A dívida bruta saltou de 61,6% para 77,4% em dois anos
Entre as grandes economias do mundo, o Brasil emerge como o segundo país do G20 que mais expandiu sua dívida pública desde 2022 — superado apenas pela China. Com a dívida projetada para alcançar 96,5% do PIB ao fim do terceiro mandato de Lula, e o FMI apontando para 105,5% até 2030, o país revive uma trajetória que, na memória recente, antecedeu a maior recessão de sua história. O que está em jogo não é apenas um número, mas a capacidade futura do Estado de responder a crises e sustentar o tecido social.
- A dívida pública brasileira saltou 12,6 pontos percentuais em apenas três anos, colocando o país entre os que mais se endividaram no mundo — uma velocidade que acende alarmes entre economistas.
- O paralelo com o segundo mandato de Dilma Rousseff é inevitável: a última vez que o Brasil viu expansão semelhante, o que se seguiu foi a maior recessão de sua história econômica.
- O FMI projeta que a dívida ultrapassará 105,5% do PIB até 2030, o que significa que o endividamento não apenas persiste — ele acelera, estreitando o espaço fiscal para qualquer resposta a crises futuras.
- O governo não apresentou até o momento uma trajetória crível de contenção, enquanto o país caminha para encerrar 2026 como a 22ª economia mais endividada do planeta.
Ao fim do terceiro mandato de Lula, em 2026, o Brasil terá registrado a segunda maior expansão de dívida pública entre os países do G20, atrás apenas da China. Os dados são do FMI e foram compilados pelo Farol da Oposição, braço de pesquisa do Instituto Teotônio Vilela, ligado ao PSDB.
Em 2022, a dívida brasileira correspondia a 83,9% do PIB. Ao encerrar 2025, deve chegar a 96,5% — um avanço de 12,6 pontos percentuais. A China liderou o ranking com expansão de 29,6 pontos. No universo de 187 economias monitoradas pelo FMI, o Brasil ocupa a 19ª posição entre as que mais cresceram em endividamento desde 2023.
O que torna o quadro mais grave é a companhia: entre as economias que mais expandiram suas dívidas, apenas Brasil, China, Finlândia e Polônia têm porte relevante. Os demais são nações menores. O documento traça um paralelo direto com o segundo mandato de Dilma Rousseff, quando a dívida bruta saltou de 61,6% para 77,4% do PIB em apenas dois anos — prelúdio da maior recessão da história econômica brasileira.
O horizonte projetado é ainda mais sombrio. O FMI estima que entre 2026 e 2030 a dívida subirá mais 9 pontos percentuais, chegando a 105,5% do PIB — superando o tamanho total da economia. Essa trajetória comprime o espaço fiscal do governo, limita investimentos estratégicos e reduz a capacidade do Estado de responder a crises, repetindo um padrão que, historicamente, antecede períodos de severa contração econômica.
Quando o terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva terminar no final de 2026, o Brasil terá acumulado a segunda maior expansão de dívida pública entre os países do G20 — um crescimento superado apenas pela China. É o que aponta um levantamento do Farol da Oposição, braço de pesquisa do Instituto Teotônio Vilela, ligado ao PSDB. Os números vêm do Fundo Monetário Internacional e cobrem o período de 2022 a 2025.
A trajetória é acentuada. Em 2022, a dívida pública brasileira representava 83,9% do Produto Interno Bruto. Ao encerrar este ano, deve chegar a 96,5% — um salto de 12,6 pontos percentuais. Apenas a China registrou expansão maior nesse intervalo, com aumento de 29,6 pontos. Quando se observa o universo mais amplo de 187 economias acompanhadas pelo FMI, o Brasil ocupa a 19ª posição entre as que mais aumentaram suas dívidas desde 2023. No ranking global de endividamento absoluto, o país deve encerrar 2026 como a 22ª economia mais endividada do mundo.
O que torna essa situação particularmente preocupante, segundo a análise, é que entre as economias que mais expandiram suas dívidas, apenas Brasil, China, Finlândia e Polônia possuem porte considerado relevante. Os demais são nações menores. O Brasil, portanto, está em companhia restrita — e nem sempre confortável.
O Farol da Oposição traça um paralelo histórico que amplifica a inquietação. A última vez que o país experimentou uma escalada de endividamento dessa magnitude foi durante o segundo mandato de Dilma Rousseff. Entre 2015 e 2016, apenas dois anos, a dívida bruta saltou de 61,6% para 77,4% do PIB. O que veio depois foi a maior recessão da história econômica brasileira. O documento não deixa a comparação implícita: "A situação atual só encontra paralelo na explosão observada no segundo mandato de Dilma Rousseff."
Mas o cenário projetado para frente é ainda mais sombrio. O FMI estima que nos próximos quatro anos — de 2026 a 2030 — a dívida brasileira subirá mais 9 pontos percentuais, atingindo 105,5% do PIB. Isso significa que a trajetória de endividamento não apenas continuará, mas acelerará. O país estaria caminhando para uma situação em que a dívida pública superaria o tamanho total da economia em mais de um ponto percentual.
Essa projeção coloca em evidência uma questão estrutural que vai além dos números: como o Brasil financia seu gasto público, como investe em infraestrutura e políticas sociais, e que espaço fiscal restará para manobras futuras. A dívida crescente reduz a margem de manobra do governo em crises, limita investimentos em áreas estratégicas e, historicamente, tem precedido períodos de contração econômica severa.
Notable Quotes
A situação atual só encontra paralelo na explosão observada no segundo mandato de Dilma Rousseff— Farol da Oposição, Instituto Teotônio Vilela
A escalada atual não vai parar por aqui. Para os próximos quatro anos, o FMI projeta alta de mais 9 pontos percentuais na dívida brasileira— Farol da Oposição
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que a dívida do Brasil está crescendo tão rápido comparada ao resto do G20?
O Brasil está em uma trajetória de gastos que supera sua capacidade de arrecadação. Diferente da China, que tem crescimento econômico robusto para sustentar o endividamento, o Brasil não tem esse colchão.
Esse paralelo com Dilma Rousseff é justo? Estamos em situação parecida?
Os números são semelhantes — uma expansão rápida da dívida em poucos anos. Mas o contexto é diferente. Dilma enfrentou queda de commodities. Agora temos outros fatores estruturais em jogo.
E se a projeção do FMI se confirmar? O que significa dívida acima de 100% do PIB?
Significa que o governo deve mais do que produz em um ano inteiro. Isso limita investimentos, aumenta juros e reduz espaço para políticas emergenciais.
Qual é o risco imediato?
Não é colapso amanhã. É erosão gradual da confiança dos investidores e redução de flexibilidade fiscal. Quando vem uma crise, o governo fica com as mãos atadas.
Há saída?
Há, mas exige decisões difíceis sobre gastos e receitas. Quanto mais se adia, mais severas precisam ser as medidas.