Copa do adeus para Messi, Cristiano Ronaldo, Lewandowski e Modric

É o último. Não vejo a hora que chegue, e, por outro lado, está o receio
Messi reflete sobre sua última Copa do Mundo, dividido entre ansiedade e esperança.

No Qatar, uma geração que redefiniu o futebol mundial chega ao seu crepúsculo. Messi, Cristiano Ronaldo, Lewandowski e Modric — os únicos jogadores em atividade a conquistar a Bola de Ouro da Fifa desde 2007 — disputam juntos, pela última vez, o torneio que mais pesa na memória do esporte. É o momento em que a grandeza encontra a passagem do tempo, e o legado precisa se reconciliar com o inevitável.

  • Uma era de quinze anos de domínio absoluto chega ao fim: quatro homens que monopolizaram o maior prêmio do futebol jogam sua última Copa simultaneamente.
  • Messi carrega a urgência de quem sabe que 2022 é sua última chance de conquistar o único troféu que ainda lhe falta, a obsessão que o persegue desde a final perdida em 2014.
  • Cristiano Ronaldo resiste em admitir o adeus, mas a realidade é implacável: sem clube titular e com 41 anos na próxima Copa, o tempo não espera pela sua decisão.
  • Modric aceita o fim com clareza; Lewandowski deixa uma porta entreaberta; e outros gigantes como Neymar, Thiago Silva e De Bruyne também sinalizam suas despedidas.
  • O Qatar se torna o palco onde toda uma geração tenta reescrever seu legado — ou simplesmente encontrar paz com aquilo que o tempo não permitiu alcançar.

No Qatar, quatro homens que moldaram o futebol por quinze anos chegam ao fim de uma era. Messi, Cristiano Ronaldo, Lewandowski e Modric — os únicos jogadores em atividade a vencer a Bola de Ouro da Fifa desde 2007 — disputam juntos sua última Copa do Mundo. Entre eles, acumulam dezesseis prêmios individuais e uma geração inteira de memórias.

Messi, aos 35 anos, é o mais transparente sobre o significado do momento. "É o último", disse ele antes de embarcar. A Argentina perdeu a final de 2014 para a Alemanha, e aquela ferida nunca fechou completamente. Agora ele e Cristiano Ronaldo, que jogam Copas juntos desde 2006, chegam como veteranos carregando o peso de tudo que construíram — e do que ainda buscam.

Cristiano Ronaldo, aos 37, mantém a ambiguidade que o define. Não anunciou formalmente sua despedida, mas quando a próxima Copa chegar, em 2026, ele terá 41 anos. Modric, ao contrário, foi direto: sabe que esta é sua última competição pela seleção croata. Lewandowski deixou uma frase suspensa no ar — "se eu perceber que posso jogar por mais quatro anos…" — sem nunca completá-la.

Eles não estão sozinhos no adeus. Thiago Silva, Neymar, Suárez, De Bruyne e Neuer também sinalizam que 2022 marca o fim de seus ciclos em Copas. O que torna este torneio singular não é apenas o futebol que será jogado, mas o que ele encerra: uma geração inteira de gigantes saindo de cena ao mesmo tempo, cada um tentando, à sua maneira, encontrar paz com o tempo que passou.

No Qatar, quatro homens que moldaram o futebol mundial nos últimos quinze anos se preparam para jogar sua última Copa. Lionel Messi, Cristiano Ronaldo, Robert Lewandowski e Luka Modric — os únicos quatro jogadores em atividade que conquistaram a Bola de Ouro da Fifa — chegam a 2022 sabendo que este torneio marca o fim de uma era. Desde 2007, quando Kaká venceu a premiação, o prêmio foi praticamente propriedade deles. Messi o ganhou seis vezes. Cristiano Ronaldo, cinco. Modric uma, em 2018, após levar a Croácia à final da Copa anterior. Lewandowski duas vezes, em 2020 e 2021.

Messi, aos 35 anos, é talvez o mais pronto para este adeus. Ele disputará sua última chance de conquistar o único troféu que lhe falta — uma obsessão que o perseguiu desde 2014, quando a Argentina perdeu a final no Brasil para a Alemanha. "Estou contando os dias para o Mundial", disse ele antes de embarcar para o Oriente Médio. "Existe um pouco de ansiedade e nervosismo ao mesmo tempo. É o último." Messi e Cristiano Ronaldo jogam Copas juntos desde 2006, quando o português chegou à semifinal em sua melhor campanha no torneio. Naquela época, ambos eram jovens promessas. Agora são relíquias de uma geração que dominou o esporte.

