O aço não mente e os restos desses navios são as últimas testemunhas
O USS Samuel B Roberts afundou em outubro de 1944 durante a Batalha de Samar, com 89 mortos de uma tripulação de 224 homens que resistiram heroicamente contra navios inimigos superiores. O navio foi localizado a 6.895 metros de profundidade, tornando-se o navio de guerra mais profundo já descoberto, com estrutura quase intacta mostrando cicatrizes de batalha e impactos de projéteis japoneses.
- USS Samuel B Roberts afundou em outubro de 1944 durante a Batalha de Samar
- 89 mortos de uma tripulação de 224 homens; 120 sobreviventes em botes por 50+ horas
- Localizado a 6.895 metros de profundidade — o navio de guerra mais profundo já descoberto
- Victor Vescovo usou submersível Limiting Factor para a descoberta
Explorador americano Victor Vescovo localizou os destroços do USS Samuel B Roberts a 6.895 metros de profundidade no Mar das Filipinas, o navio de guerra mais profundo já encontrado, naufragado em 1944 durante batalha heroica contra o Japão.
Em outubro de 1944, no Mar das Filipinas, um pequeno destróier da Marinha americana enfrentou uma força japonesa muito superior. O USS Samuel B Roberts, conhecido como Sammy B, disparou suas armas até ficar sem munição, depois continuou atirando granadas de fumaça e sinalizadores na tentativa desesperada de incendiar os navios inimigos. Quando finalmente afundou, 89 de seus 224 tripulantes morreram. Os 120 sobreviventes passaram mais de 50 horas agarrados a botes salva-vidas no oceano. Agora, quase 78 anos depois, o navio foi encontrado.
Victor Vescovo, um financista e aventureiro do Texas, localizou os destroços a 6.895 metros de profundidade — mais fundo do que qualquer outro navio de guerra já descoberto. Vescovo usou seu próprio submersível, o Limiting Factor, para descer até o fundo do oceano e fotografar o que restava do Sammy B. A profundidade é tão extrema que apenas 2% dos leitos oceânicos do planeta atingem essa medida. Para colocar em perspectiva: a maioria das grandes trincheiras tectônicas mal ultrapassa esse patamar.
O que Vescovo e sua equipe encontraram foi notável pela sua integridade relativa. Nas imagens capturadas pelo submersível, é possível ver a estrutura do casco, as armas, os tubos de torpedo. O navio carrega as marcas de sua luta final — buracos de balas japonesas perfuram o metal, e há evidências de um impacto violento na popa. A proa parece ter colidido diretamente com o fundo do mar, deixando o casco com uma aparência corrugada que conta a história de sua queda.
A Batalha de Samar, ocorrida em outubro de 1944, foi parte de um confronto maior conhecido como Batalha do Golfo de Leyte. Foi um dos eventos mais ferozes da Segunda Guerra Mundial no Pacífico. O USS Samuel B Roberts tornou-se lendário não por sua vitória — ele foi derrotado — mas pela forma como seus marinheiros lutaram. Superados em número e em poder de fogo, conseguiram adiar e frustrar vários navios inimigos antes de sucumbir. Vescovo, que é reservista da Marinha americana, descreveu o feito como um ato de heroísmo extraordinário. "O Sammy B enfrentou cruzadores pesados japoneses à queima-roupa e disparou tão rápido que ficou sem munição", disse ele à BBC News. "Aqueles homens, lado a lado, lutavam até a morte."
Para Vescovo, a descoberta tem um significado que vai além da arqueologia submarina. "Gostamos de dizer que 'o aço não mente' e que os restos desses navios são as últimas testemunhas dessas batalhas", afirmou. Ele vê nesses destroços uma forma de preservar e recontar histórias que de outra forma desapareceriam nas profundezas.
Esta não é a primeira descoberta de Vescovo nas águas profundas do Pacífico. No ano anterior, ele havia localizado o USS Johnston, outro destróier, a 6.460 metros de profundidade. Mas o Sammy B estabelece um novo recorde. A expedição foi organizada e liderada pela EYOS, uma empresa especializada em exploração submarina. Kelvin Murray, representante da EYOS, explicou que o trabalho envolveu pesquisa histórica extensa para reduzir o escopo da busca, mas ainda assim há um elemento de sorte envolvido em encontrar um navio específico em um oceano tão vasto.
A descoberta abre perspectivas para futuras buscas. Dois outros navios americanos desapareceram na mesma batalha: o USS Gambier Bay, um porta-aviões, e o USS Hoel, outro destróier. Registros históricos indicam aproximadamente onde eles podem ter afundado, mas localizá-los será um desafio ainda maior. "Procuramos por Gambier Bay, mas esse trabalho de detetive nunca foi feito antes", disse Murray. É possível que esses navios estejam em profundidades ainda maiores do que o Sammy B.
Vescovo é uma figura singular na exploração extrema. Ele foi a primeira pessoa a visitar os pontos mais profundos dos cinco oceanos do planeta. Também escalou os picos mais altos de todos os sete continentes. Recentemente, viajou ao espaço no New Shepard, o sistema de foguetes desenvolvido por Jeff Bezos. Para ele, cada descoberta é uma oportunidade de contar histórias que importam — histórias de coragem, de sacrifício, de homens que enfrentaram o impossível.
Citações Notáveis
O Sammy B enfrentou cruzadores pesados japoneses à queima-roupa e disparou tão rápido que ficou sem munição — chegou a disparar granadas de fumaça e sinalizadores apenas para tentar provocar incêndios nos navios japoneses e continuou atirando. Um ato de heroísmo extraordinário.— Victor Vescovo, à BBC News
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Por que essa descoberta específica importa tanto? Há centenas de navios naufragados.
Porque o Sammy B não é apenas um navio — é um testemunho de um momento em que homens superados em tudo conseguiram adiar sua derrota. Oitenta e nove morreram. Cento e vinte ficaram 50 horas em botes. Isso não é abstrato.
Mas por que agora? Por que levou 78 anos para encontrá-lo?
A profundidade. Seis mil e oitocentos metros. Você não pode descer lá com equipamento convencional. Só muito recentemente temos submersíveis capazes disso. E mesmo assim, é como procurar uma agulha em um oceano.
Vescovo já tinha encontrado outro navio antes. Isso torna mais fácil?
Não. Cada navio é um quebra-cabeça diferente. O Johnston estava a 6.460 metros. O Sammy B está mais fundo ainda. Cada metro adicional é exponencialmente mais difícil. A pressão, a escuridão, a vastidão.
O que você vê quando olha para as imagens do navio?
Cicatrizes. Buracos de balas. Um impacto violento na popa. O navio conta sua própria história — como lutou, como foi atingido, como caiu. O aço não mente.
E os outros navios? Há esperança de encontrá-los?
Há registros históricos, coordenadas aproximadas. Mas é trabalho de detetive em escala oceânica. Pode levar anos. Ou pode nunca acontecer. Mas agora sabemos que é possível.