Dólar cai 0,48% e fecha a R$ 5,12 com recuo global e tensões no Oriente Médio

O equilíbrio é frágil, dependente de tensões geopolíticas e sinalizações do Fed
Analista do MUFG aponta que dólar pode reverter queda se petróleo subir e Fed aumentar juros.

Em uma quinta-feira marcada por feriado paulistano e agenda econômica esvaziada, o dólar recuou 0,48% frente ao real, encerrando a R$ 5,1238 — reflexo de um enfraquecimento mais amplo da moeda americana nos mercados globais. O pano de fundo, porém, carrega tensão: novos ataques americanos contra o Irã e retaliações iranianas contra Kuwait e Bahrein lembram que a estabilidade cambial repousa sobre um equilíbrio frágil, sujeito às oscilações da geopolítica e às sinalizações do Federal Reserve.

  • O dólar acumula queda de 6,65% frente ao real no ano, mas o conflito no Oriente Médio ameaça reverter essa trajetória a qualquer momento.
  • Os EUA lançaram novos ataques contra o Irã para manter o Estreito de Ormuz aberto, e a resposta iraniana com ataques ao Kuwait e ao Bahrein elevou o nível de risco geopolítico global.
  • A ata do Fed confirmou que um aumento de juros ainda em 2026 permanece na mesa, o que poderia fortalecer o dólar caso as tensões pressionem ainda mais o preço do petróleo.
  • Por ora, o mercado opera com liquidez reduzida e sem catalisadores domésticos, deixando o câmbio ancorado na dinâmica externa de dólar fraco — mas o equilíbrio é reconhecidamente instável.

O dólar encerrou a quinta-feira em queda de 0,48%, cotado a R$ 5,1238, acompanhando o recuo da moeda americana nos mercados globais. As operações cambiais prosseguiram normalmente em São Paulo, mesmo com o feriado da Revolução Constitucionalista de 1932, ainda que com liquidez reduzida. No contrato futuro de agosto, mais negociado na B3, a queda foi de 0,56%, com cerca de 167 mil contratos movimentados. No acumulado do ano, o dólar já cede 6,65% frente ao real.

A sessão foi moldada por uma agenda econômica esvaziada, o que deixou os investidores atentos ao cenário geopolítico. Na véspera, os Estados Unidos anunciaram novos ataques contra o Irã com o objetivo declarado de manter o Estreito de Ormuz aberto à navegação. A resposta iraniana veio rápida, com ataques direcionados ao Kuwait e ao Bahrein — a mais recente escalada em um conflito que pressiona os esforços diplomáticos na região.

Apesar da tensão, ela não foi suficiente para sustentar o dólar nesta sessão. O estrategista cambial do MUFG, Lee Hardman, alertou, porém, que uma intensificação do conflito aliada a uma alta mais acentuada do petróleo poderia reverter o movimento — especialmente porque o Federal Reserve sinalizou, em sua ata de junho divulgada na quarta-feira, que mantém aberta a possibilidade de elevar os juros ainda em 2026.

A combinação de potenciais aumentos de juros americanos com uma escalada geopolítica capaz de pressionar os preços de energia desenha um cenário volátil para as próximas semanas. Por ora, o dólar comercial é negociado a R$ 5,123 na venda e R$ 5,118 na compra — mas o equilíbrio depende tanto do desdobramento das tensões no Oriente Médio quanto dos próximos passos do banco central americano.

A moeda americana fechou a quinta-feira em queda, acompanhando um movimento mais amplo de enfraquecimento do dólar nos mercados globais. Apesar de São Paulo estar em feriado — celebrando a Revolução Constitucionalista de 1932 — as operações cambiais prosseguiram normalmente, ainda que com liquidez reduzida. O dólar à vista encerrou o dia com recuo de 0,48%, cotado a R$ 5,1238. No contrato futuro de agosto, o mais negociado na B3, a queda foi ligeiramente maior: 0,56%, fechando em R$ 5,1520, com aproximadamente 167 mil contratos movimentados. No acumulado do ano, a moeda americana já acumula uma queda de 6,65% frente ao real.

