O verdadeiro prêmio não era o dinheiro, mas a plataforma
Vencedores do BBB trilharam caminhos diversos: alguns se tornaram influenciadores digitais milionários, outros investiram em negócios que fracassaram ou seguiram carreira política. Histórias variam de sucesso financeiro duradouro, como Fael Cordeiro com suas fazendas, a desastres econômicos, como Max Porto que perdeu todo o prêmio e acumulou dívidas.
- 21 vencedores do BBB desde 2002, de Kleber Bambam a Juliette Freire
- Juliette tem 33,1 milhões de seguidores no Instagram; Munik Nunes tem quase 10 milhões
- Jean Willys se elegeu deputado federal três vezes (2010, 2014, 2018) antes de deixar o país em 2019
- Max Porto confessou ter perdido todo o prêmio e acumulado dívidas
- Fael Cordeiro mantém duas fazendas no Mato Grosso e um centro de capacitação para veterinários
O Globo mapeia o antes e depois de todos os 21 vencedores do BBB, desde Kleber Bambam até Juliette, mostrando carreiras que seguiram para política, influência digital, investimentos fracassados e reinvenções profissionais.
Quando Kleber Bambam levantou da cadeira do confessionário em 2002 com meio milhão de reais no bolso, ninguém sabia que estava inaugurando uma trajetória que se repetiria — com variações — nos vinte anos seguintes. Alguns dos vencedores do Big Brother Brasil construíram impérios digitais. Outros gastaram tudo. Alguns entraram para a política. Alguns desapareceram. A história dos 21 campeões do reality é, na verdade, a história de vinte e uma formas diferentes de lidar com a fama e o dinheiro.
Bambam se tornou ator, integrou a Turma do Didi, e hoje vive em Las Vegas dedicado ao fisiculturismo. Rodrigo Leonel, o Cowboy da segunda edição, apostou em bezerros e uma fazenda — os investimentos não funcionaram, e agora ele vende imóveis em Ribeirão Preto. Dhomini Ferreira, ex-romance de Sabrina Sato, comprou um posto de gasolina que não deu certo; hoje revende joias com a esposa e cinco filhos, além de dar palestras motivacionais. Cida dos Santos, da quarta edição, foi mais cautelosa: ajudou a família, comprou imóveis e abriu uma loja. Tentou se candidatar a vereadora, mas não foi eleita. Mantém um Instagram sobre autoconhecimento com quase 14 mil seguidores.
Jean Willys, que disputou a final com Grazi Massafera em 2005, foi o primeiro a ganhar o prêmio de um milhão de reais — e o primeiro a transformar a vitória em poder político. Se elegeu deputado federal pelo PSOL-RJ em 2010, se reelegendo em 2014 e 2018. Deixou o país em 2019 por desavenças políticas. Mara Viana usou o dinheiro para pagar um tratamento de saúde da filha e investir em uma pousada que aparentemente rendeu bem; hoje é formada em teologia e cursa psicologia. Diego Alemão, lembrado pelo triângulo amoroso com Iris e Fani, trabalhou com projetos audiovisuais antes de migrar para o mercado imobiliário. Também tentou a carreira política — se candidatou a deputado federal em 2014, mas não foi eleito.
Rafinha apostou tudo em uma banda musical quando saiu da casa em 2008, mas anos depois abandonou o projeto para se tornar tatuador. Hoje mantém um estúdio em Campinas. Max Porto, artista plástico que cativou o Brasil em 2009, chegou a vender consultorias para aspirantes a participantes do programa. Em entrevistas posteriores, confessou que não tinha sobrado nada do prêmio e que acumulava dívidas. Marcelo Dourado, lutador de MMA, investiu na carreira de atleta e conquistou 15 títulos de jiu-jitsu desde que saiu da casa, onde é faixa preta.
Maria Melilo comprou imóveis e virou repórter em programas como Mais Você e TV Fama, além de integrar o elenco de Casseta & Planeta. Também concorreu a deputada federal em São Paulo em 2014, sem sucesso. Fael Cordeiro, de perfil discreto, comprou duas fazendas no Mato Grosso e um centro de capacitação para veterinários — ambos mantidos até hoje. Se casou em 2018 e tem uma filha. Fernanda Keulla seguiu carreira na TV como apresentadora e repórter, e atualmente integra o elenco do programa Encrenca da RedeTV. Vanessa Mesquita fez faculdade de Veterinária e hoje produz conteúdos na plataforma OnlyFans. Cézar Lima, advogado que ganhou simpatia pelo carisma e frases filosóficas, aplicou o dinheiro em investimentos que ainda rendem e mantém um canal no YouTube.
Os vencedores mais recentes traçaram um caminho diferente. Munik Nunes vive de publicidade nas redes sociais, onde mantém quase 10 milhões de seguidores. Emily Araujo se consolidou como influenciadora digital e apresenta o programa Topzera da RedeTV. Gleici Damasceno ajudou a família, investiu em carreira de atriz, fez novelas e filmes, participou do reality No Limite, e também é influenciadora. Paula Von Sperling, cuja participação foi marcada por polêmicas, hoje faz publicidade no Instagram com mais de 3 milhões de seguidores. Thelma Assis, médica que venceu a primeira edição que misturava famosos e anônimos, é figura constante em campanhas publicitárias na TV e internet. Juliette Freire, a grande sensação da edição 21, faturou o prêmio após uma jornada por vezes solitária na casa. Hoje investe em carreira de cantora e publicidade, com 33,1 milhões de seguidores no Instagram.
O padrão é claro: os vencedores das primeiras edições enfrentaram dificuldades com investimentos tradicionais — fazendas, postos de gasolina, lojas — que frequentemente fracassaram. Os mais recentes descobriram que o verdadeiro prêmio não era o dinheiro em si, mas a plataforma que o programa oferecia. Influência digital, publicidade, presença nas redes sociais: esses ativos se mostraram muito mais rentáveis e duráveis do que qualquer negócio físico. A trajetória dos 21 vencedores não é apenas sobre o que fizeram com o dinheiro. É sobre como a própria natureza da vitória mudou.
Citações Notáveis
Max Porto confessou em entrevistas que não tinha sobrado nada do prêmio e que possuía dívidas— Trajetória de Max Porto, artista plástico vencedor do BBB9
Cézar Lima ganhou simpatia do público pelo jeito carismático e pelas frases filosóficas ao longo do programa— Descrição do vencedor do BBB15
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Por que você acha que os vencedores mais antigos tiveram tanto problema com investimentos tradicionais?
Porque ninguém os preparou. Saíram da casa com um milhão de reais e nenhuma experiência. Compravam fazendas, postos de gasolina, porque era o que faziam as pessoas ricas. Mas não sabiam administrar.
E os mais recentes?
Entenderam que a moeda real era a atenção. Juliette com 33 milhões de seguidores ganha mais em um post do que Kleber Bambam ganhou em toda a carreira de ator.
Mas isso não é mais frágil? Redes sociais mudam, algoritmos mudam.
Talvez. Mas pelo menos é algo que eles entendem. Cresceram com isso. Não é um negócio que você abre e espera dar certo.
Jean Willys foi diferente. Virou político.
Sim. Ele viu que a plataforma do BBB podia ser convertida em poder político real. Três mandatos. Mas depois saiu do país. Nem sempre a trajetória é linear.
O que você acha que Fael Cordeiro fez certo?
Ele foi discreto. Comprou duas fazendas, um centro de capacitação. Casou, teve filha. Não tentou ficar famoso. Apenas viveu.