Desminagem de Ormuz pode durar 6 meses; Trump ordena destruição de embarcações

Mais de 30 embarcações foram alvo de ataques nas águas do Golfo Pérsico desde o início do conflito em 28 de fevereiro; transporte marítimo comercial severamente afetado.
Seis meses de preços altos é exatamente o que o Partido Republicano não queria
A operação prolongada de desminagem manteria combustíveis caros além de qualquer acordo de paz, com consequências políticas para as eleições americanas.

Minas posicionadas com GPS dificultam detecção; Irã pode ter instalado mais de 20 dispositivos no estreito crucial para transporte de petróleo. Operação prolongada manteria preços de combustível elevados além de eventual acordo de paz, com consequências políticas para eleições americanas de novembro.

  • Minas posicionadas com GPS dificultam detecção; Irã pode ter instalado mais de 20 dispositivos
  • Desminagem pode levar até 6 meses, mantendo preços de petróleo elevados
  • Mais de 30 embarcações foram alvo de ataques desde 28 de fevereiro
  • Um quinto do petróleo mundial passa pelo Estreito de Ormuz
  • Trump ordenou triplicar operações de desminagem e destruir embarcações que lancem minas

O Pentágono informou que a remoção de minas iranianas do Estreito de Ormuz pode levar até seis meses, afetando preços globais de petróleo. Trump ordenou intensificar operações de desminagem e destruir embarcações que lancem explosivos na região.

O Pentágono entregou ao Congresso americano uma avaliação que ninguém queria ouvir: remover as minas que o Irã colocou no Estreito de Ormuz levará até seis meses. A informação, apresentada em sessão confidencial na terça-feira à Comissão de Serviços Armados da Câmara, significa que os preços do petróleo e da gasolina permanecerão elevados muito depois de qualquer acordo de paz — se é que um virá. Democratas e republicanos receberam o prazo com frustração. Para Trump, porém, a resposta foi acelerar.

O presidente ordenou pela rede social que a Marinha americana atire e destrua qualquer embarcação, por menor que seja, que esteja lançando minas nas águas do estreito. "Não deve haver hesitação", escreveu. Além disso, Trump determinou que os navios caça-minas americanos que já estão operando na região triplicassem o ritmo de trabalho. A mensagem era clara: a operação não esperaria por diplomacia.

O desafio é formidável. Autoridades americanas informaram, sob anonimato, que o Irã pode ter instalado mais de vinte minas dentro e ao redor do Estreito de Ormuz — a via marítima vital por onde passa um quinto do petróleo mundial. O que torna a remoção particularmente difícil é que algumas foram posicionadas remotamente com tecnologia GPS, tornando-as mais difíceis de detectar do que as minas tradicionais. Outras foram colocadas por pequenas embarcações iranianas. O Pentágono se recusou a responder perguntas específicas sobre a avaliação, mas seu porta-voz, Sean Parnell, atacou a imprensa por divulgar a informação, chamando-a de "imprecisa" e acusando o Washington Post de "jornalismo desonesto". Ainda assim, Parnell admitiu que um fechamento de seis meses do estreito seria "uma impossibilidade e completamente inaceitável".

O conflito começou em 28 de fevereiro, após ataques americanos e israelenses ao Irã. Desde então, o transporte marítimo comercial foi severamente afetado. Mais de trinta embarcações foram alvo de ataques nas águas do Golfo Pérsico, do estreito e do Golfo de Omã. O Irã transformou sua capacidade de restringir o tráfego em uma importante vantagem estratégica. Na quarta-feira, disparou contra três navios de carga, apreendendo dois deles — o MSC Francesca e o Epaminondas. Nenhum era americano ou israelense, portanto, segundo porta-vozes americanos, a ação não violou o cessar-fogo que Trump havia anunciado na terça-feira. Na quinta-feira, os EUA apreenderam o petroleiro Majestic X, que estava no Oceano Índico, entre Sri Lanka e Indonésia, a caminho da China.

O impasse diplomático permanece congelado. Trump mantém o bloqueio aos portos iranianos, enquanto autoridades iranianas afirmam que não retomarão negociações enquanto a medida estiver em vigor. O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Majid Takht-Ravanchi, negou que seu país esteja instalando minas. Mas há indícios de que o próprio Irã pode não conseguir localizar todas as minas que colocou — uma situação que complica qualquer solução rápida.

Para os militares americanos, as opções incluem helicópteros, drones e mergulhadores especializados em desativação de explosivos. A Guarda Revolucionária iraniana alertou sobre uma "zona de perigo" de cerca de 1.400 quilômetros quadrados onde minas poderiam estar presentes. Alguns países não envolvidos diretamente no conflito manifestaram disposição para uma eventual missão neutra de segurança na região.

O cenário tem consequências políticas relevantes para os EUA. A decisão de Trump de iniciar a guerra tem se mostrado impopular entre a maioria dos americanos, segundo pesquisas recentes, e dividiu sua própria base política — eleitores que o escolheram, em parte, por suas promessas de evitar envolvimentos militares no exterior. Com as eleições de meio de mandato em novembro, seis meses de preços altos de combustível é exatamente o que o Partido Republicano não queria enfrentar.

Ordenei à Marinha dos EUA que atire e destrua qualquer embarcação que esteja lançando minas nas águas do Estreito de Ormuz. Não deve haver hesitação.
— Donald Trump, em postagem nas redes sociais
Um fechamento de seis meses do Estreito de Ormuz é uma impossibilidade e completamente inaceitável.
— Sean Parnell, porta-voz do Pentágono
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Por que seis meses? Não conseguem remover minas mais rápido?

Model

As minas foram posicionadas com GPS, o que as torna muito mais difíceis de localizar. Algumas foram colocadas remotamente, outras por pequenas embarcações. Não é como varrer uma rua — é procurar agulhas em um oceano.

Inventor

E se o Irã simplesmente disser onde estão?

Model

Autoridades americanas acreditam que o próprio Irã pode não conseguir localizá-las todas. Quando você coloca mais de vinte minas em uma área vasta, perde o controle delas.

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Trump está acelerando as operações. Isso muda o cronograma?

Model

Ele ordenou que triplicassem o ritmo, mas o porta-voz do Pentágono disse que um fechamento de seis meses é "uma impossibilidade". Há uma diferença entre dar ordens e mudar a realidade física de uma operação complexa.

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Qual é o custo real disso tudo?

Model

Mais de trinta embarcações foram atacadas desde fevereiro. O transporte marítimo está severamente afetado. Um quinto do petróleo mundial passa por ali. Seis meses de preços altos significa inflação, custos mais altos para consumidores, e para Trump, um problema político antes das eleições de novembro.

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O Irã está negociando?

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Não. Enquanto os EUA mantiverem o bloqueio aos portos iranianos, Teerã recusa negociações. É um impasse. Ambos os lados intensificam operações militares enquanto falam de cessar-fogo.

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