Uma disputa inédita com apenas dois candidatos de partidos com representação na Câmara
No estado mais populoso do Brasil, uma pesquisa Datafolha revela que Tarcísio de Freitas carrega consigo não apenas 46% das intenções de voto, mas também uma vantagem que parece refletir algo mais profundo do que a conjuntura imediata: a dificuldade do campo petista em reconquistar um eleitorado que o rejeita em proporção quase igual à que o apoia. Com a saída de candidatos intermediários, São Paulo caminha para um duelo raro — dois nomes, dois projetos, uma possível decisão já no primeiro turno de 2026.
- Tarcísio de Freitas abre 16 pontos de vantagem sobre Haddad, uma margem que supera oito vezes o erro estatístico da pesquisa.
- A rejeição de Haddad chega a 47%, quase 20 pontos acima de sua própria intenção de voto — um desequilíbrio que fragiliza sua campanha antes mesmo de ela começar.
- A desistência de Kim Kataguiri e Paulo Serra retira do páreo cerca de 10% dos votos e simplifica radicalmente o tabuleiro eleitoral paulista.
- São Paulo pode viver algo inédito: uma disputa com apenas dois candidatos de partidos com representação na Câmara, abrindo caminho para uma definição no primeiro turno.
Uma pesquisa Datafolha divulgada pela Folha de S.Paulo neste domingo coloca Tarcísio de Freitas com 46% das intenções de voto para o governo de São Paulo em 2026, contra 30% de Fernando Haddad — diferença de 16 pontos percentuais, muito além da margem de erro de 2 pontos. O levantamento ouviu 1.608 pessoas entre quarta e sexta-feira, com 95% de confiança.
Entre os demais candidatos, nenhum ultrapassa os 5%. Oito por cento indicaram voto branco ou nulo, e 3% não souberam responder. O cenário já era de concentração, mas ficou ainda mais polarizado com a retirada de Kim Kataguiri e Paulo Serra — dois nomes que juntos somavam cerca de 10% nas pesquisas de março. Sua saída transforma a disputa em algo inédito para o estado: um confronto entre apenas dois candidatos com representação parlamentar federal.
Especialistas consultados pelo G1 avaliam que essa configuração abre a possibilidade real de a eleição ser resolvida no primeiro turno. Os dados de rejeição reforçam a complexidade do quadro: enquanto Tarcísio tem 29% de rejeição, Haddad chega a 47% — um patamar que supera em quase 20 pontos sua própria intenção de voto. Esse desequilíbrio deve moldar as estratégias de campanha nos meses que antecedem outubro de 2026, especialmente na disputa pelos eleitores ainda indecisos.
A pesquisa Datafolha divulgada neste domingo pela Folha de S.Paulo desenha um cenário de vantagem clara para Tarcísio de Freitas na corrida pelo governo de São Paulo. O governador do Republicanos aparece com 46% das intenções de voto, enquanto Fernando Haddad, do PT, fica em 30% — uma diferença de 16 pontos percentuais que ultrapassa em oito vezes a margem de erro de 2 pontos.
O levantamento ouviu 1.608 pessoas entre quarta e sexta-feira da semana passada, com nível de confiança de 95%. Os números revelam um quadro em que Tarcísio mantém uma liderança confortável, ainda que o petista permaneça como seu principal concorrente. Entre os demais candidatos, Vera Lúcia do PSTU aparece com 5%, Carlos Machado do PCB com 4%, e Vivian Mendes da Unidade Popular também com 4%. Oito por cento dos entrevistados indicaram voto em branco, nulo ou nenhum, enquanto 3% não souberam responder.
O cenário político ganhou contornos mais definidos com a desistência de dois nomes que ocupavam espaço relevante na disputa. Kim Kataguiri, da Missão, e Paulo Serra, do PSDB, retiraram suas candidaturas, eliminando do páreo dois candidatos que somavam aproximadamente 10% das intenções de voto segundo a última pesquisa Datafolha de março. Essa saída dupla transforma a natureza da competição eleitoral no estado.
O resultado é uma configuração inédita para São Paulo: uma disputa em que apenas dois candidatos representam partidos com assento na Câmara dos Deputados. Especialistas consultados pelo G1 apontam que esse cenário abre a possibilidade concreta de a eleição ser decidida já no primeiro turno, sem necessidade de segundo turno. A concentração de votos em torno de Tarcísio e Haddad, combinada com a ausência de terceiros candidatos com força eleitoral significativa, cria condições para uma resolução mais rápida do pleito.
Os números de rejeição também revelam dinâmicas importantes. Haddad apresenta o maior índice de rejeição, com 47% dos entrevistados afirmando que não votariam nele de jeito nenhum no primeiro turno. Tarcísio, por sua vez, tem 29% de rejeição. Entre os demais candidatos, Carlos Machado e Vera Lúcia aparecem com 22% cada um, Vivian Mendes com 15%. Três por cento dos entrevistados rejeitam todos os candidatos ou afirmam que não votariam em nenhum deles.
Esse contraste entre intenção de voto e rejeição sugere dinâmicas eleitorais complexas. Enquanto Tarcísio lidera em intenção de voto, sua rejeição permanece significativamente menor que a de Haddad. O petista, apesar de manter-se como segunda força na corrida, enfrenta um patamar de rejeição que supera em quase 20 pontos percentuais sua intenção de voto. Esse desequilíbrio pode influenciar como a campanha se desenrola nos próximos meses, particularmente em estratégias de mobilização de eleitores indecisos ou daqueles que ainda não se comprometeram com nenhum candidato.
Citações Notáveis
O cenário abre a possibilidade de a eleição ser decidida já no primeiro turno— Especialistas consultados pelo G1
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Por que a saída de Kataguiri e Serra muda tanto a natureza dessa eleição?
Porque eles ocupavam espaço no meio do espectro político. Juntos, tinham cerca de 10% das intenções de voto. Agora, com apenas Tarcísio e Haddad como candidatos principais de partidos com representação na Câmara, a disputa fica polarizada. Não há mais alternativa no centro.
E isso significa que a eleição pode terminar no primeiro turno?
Sim. Quando você tem dois candidatos dominantes e nenhum terceiro com força real, as chances de um deles ultrapassar 50% aumentam muito. Tarcísio já está em 46%. Se ganhar votos de quem está indeciso ou em branco, pode chegar lá.
Mas Haddad tem 47% de rejeição. Isso não o prejudica?
Prejudica bastante. Significa que quase metade dos eleitores já descartou ele de saída. Tarcísio tem 29% de rejeição — bem menor. Essa diferença é estrutural na campanha.
Como você interpreta os 8% de branco, nulo ou nenhum?
São eleitores que ainda não se decidiram ou que estão insatisfeitos com as opções. Em um cenário de apenas dois candidatos principais, muitos deles podem migrar para um dos dois, ou podem simplesmente não votar. É um contingente que pode ser decisivo.
A margem de erro de 2 pontos muda algo nessa análise?
Muda pouco. A vantagem de 16 pontos de Tarcísio é tão grande que mesmo considerando a margem de erro, ele permanece muito à frente. Teríamos que imaginar um cenário muito improvável para Haddad alcançá-lo.