Cristiano Ronaldo, aos 37 anos, mantém a ambiguidade que o caracteriza. Não anunciou formalmente que esta é sua última Copa, mas afirmou que se aposentaria da seleção portuguesa caso vencesse o torneio. Antes disso, havia dito que ainda jogaria a Eurocopa de 2024. A realidade, porém, é menos glamourosa: ele não é nem sequer titular no Manchester United e deverá sair do clube em janeiro. Quando a próxima Copa chegar, em 2026, ele terá 41 anos — uma idade em que poucos conseguem manter o nível que ele atingiu. O português parece estar em negação sobre o fim, ou talvez apenas relutante em admiti-lo publicamente.

Modric não tem essa hesitação. O meia croata, também com 37 anos, foi direto: "Estou consciente de que estou em uma idade em que esta tem de ser minha última competição pela seleção." Ele sabe que em 2026 terá 41 anos, e que a posição que ocupa — o coração do meio-campo — exige uma juventude que ele não terá mais. Lewandowski, o polonês, deixou uma porta aberta. Ele se preparou para o Qatar pensando que seria sua derradeira Copa, mas admitiu: "Se eu perceber que posso jogar por mais quatro anos…" A frase ficou suspensa, deixando em aberto a possibilidade de uma volta.

Mas eles não estão sozinhos neste adeus. Manuel Neuer, capitão da Alemanha, terá 40 anos em 2026. Luís Suárez, aos 35, não é mais o goleador que foi nas três Copas anteriores. Thiago Silva, zagueiro brasileiro com 38 anos, terá esta como sua última chance de conquistar o troféu mais importante do futebol. Neymar, aos 30 anos, surpreendeu ao declarar que 2022 seria sua última Copa — uma afirmação estranha vinda de alguém ainda tão jovem. Kevin De Bruyne, meia belga de 31 anos, fez o mesmo cálculo: "Estou com 31, e as demandas do futebol são cada vez maiores. Não sei como vou estar daqui a quatro anos."

O que torna este Qatar especial não é apenas o futebol que será jogado, mas o que ele representa: o encerramento de um capítulo. Uma geração inteira de gigantes do esporte está saindo de cena simultaneamente. Messi entra em campo nesta terça-feira contra a Arábia Saudita, iniciando o que pode ser sua jornada final rumo ao título que sempre lhe escapou. Os outros o seguem, cada um carregando seu próprio peso — a busca por um último troféu, a aceitação do declínio, ou simplesmente a recusa em admitir que o tempo passou. O Qatar será o palco onde esses homens tentarão reescrever seus legados ou, pelo menos, encontrar paz com aquilo que não conseguiram alcançar.

Estou contando os dias para o Mundial. Existe um pouco de ansiedade e nervosismo ao mesmo tempo. É o último.
— Lionel Messi
Estou consciente de que estou em uma idade em que esta tem de ser minha última competição pela seleção
— Luka Modric
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que este momento importa tanto? São apenas quatro jogadores.

Model

Porque esses quatro jogadores definiram o que significa ser o melhor no futebol por quinze anos. Quando você vê Messi e Cristiano Ronaldo juntos em um campo pela última vez, está vendo o fim de uma era inteira.

Inventor

Messi parece mais preparado para isso do que Ronaldo?

Model

Messi tem clareza. Ele sabe que isto é seu último chance de ganhar a Copa — o único troféu que lhe falta. Ronaldo ainda está negociando com a realidade. Ele diz que se aposentará se vencer, mas também diz que talvez jogue em 2024. É como se não conseguisse admitir que o fim chegou.

Inventor

E Modric? Ele parece diferente.

Model

Modric é honesto. Ele olha para a idade, olha para a posição que joga, e diz: isto é o fim. Não há ilusão. Aos 37 anos, no meio-campo, você sabe que não terá mais quatro anos em você.

Inventor

Lewandowski deixou uma porta aberta.

Model

Deixou. Mas é uma porta que provavelmente não vai abrir. Ele está se preparando psicologicamente para o adeus, mesmo que tecnicamente deixe a possibilidade em aberto. É mais fácil assim.

Inventor

O que é mais triste — sair no topo ou sair quando você já não é mais o melhor?

Model

Talvez seja mais triste sair quando você ainda acredita que poderia ser. Messi tem uma chance real de ganhar. Ronaldo não. E isso muda tudo.

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