Os dados são públicos e acessíveis a qualquer pessoa que deseje verificar
Em tempos em que a confiança nas instituições é posta à prova, um áudio já desmentido em 2021 volta a circular em grupos de WhatsApp, atribuindo às vacinas contra a covid-19 a capacidade de causar câncer e doenças autoimunes. A persistência dessa narrativa revela menos sobre a ciência — que reafirma a segurança dos imunizantes aprovados pela Anvisa — e mais sobre a fragilidade do espaço público diante da desinformação que se recusa a morrer. Ministério da Saúde e Fiocruz reiteram o que os dados confirmam: não há evidência científica que sustente qualquer uma das alegações contidas no áudio.
- Um áudio com acusações graves e já refutadas contra as vacinas de covid-19 ressurge em grupos bolsonaristas no WhatsApp, alcançando públicos predispostos à desconfiança institucional.
- O material atribui aos imunizantes substâncias como nagalase, óxido de grafeno e vírus oncogênicos — ingredientes que simplesmente não constam na composição de nenhuma vacina aprovada no Brasil.
- A narrativa sugere que as vacinas foram formuladas 'de propósito' para adoecer a população, conferindo à desinformação um tom conspiracionista que dificulta o diálogo racional.
- Ministério da Saúde, Fiocruz e Anvisa reafirmam a segurança comprovada dos imunizantes, com dados públicos e acessíveis que contradizem cada alegação do áudio.
- O UOL Confere aplica o selo de falso ao conteúdo, mas a desinformação persiste em espaços de menor visibilidade para plataformas de verificação, sinalizando um desafio estrutural ao combate às fake news.
Um áudio que circula em grupos de WhatsApp bolsonaristas acusa as vacinas contra a covid-19 de desencadear câncer e doenças autoimunes. O conteúdo não é novo — já havia sido desmentido pelo Projeto Comprova em novembro de 2021 — mas ressurge agora em formato de áudio, acompanhado da foto de um médico, com alegações infundadas sobre a composição dos imunizantes.
O áudio é atribuído a Nelson Modesto, especialista em clínica médica que, em 2021, confirmou ser o autor da gravação. Nela, ele afirma ter detectado nas vacinas vírus como citomegalovírus, epstein-barr, HIV e HPV, além de substâncias como nagalase, óxido de grafeno e nanopartículas de grafeno — componentes que supostamente teriam sido inseridos intencionalmente para adoecer a população.
As autoridades brasileiras de saúde refutam completamente essas afirmações. O Ministério da Saúde garante que todas as vacinas oferecidas à população são seguras, eficazes e aprovadas pela Anvisa. A Fiocruz é categórica: não existe qualquer evidência científica que associe as vacinas de covid-19 ao câncer. Os sites da Anvisa e da Sociedade Brasileira de Imunização detalham a composição real de cada imunizante — e nenhuma das substâncias mencionadas no áudio consta nessa lista.
O chamado 'insumo chinês' citado na gravação é, na prática, o IFA (Ingrediente Farmacêutico Ativo), matéria-prima padrão em qualquer vacina. O IFA da AstraZeneca é produzido no Brasil desde junho de 2021; o da Coronavac é importado da China, mas isso não implica a presença de substâncias tóxicas. Os efeitos adversos documentados das vacinas aprovadas — AstraZeneca, Coronavac, Janssen e Pfizer — incluem febre, fadiga e cefaleia. Câncer, HIV ou HPV não figuram entre eles.
O que torna essa desinformação especialmente resistente é sua capacidade de ressurgir em formatos e plataformas diferentes, circulando em espaços de menor visibilidade para os mecanismos de verificação. O UOL Confere classificou o conteúdo como falso. Os dados que garantem a segurança das vacinas permanecem disponíveis na Anvisa para qualquer pessoa que queira consultá-los.
Um áudio que circula em grupos de WhatsApp bolsonaristas traz acusações antigas contra as vacinas de covid-19, afirmando que elas desencadeiam câncer e doenças autoimunes. O material, que ressurgiu nos últimos dias, não é novo. Já foi desmentido pelo Projeto Comprova em novembro de 2021, mas continua reaparecendo, agora em formato de áudio, com uma foto de um médico sobreposta a uma voz que faz alegações infundadas sobre o conteúdo dos imunizantes.
