pessoas já estão assustadas. Por isso o apelo é mais urgente: fiquem em casa, deixem-nos trabalhar.

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Os Açores parecem estar numa situação completamente diferente.

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Sim. Nos Açores, não é chuva ou vento isolados. É a combinação: ondas de 20 metros, ventos de 168 quilómetros por hora, chuva forte, possibilidade de trovoada. É o tipo de tempestade que pode destruir infraestruturas, que pode isolar ilhas. Por isso fecharam os portos. Por isso pediram às pessoas para não sairem de casa.

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Qual é o risco que as pessoas não veem?

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As ribeiras e linhas de água. Quando chove muito, transbordam. Podem arrastar pessoas, veículos, casas. As pessoas veem a chuva, veem o vento, mas não veem a água a correr invisível pelas ruas. Por isso o aviso é tão específico: cuidado junto de ribeiras, cuidado com lençóis de água que podem ocultar perigos.

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E depois? Quando passa a tempestade?

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Vem a contagem de danos. Vêm as equipas de limpeza. Vêm as seguradoras. Vêm as histórias de pessoas que perderam tudo. Como a mulher que morreu em Algés. Como as dezenas de pessoas que foram desalojadas. O tempo passa, mas as consequências ficam.

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