Costa Filho anuncia saída do governo em abril e revela preferência de Lula por internos

O presidente quer um nome do ministério, mantendo unidade
Costa Filho descreve a estratégia de Lula para substituir ministros que saem para campanhas eleitorais.

Quando o calendário eleitoral bate à porta do poder, ministros precisam escolher entre o cargo e a candidatura. Silvio Costa Filho, à frente dos Portos e Aeroportos, fixou sua saída para 2 de abril — seis meses antes das eleições, conforme exige a lei —, revelando não apenas sua ambição ao Senado por Pernambuco, mas também a estratégia de Lula para preservar a continuidade governamental diante de uma possível debandada de quase metade do ministério rumo às urnas.

  • Costa Filho confirmou publicamente que deixará o governo em 2 de abril para disputar uma vaga no Senado por Pernambuco, tornando sua saída irreversível e com data marcada.
  • Ao menos 17 dos 38 ministros avaliam abandonar seus cargos para concorrer em 2026, o que ameaça uma reestruturação ministerial de proporções inéditas no governo Lula.
  • Para evitar turbulências, Lula orienta que os substitutos venham de dentro — secretários-executivos já integrados às rotinas dos ministérios, como ocorreu com Miriam Belchior na Casa Civil.
  • No caso de Costa Filho, o secretário-executivo Tomé Franca é o nome na fila, mas o ministro deixou aberta a possibilidade de respeitar indicações do Republicanos, partido ligado ao presidente da Câmara, Hugo Motta.
  • As negociações com Motta — que condiciona apoio a Lula a 'gestos' do governo e a compromissos com a Paraíba — adicionam uma camada política delicada a cada saída ministerial.

Silvio Costa Filho tem data marcada para sair: 2 de abril. O ministro de Portos e Aeroportos deixará o governo de Lula para cumprir a exigência legal de desincompatibilização e concorrer a uma cadeira no Senado por Pernambuco. O anúncio veio durante um evento com o presidente, em que os dois apresentaram um plano de R$ 4,64 bilhões para modernizar aeroportos em onze cidades — mas foi nos bastidores da infraestrutura que Costa Filho revelou algo mais estratégico.

Segundo ele, Lula tem uma orientação clara para lidar com o esvaziamento ministerial que se aproxima: promover secretários-executivos que já conhecem as engrenagens internas dos ministérios, sem buscar nomes de fora. A lógica é de continuidade. O exemplo já dado é o de Miriam Belchior, secretária-executiva da Casa Civil, anunciada para substituir Rui Costa quando ele também deixar o cargo. Para o próprio ministério de Costa Filho, o secretário-executivo Tomé Franca é o candidato natural.

Mas a política raramente é linear. Costa Filho sinalizou que respeitará sugestões do Republicanos — partido do presidente da Câmara, Hugo Motta, cujo apoio à reeleição de Lula ainda está em aberto. Motta tem condicionado sua posição a compromissos do governo, e ambos estão envolvidos em negociações sobre temas como a escala 6x1.

O quadro geral é de movimento intenso: pelo menos 17 dos 38 ministros avaliam deixar o governo para disputar as eleições de 2026. A estratégia de Lula, ao menos como Costa Filho a descreveu, aposta na estabilidade interna — manter quem já conhece o trabalho, preservar a estrutura. Se a política permitirá esse controle, é outra questão.

Silvio Costa Filho, ministro de Portos e Aeroportos, marcou seu relógio para 2 de abril. Nessa data, ele deixará o governo de Luiz Inácio Lula da Silva para cumprir a exigência legal de desincompatibilização — seis meses de afastamento antes de disputar eleições. Sua meta é uma cadeira no Senado por Pernambuco, e o calendário não permite negociação.

A notícia veio durante um evento conjunto com o presidente nesta quarta-feira, quando ambos anunciaram um plano de investimentos de R$ 4,64 bilhões para expandir e modernizar aeroportos em onze cidades de quatro estados. Mas enquanto os números de infraestrutura ocupavam o palco, Costa Filho aproveitou o momento para revelar algo mais delicado: como Lula pretende preencher os vãos que se abrem quando ministros saem para campanhas.

A estratégia presidencial, segundo Costa Filho, é simples e pragmática. Lula quer promover secretários-executivos que já trabalham dentro dos ministérios — pessoas que conhecem as máquinas, os processos, as redes internas. Não quer trazer gente de fora. "O presidente quer um nome do ministério", explicou Costa Filho, citando as orientações que Lula repetiu em duas reuniões. "A orientação do governo é manter os secretários-executivos, essa orientação de unidade dentro do governo, como foi com a ministra Miriam Belchior." Belchior, secretária-executiva da Casa Civil, já foi anunciada para assumir o ministério quando Rui Costa sair para suas próprias ambições eleitorais. No caso de Costa Filho, o secretário-executivo Tomé Franca está na fila.

Mas Costa Filho deixou uma porta aberta. Respeitará as sugestões dos partidos, disse ele — uma concessão importante considerando que representa o Republicanos, o partido do presidente da Câmara, Hugo Motta. Motta é um aliado estratégico cujo apoio à reeleição de Lula ainda não está garantido. O presidente da Câmara tem condicionado sua posição a "gestos" do governo e a compromissos com interesses da Paraíba. Neste momento, ambos estão envolvidos em negociações sobre o fim da escala 6x1, com Motta sinalizando que quer votar a proposta de emenda constitucional em maio.

O cenário maior é de movimento. Pelo menos 17 dos 38 ministros estão avaliando deixar o governo para concorrer às eleições de 2026. Isso significa que a próxima primavera ministerial será significativa — não apenas em números, mas em como o governo escolhe manter sua continuidade enquanto seus quadros se dispersam para campanhas. A abordagem de Lula, ao menos como Costa Filho a descreveu, é conservadora: mantenha quem já conhece o trabalho, mantenha a estrutura, mantenha a unidade. Mas a política, como sempre, reserva suas próprias surpresas.

O presidente quer um nome do ministério. A orientação do governo é manter os secretários-executivos, essa orientação de unidade dentro do governo
— Silvio Costa Filho, ministro de Portos e Aeroportos
A orientação do presidente é essa, mas respeitando democraticamente as sugestões que os partidos possam apresentar
— Silvio Costa Filho
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que Costa Filho escolheu justamente este evento de aeroportos para fazer esse anúncio?

Model

Porque estava ao lado de Lula, e o presidente estava de bom humor com investimentos. É o momento em que você consegue ser ouvido sem parecer que está fugindo.

Inventor

E essa preferência de Lula por secretários-executivos — é realmente sobre continuidade, ou é sobre controle?

Model

Provavelmente os dois. Alguém que já está dentro sabe como as coisas funcionam, mas também já responde ao presidente. Não é um estranho.

Inventor

Hugo Motta está usando isso como moeda de troca?

Model

Está sinalizando que quer ser levado a sério. Ele tem o Republicanos, tem a Câmara, e Lula precisa dele. Costa Filho é o representante desse partido no governo — então sim, há uma negociação acontecendo.

Inventor

Se 17 ministros saem, isso não desestabiliza o governo?

Model

Depende de como você vê. Se todos forem substituídos por gente que já conhece a máquina, talvez não. Mas é um teste de quanto o governo consegue manter sua direção quando tanta gente está olhando para eleições.

Inventor

E se os partidos insistirem em nomes próprios, não secretários-executivos?

Model

Aí Costa Filho deixou claro: "respeitando democraticamente as sugestões". Tradução: vamos conversar depois do carnaval. Por enquanto, a orientação é essa, mas nada está fechado.

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