O áudio atribui as declarações a Nelson Modesto, um especialista em clínica médica que, quando procurado em 2021, confirmou ser o autor da gravação. Nela, ele afirma que detectou em análises de vacinas vírus como citomegalovírus, epstein-barr, HIV e HPV — substâncias que ele classifica como oncogênicas, capazes de desencadear câncer. Segundo o mesmo áudio, as vacinas conteriam nagalase, óxido de grafeno e nanopartículas de grafeno, componentes que supostamente causariam as doenças mencionadas. A narrativa apresenta as vacinas como tendo sido formuladas "de propósito" para que a população desenvolvesse essas condições.
As autoridades de saúde brasileiras refutam completamente essas alegações. O Ministério da Saúde afirma que as vacinas oferecidas à população, incluindo as contra covid-19, são comprovadamente seguras, eficazes e aprovadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A Fiocruz, por sua vez, declara não haver qualquer evidência científica que correlacione a vacina de covid-19 ao câncer. Esses posicionamentos não são meras opiniões, mas baseiam-se em dados públicos e acessíveis.
O chamado "insumo chinês" mencionado no áudio refere-se ao IFA (Ingrediente Farmacêutico Ativo), um concentrado que contém a informação necessária para que o organismo se prepare para agir contra um corpo invasor. Trata-se de matéria-prima padrão em qualquer imunizante. O IFA da AstraZeneca, por exemplo, é produzido no Brasil desde junho de 2021. O da Coronavac é importado da China, mas isso não significa que contenha as substâncias tóxicas alegadas no áudio.
As substâncias específicas mencionadas — nagalase, óxido de grafeno e nanopartículas de grafeno — não estão presentes nos imunizantes disponíveis no Brasil. Os sites da Sociedade Brasileira de Imunização (Sbim) e da Anvisa descrevem detalhadamente a constituição e os efeitos adversos de cada vacina. As vacinas brasileiras aprovadas pela Anvisa (AstraZeneca, Coronavac, Janssen e Pfizer) podem causar cefaleia, fadiga, febre, calafrios e náuseas, entre outros efeitos comuns e bem documentados. Nenhuma delas lista câncer, HPV, HIV ou outras doenças mencionadas no áudio como possíveis efeitos secundários.
O que torna essa desinformação particularmente persistente é sua capacidade de ressurgir em diferentes formatos e plataformas. O material já havia sido desmentido há quase dois anos, mas reaparece agora em grupos de WhatsApp, onde circula com menos visibilidade das plataformas de fact-checking e entre públicos já predispostos a desconfiar das autoridades de saúde. O UOL Confere aplicou o selo de falso ao conteúdo, classificando-o como informação sem amparo em fatos e passível de desmentida objetiva. As informações que garantem a segurança das vacinas continuam disponíveis para consulta no site da Anvisa, acessíveis a qualquer pessoa que deseje verificar os dados por conta própria.
Citações Notáveis
As vacinas ofertadas à população, incluindo as contra a covid-19, são comprovadamente seguras, eficazes e aprovadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária— Ministério da Saúde
Não há qualquer evidência científica que correlacione a vacina de covid-19 ao câncer— Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz)
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Por que esse áudio específico continua reaparecendo se já foi desmentido há dois anos?
Porque desinformação sobre vacinas encontra nichos onde circula com menos escrutínio. Grupos de WhatsApp bolsonaristas funcionam como câmaras de eco — o conteúdo se propaga entre pessoas que já desconfiam das autoridades de saúde, e plataformas de fact-checking têm menos alcance ali.
O médico que fez o áudio realmente confirmou que era dele?
Sim. Quando procurado em 2021, Nelson Modesto confirmou a autoria. Isso torna a situação mais complexa — não é um deepfake ou uma falsificação óbvia, mas uma pessoa real fazendo afirmações que carecem completamente de base científica.
E quanto ao IFA chinês que ele menciona? Há algo legítimo nessa preocupação?
O IFA é apenas o ingrediente ativo — a informação que ensina o corpo a reconhecer o vírus. É matéria-prima padrão em qualquer vacina. O fato de ser importado da China não o torna perigoso. A Anvisa aprova e monitora esses componentes.
Mas e se houvesse realmente nanopartículas ou grafeno nas vacinas? Não seria possível?
Não está lá. A Anvisa publica a composição exata de cada vacina. Qualquer pessoa pode consultar. Se houvesse grafeno ou nagalase, estaria documentado. A transparência é justamente o que desmente essas alegações.
Como as pessoas sabem em quem confiar quando há tanta confusão?
Os dados são públicos. O site da Anvisa, da Fiocruz, da Sbim — tudo está acessível. Não é preciso confiar em autoridades abstratas. É possível verificar a composição das vacinas, os efeitos adversos documentados, os estudos. A informação existe e está disponível.