Há aversão ao risco, mas não tão profunda
Em meio à troca de ataques com mísseis e drones entre Estados Unidos e Irã, o fechamento do Estreito de Ormuz — artéria por onde flui um quinto do petróleo mundial — reacendeu nos mercados globais aquela antiga equação entre medo e valor: quando o mundo hesita, o dólar avança. No Brasil, a moeda encerrou a segunda-feira cotada a R$ 5,1314, alta de 0,46%, num movimento que reflete não apenas a geopolítica distante, mas também a dança doméstica entre juros, eleições e expectativas.
- EUA e Irã trocaram ataques intensos com mísseis e drones ao longo do fim de semana, elevando o prêmio de risco nos mercados internacionais a patamares não vistos em meses.
- O fechamento do Estreito de Ormuz por Teerã e o anúncio de bloqueio naval americano com tarifa de 20% sobre cargas empurraram o petróleo Brent de volta acima dos US$ 80 o barril.
- Moedas emergentes como o peso chileno, o rand sul-africano e o real sofreram pressão, embora o dólar no Brasil tenha oscilado de forma relativamente contida entre R$ 5,1089 e R$ 5,1417.
- Uma pesquisa eleitoral BTG/Nexus revelou empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro, adicionando incerteza doméstica ao já tenso ambiente externo.
- Economistas mantêm projeção do dólar a R$ 5,20 no fim de 2026, enquanto a perspectiva de alta de juros nos EUA combinada com cortes no Brasil ameaça reduzir o diferencial que historicamente atraía capital estrangeiro ao país.
Na segunda-feira, o dólar fechou em alta de 0,46%, a R$ 5,1314, acompanhando a valorização global da moeda americana diante de uma escalada acentuada no Oriente Médio. Ao longo do fim de semana e durante o pregão, forças dos EUA e do Irã trocaram ataques com mísseis e drones, elevando o prêmio de risco nos mercados internacionais.
O gatilho mais imediato foi o fechamento do Estreito de Ormuz por Teerã — rota por onde passa cerca de um quinto de todo o petróleo e gás comercializado no mundo. Em resposta, o presidente americano anunciou um bloqueio naval à região e a cobrança de 20% sobre cargas transportadas pelo estreito. O petróleo Brent saltou acima dos US$ 80 o barril, e os rendimentos dos títulos do Tesouro americano avançaram.
No Brasil, o dólar oscilou entre R$ 5,1089 e R$ 5,1417 ao longo da sessão. Jefferson Rugik, da Correparti Corretora, avaliou que a aversão ao risco era real, mas não atingia níveis profundos. O cenário doméstico também pesava: pesquisa BTG/Nexus divulgada pela manhã mostrava empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro na disputa presidencial, com o ex-presidente à frente por 47% a 44% numa simulação de segundo turno.
O boletim Focus manteve a projeção do dólar em R$ 5,20 para o fim de 2026 e a Selic em 14,00% ao ano até dezembro. A perspectiva de alta de juros nos EUA combinada com novos cortes brasileiros começa a corroer o diferencial que historicamente atraía fluxos de capital ao país. O Banco Central vendeu 50 mil contratos de swap cambial para garantir liquidez, enquanto o índice do dólar subia 0,22% no exterior. No acumulado do ano, o real ainda registra ganho de 6,51% frente ao dólar — mas o horizonte das próximas semanas dependerá tanto da evolução do conflito quanto das decisões de política monetária nos dois países.
Na segunda-feira, o dólar encerrou o pregão em alta de 0,46%, fechando a R$ 5,1314 frente ao real. O movimento acompanhava a valorização mais ampla da moeda norte-americana nos mercados globais, impulsionada por uma escalada acentuada das tensões no Oriente Médio. Forças dos Estados Unidos e do Irã trocaram ataques intensos com mísseis e drones ao longo do fim de semana e durante o dia, elevando significativamente o prêmio de risco nos mercados internacionais.
O gatilho imediato para a movimentação foi o anúncio de que Teerã havia fechado novamente o Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais críticas do planeta. Por ali passa aproximadamente um quinto de todo o petróleo e gás comercializado globalmente. Simultaneamente, o presidente dos EUA declarou que seu país estava restabelecendo um bloqueio naval à região e anunciou que cobraria 20% sobre todas as cargas transportadas pelo estreito como compensação pelos custos de segurança. A reação foi imediata: o petróleo Brent saltou acima dos US$ 80 o barril, enquanto os rendimentos dos títulos do Tesouro americano avançavam.