O cenário que moldou o pregão foi marcado por uma agenda econômica esvaziada tanto no exterior quanto no Brasil, deixando espaço para que os investidores se concentrassem em questões geopolíticas. Na quarta-feira, os Estados Unidos anunciaram o lançamento de novos ataques contra o Irã, com o objetivo declarado de manter o Estreito de Ormuz aberto à navegação. A resposta iraniana foi rápida: ataques contra Kuwait e Bahrein, representando a mais recente escalada em um conflito que ameaça derrotar os esforços diplomáticos para encerrar a guerra na região.

Embora as tensões no Oriente Médio persistam, elas não foram suficientes para impulsionar o dólar nesta sessão. Lee Hardman, estrategista cambial do MUFG, ofereceu uma perspectiva sobre o que poderia mudar esse quadro. Se as tensões se aprofundarem ainda mais e o preço do petróleo continuar subindo de forma acentuada, isso poderia reverter o movimento e fortalecer a moeda americana, especialmente considerando que o Federal Reserve sinalizou estar aberto a aumentar as taxas de juros ainda em 2026.

A ata da última reunião do Fed, divulgada na quarta-feira e referente ao encontro de junho, confirmou que as autoridades monetárias mantêm em aberto a possibilidade de elevação dos juros. Embora houvesse divergências internas sobre o momento apropriado para tal movimento, a simples abertura dessa porta mantém o dólar em posição de potencial força. A combinação de possíveis aumentos de juros americanos com uma escalada geopolítica que poderia pressionar os preços de energia cria um cenário volátil para as próximas semanas.

Por enquanto, o mercado de câmbio brasileiro reflete a dinâmica global de enfraquecimento do dólar, com a moeda americana sendo vendida a R$ 5,123 e comprada a R$ 5,118 no mercado comercial. Mas o equilíbrio é frágil, dependente tanto da evolução das tensões no Oriente Médio quanto das sinalizações do banco central americano sobre sua próxima movimentação na política de juros.

Se as tensões se intensificarem e o petróleo continuar subindo, isso poderia reforçar o impulso de alta do dólar, especialmente com o Fed aberto a aumentar as taxas
— Lee Hardman, estrategista cambial do MUFG
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que o dólar caiu se há tensões no Oriente Médio? Normalmente isso não deveria fortalecer a moeda americana?

Model

Você está certo em pensar assim. Mas hoje o movimento global foi mais forte — o dólar caiu em relação a todas as moedas, não apenas o real. As tensões existem, mas ainda não escalaram o suficiente para mudar o apetite por risco dos investidores.

Inventor

E o que mudaria isso?

Model

Se o petróleo começar a subir muito e as tensões se intensificarem, aí sim o dólar provavelmente se fortaleceria. Mas por enquanto, o mercado está esperando para ver se isso realmente acontece.

Inventor

O Fed tem algo a ver com isso?

Model

Tem tudo a ver. O Fed sinalizou que pode aumentar juros ainda este ano. Quando há expectativa de juros mais altos nos EUA, normalmente o dólar sobe. Mas hoje esse efeito foi superado pelo movimento global de queda.

Inventor

Então estamos em um ponto de equilíbrio?

Model

Exatamente. O dólar está em um ponto onde pode ir para qualquer lado — depende se as tensões geopolíticas se intensificam ou se o Fed realmente aumenta os juros. Por enquanto, prevalece a calma.

Inventor

E para o investidor brasileiro, o que isso significa?

Model

Significa que quem tem dívidas em dólar está respirando um pouco mais fácil, já que a moeda caiu 6,65% no ano. Mas essa queda pode ser revertida rapidamente se as circunstâncias mudarem.

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