Documentário inédito sobre Benedito Ruy Barbosa estreia este ano com material nunca visto

Benedito sempre falou sobre as necessidades de um povo que nunca teve voz
O diretor reflete sobre o legado do dramaturgo que dedicou sua obra às histórias do Brasil profundo.

Antes de partir aos 95 anos, Benedito Ruy Barbosa teve a rara oportunidade de narrar a própria vida para a posteridade. O documentário 'Da terra ao coração', produzido em parceria com sua filha Edmara e o diretor Davi Lacerda, reúne três meses de depoimentos inéditos do dramaturgo e está em fase final de edição, com estreia prevista para 2026. É um gesto que transforma a despedida em herança — e a memória de um homem em espelho de um Brasil que ele passou a vida inteira tentando dar voz.

  • Benedito Ruy Barbosa morreu em 7 de julho, mas deixou gravado seu próprio testemunho: três meses de depoimentos inéditos que formam a espinha dorsal de um documentário sobre sua vida.
  • A corrida agora é contra o tempo editorial — 'Da terra ao coração' está em fase final de edição e precisa chegar às telas ainda em 2026, enquanto o luto pelo autor ainda ressoa no país.
  • O projeto une gerações: a filha Edmara, colaboradora histórica do pai na Globo, e o diretor Davi Lacerda, que começou a carreira justamente em uma série escrita por Benedito.
  • O documentário vai além do depoimento pessoal, incorporando encenações e vozes de atores e familiares para reconstituir as histórias que o dramaturgo criou ao longo de décadas.
  • Para Lacerda, o filme é também um manifesto: Benedito sempre falou pelos que nunca tiveram voz, e este legado, agora registrado em imagem, é o que ele deixa ao Brasil.

Benedito Ruy Barbosa morreu aos 95 anos, mas não sem antes gravar seu próprio legado. 'Da terra ao coração' é um docudrama inédito sobre a trajetória do dramaturgo — da infância marcada pelo contato com os livros através do pai até os últimos trabalhos na televisão brasileira. O filme está em fase final de edição e deve estrear ainda em 2026.

O projeto nasceu da parceria entre o diretor Davi Lacerda e Edmara Barbosa, filha do autor e sua colaboradora em diversas produções na Globo. Ao longo de três meses, Benedito gravou os depoimentos que estruturam o filme. Lacerda, que iniciou a carreira como diretor assistente em 'Mad Maria' (2005) — série escrita pelo próprio Benedito —, descreve a experiência como um aprendizado singular. 'Me sinto honrado de ter sido convidado para contar a história de um dramaturgo que sempre olhou para as massas', declarou.

A narrativa segue uma linha cronológica: infância, passagem pelo jornalismo esportivo, primeiros passos no teatro e, finalmente, a televisão onde sua obra ganhou escala nacional. O documentário não se limita a depoimentos — inclui encenações e participações de atores, familiares e figuras que cruzaram o caminho do dramaturgo.

O que distingue o projeto é a abundância de material inédito gravado especificamente para ele. 'Benedito sempre falou sobre as necessidades de um povo que nunca teve voz. Ele está deixando esse legado', reflete Lacerda. A trajetória do diretor, que também trabalhou no remake de 'Pantanal' escrito por Bruno Luperi — neto de Benedito —, ilustra como a influência do dramaturgo atravessou gerações. O documentário, assim, é tanto um retrato íntimo quanto um registro do impacto duradouro de suas histórias na cultura televisiva do país.

Benedito Ruy Barbosa morreu na terça-feira, 7 de julho, aos 95 anos, deixando para trás um legado que atravessou décadas de televisão brasileira. Mas antes de partir, ele gravou seu próprio epitáfio em forma de documentário. "Da terra ao coração" é um docudrama inédito que conta a trajetória do dramaturgo desde a infância até seus últimos trabalhos na televisão, e está em fase final de edição com previsão de estreia ainda em 2026.