No mercado de câmbio, o dólar ganhou terreno contra moedas de economias emergentes — o peso chileno, o rand sul-africano e o real brasileiro sofreram pressão. No caso brasileiro, porém, as variações permaneceram contidas. Ao longo da sessão, o dólar à vista oscilou entre uma mínima de R$ 5,1089 registrada no início da manhã e uma máxima de R$ 5,1417 atingida após o anúncio de Trump. O contrato futuro para agosto, o mais negociado na B3, subiu 0,36% para R$ 5,1555.
Jefferson Rugik, diretor da Correparti Corretora, observou que embora a escalada geopolítica tivesse afetado novamente as cotações, o movimento do dólar permanecia moderado. Havia aversão ao risco nos mercados, mas não em níveis profundos. O cenário local também influenciava o comportamento da moeda: uma pesquisa eleitoral BTG/Nexus divulgada pela manhã mostrava empate técnico na disputa presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro. Na simulação de segundo turno, Lula aparecia com 47% das intenções de voto contra 44% de Flávio, com margem de erro de dois pontos percentuais.
No boletim Focus divulgado mais cedo, economistas do mercado mantinham suas projeções para o dólar no encerramento de 2026 em R$ 5,20 e para o final de 2027 em R$ 5,28. A taxa Selic projetada para o fim deste ano permanecia em 14,00%, sugerindo mais um corte de 25 pontos-base até dezembro. Para 2027, a projeção seguia em 12,00%. A taxa atual de 14,25% ao ano, bem acima dos patamares nos EUA e Japão, havia sido historicamente um atrativo para fluxos de dólares para o Brasil. Agora, porém, a perspectiva de alta de juros americanos combinada com novos cortes brasileiros alterava esse cenário.
O Banco Central, por sua vez, vendeu 50 mil contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de 3 de agosto, buscando manter a liquidez do mercado. No exterior, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda americana frente a uma cesta de seis divisas — subia 0,22% para 101,280. Acumulado no ano, o real ainda mantinha ganho de 6,51% frente ao dólar, mas a trajetória das próximas semanas dependerá de como evoluem tanto o conflito no Oriente Médio quanto as decisões de política monetária nos dois países.
Citações Notáveis
A escalada das tensões geopolíticas afetou de novo as cotações e o dólar sobe — mas não muito. Há uma aversão ao risco, mas não tão profunda.— Jefferson Rugik, diretor da Correparti Corretora
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Por que o fechamento do Estreito de Ormuz afeta tanto o preço do dólar?
Porque petróleo é negociado em dólares. Quando a oferta fica ameaçada, o mundo inteiro precisa de mais dólares para garantir suas compras. É aversão ao risco — você quer moeda forte, segura.
Mas o dólar subiu apenas 0,46%. Isso é realmente significativo?
Para um dia, é moderado. Mas note que o movimento foi contido apesar de ataques com mísseis acontecendo. Isso sugere que o mercado ainda acredita que as coisas não vão descontrolar completamente.
E a pesquisa eleitoral brasileira? Como entra nisso?
Incerteza política também afasta dólares. Se há dúvida sobre quem governa, investidores estrangeiros ficam cautelosos. Mas o empate técnico não foi dramático o suficiente para amplificar a pressão.
Os economistas ainda apostam em R$ 5,20 no fim do ano. Isso é otimista ou pessimista?
É realista, não otimista. Significa que esperam mais pressão sobre o real. O diferencial de juros que protegia o Brasil está encolhendo — os EUA vão subir taxa, o Brasil vai cortar. Isso muda o jogo.
O que o Banco Central fez vendendo swap cambial?
Tentou manter a liquidez, evitar que o dólar disparasse. É um movimento defensivo, não ofensivo. Eles sabem que volatilidade extrema prejudica a economia.
Se o petróleo sobe, o Brasil não deveria se beneficiar?
Deveria, em tese. Mas o Brasil importa petróleo. A alta beneficia produtores, não consumidores. E a incerteza global afasta capital, o que pressiona qualquer moeda emergente.