O projeto nasceu de uma parceria entre o diretor Davi Lacerda e Edmara Barbosa, filha do autor, que trabalhou como colaboradora em várias produções do pai na Globo. Durante três meses, Benedito gravou depoimentos que formam a espinha dorsal do filme. Lacerda, que começou sua carreira como diretor assistente na série "Mad Maria" (2005), escrita por Benedito, descreve o trabalho como um aprendizado profundo. "Me sinto honrado de ter sido convidado para contar a história de um dramaturgo que sempre olhou para as massas e utilizou o Brasil profundo como tema central das suas histórias", disse o diretor em entrevista exclusiva.

O documentário segue uma estrutura cronológica que começa na infância de Benedito, quando teve o primeiro contato com os livros através do pai. A narrativa avança pela sua carreira como jornalista esportivo, passa pelo primeiro encontro com a dramaturgia quando escrevia para o teatro, e finalmente chega ao início na televisão, onde construiu sua obra mais conhecida. O filme não é apenas depoimento: inclui encenações e participações de vários atores, familiares e pessoas que foram importantes na trajetória do dramaturgo e ajudaram a contar as histórias que ele criou.

O que torna este documentário particularmente significativo é a quantidade de material inédito que Benedito deixou gravado especificamente para o projeto. Lacerda enfatiza que o filme carrega bastante conteúdo nunca antes visto, oferecendo aos espectadores uma perspectiva íntima de um homem cuja obra sempre se concentrou nas vozes silenciadas. "Benedito sempre falou sobre as necessidades de um povo que nunca teve voz. Ele está deixando esse legado", reflete o diretor.

A carreira de Lacerda se desenvolveu em paralelo com a obra de Benedito. Depois de trabalhar em "Mad Maria", o diretor seguiu para projetos de maior envergadura, incluindo o remake de "Pantanal", escrito por Bruno Luperi, neto de Benedito. Essa continuidade geracional na televisão brasileira reflete como a influência do dramaturgo se estendeu além de sua própria geração. O documentário, portanto, não é apenas um retrato de um homem, mas um registro do impacto duradouro que suas histórias tiveram na cultura televisiva do país.

Me sinto honrado de ter sido convidado para contar a história de um dramaturgo que sempre olhou para as massas e utilizou o Brasil profundo como tema central das suas histórias
— Davi Lacerda, diretor do documentário
Benedito sempre falou sobre as necessidades de um povo que nunca teve voz. Ele está deixando esse legado
— Davi Lacerda
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que um documentário agora, neste momento específico da vida dele?

Model

Benedito tinha 95 anos e sabia que era o tempo certo. Ele gravou tudo com propósito, com clareza sobre o que queria deixar registrado. Não foi algo apressado.

Inventor

O que muda quando o próprio autor está envolvido na construção da sua própria história?

Model

Tudo. Ele não é apenas personagem, é narrador. Há uma intencionalidade em cada escolha de palavra, em cada memória que ele decide compartilhar. É como se estivesse conversando diretamente com quem vai assistir.

Inventor

A filha trabalhando junto com o diretor — isso cria uma dinâmica diferente?

Model

Completamente. Edmara conhece as histórias de dentro, sabe o que importa, o que foi deixado de fora das versões públicas. Ela é guardiã de um conhecimento que ninguém mais tem.

Inventor

Você mencionou "bastante material inédito". O que isso significa na prática?

Model

Significa que há gravações, conversas, momentos que nunca foram para a televisão, que nunca foram editados para o público. São fragmentos da vida real, não da vida dramatizada.

Inventor

Como alguém que começou como diretor assistente em uma série dele consegue contar essa história com distância?

Model

Talvez não seja sobre distância. É sobre respeito. Davi cresceu vendo como Benedito trabalhava, como pensava sobre o Brasil. Isso não é um obstáculo — é a melhor preparação possível.

Inventor

E o legado? O que fica?

Model

Fica a voz dele. Fica o registro de alguém que sempre falou pelos que não tinham voz. Agora, através deste documentário, ele continua falando.

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