Três candidatos apresentam programas para Câmara de Vila Franca do Campo

A câmara deve ser gerida como uma empresa e, como tal, dar lucro
Paulo Sousa do Chega resume a sua abordagem à gestão municipal como transformação administrativa.

A cada ciclo eleitoral, uma comunidade é convidada a escolher não apenas um governante, mas uma visão do que deseja ser. Em Vila Franca do Campo, a doze de outubro de 2025, três candidatos — Graça Ventura Melo pelo PS, Eugénia Leal pela coligação social-democrata e Paulo Sousa pelo Chega — apresentam leituras distintas do mesmo território: uma que privilegia a inclusão social, outra que aposta no turismo e na habitação, e uma terceira que invoca a eficiência da gestão empresarial como remédio para os males da administração pública. O voto, neste caso, é também uma declaração de valores.

  • Três candidatos disputam a câmara de Vila Franca do Campo com propostas que raramente se tocam, revelando visões profundamente diferentes sobre o papel do município na vida dos cidadãos.
  • A tensão entre inclusão social, desenvolvimento económico e eficiência administrativa domina o debate, sem que nenhum programa reconheça abertamente as limitações dos outros.
  • O ilhéu surge como símbolo de disputa: a PSD quer gestão partilhada, o Chega exige transferência total para a autarquia, e o PS não o coloca no centro da sua agenda.
  • Todos os candidatos prometem apoiar os jovens e fixar população, mas os instrumentos propostos — serviços multidisciplinares, incubadoras, plataformas digitais — diferem tanto que apontam para modelos de governação incompatíveis.
  • A 12 de outubro, os vila-franquenses decidirão qual destas gramáticas políticas melhor traduz as suas expectativas para os próximos quatro anos.

Vila Franca do Campo escolhe o seu próximo executivo municipal a 12 de outubro, com três candidatos a apresentar programas que refletem sensibilidades políticas bem distintas.

Graça Ventura Melo, pelo PS, coloca a inclusão social no centro da sua proposta. O partido promete expandir os apoios existentes para alcançar também a classe média, criar um serviço municipal multidisciplinar de apoio aos jovens e investir em educação através de bolsas de estudo. Na economia, fala em instalar um aquaparque e ampliar o parque industrial para fixar população jovem. Entre os investimentos previstos estão a construção de uma ETAR, a requalificação do acesso ao Santuário de Nossa Senhora da Paz e a ampliação do cemitério de São Pedro.

Eugénia Leal, pela coligação social-democrata, aposta em habitação acessível e turismo. Propõe aumentar a oferta de casas através de cooperativas e reabilitação de edifícios devolutos, criar uma incubadora de empresas com acesso a fundos comunitários e lançar um passe de transportes para maiores de 65 anos. Os investimentos incluem a requalificação dos fortes históricos do Tagarete e do Corpo Santo, um complexo de piscinas em Ponta Garça e a devolução do ilhéu com gestão partilhada.

Paulo Sousa, pelo Chega, posiciona-se como gestor eficiente e desburocratizador. Quer criar loteamentos em todas as freguesias com licenciamento célere e gratuito, realizar uma auditoria financeira ao município e garantir respostas rápidas aos empresários. Defende a transferência total do ilhéu para a administração local, com bilhetes mais baratos para residentes, e a melhoria dos acessos a praias e percursos naturais.

Os três programas convergem no apoio aos jovens e na valorização do território, mas divergem nos instrumentos e nas prioridades. A votação de 12 de outubro revelará qual destas visões encontra maior eco entre os vila-franquenses.

Vila Franca do Campo vai às urnas no dia 12 de outubro para escolher quem governa o município nos próximos anos. Três candidatos apresentam visões distintas para a ilha de São Miguel: Graça Ventura Melo pelo Partido Socialista, Eugénia Leal pela coligação social-democrata, e Paulo Sousa pelo Chega. Cada um traz uma leitura diferente do que o concelho precisa e como chegar lá.

Graça Ventura Melo coloca no centro da sua proposta a ideia de uma vila mais inclusiva e acessível. O PS promete manter e expandir os apoios sociais existentes, atualizando os regulamentos para alcançar também a classe média. Quer criar um serviço municipal que reúna diferentes especialidades para apoiar os jovens, e continuar a investir em educação através de bolsas de estudo e apoio a projetos pedagógicos. Na economia, o partido fala em instalar um aquaparque, ampliar o parque industrial para gerar emprego e fixar população jovem, e reforçar o apoio aos agricultores e pescadores. Os investimentos listados incluem a ligação entre o parque industrial e a Rua da Paz, requalificação do acesso ao Santuário de Nossa Senhora da Paz, construção de uma estação de tratamento de águas residuais, e ampliação do cemitério de São Pedro com uma casa mortuária.

Eugénia Leal traz um programa que enfatiza habitação acessível e desenvolvimento turístico. A PSD quer aumentar a oferta de casas através de cooperativas e reabilitação de edifícios vazios, agilizando o licenciamento municipal. Propõe criar uma segunda creche, expandir os apoios após a escola, e lançar um passe de transportes para maiores de 65 anos. Na saúde, quer um conselho municipal. Economicamente, fala em negociar a redução do IMI, criar uma incubadora de empresas com acesso a fundos comunitários, e apoiar o empreendedorismo jovem. Os investimentos incluem requalificação dos fortes históricos do Tagarete e do Corpo Santo, construção de uma capela mortuária no centro da vila, criação de um complexo de piscinas municipais em Ponta Garça, e a devolução do ilhéu com gestão partilhada.

Paulo Sousa, pelo Chega, posiciona-se como gestor eficiente focado em desburocratização. Quer criar loteamentos em todas as freguesias para que os vila-franquenses possam construir casa própria, com licenciamento célere e gratuito. Promete bolsas para estudantes de licenciatura e mestrado, e uma plataforma para os jovens exprimirem necessidades. Na economia, critica a burocracia e promete respostas rápidas aos empresários, reparação dos caminhos agrícolas, e intervenção junto do governo regional para melhorar o porto de pesca. O grande diferencial é a auditoria financeira que quer realizar para conhecer a real situação das contas municipais, argumentando que a câmara deve ser gerida como uma empresa. Nos investimentos, insiste na devolução do ilhéu à administração local com bilhetes mais baratos para residentes, melhoria dos acessos às praias da Amora e do Degredo, e criação de acessos aos moinhos da Ribeira Seca e às nascentes de Água D'Alto.

Os três programas revelam prioridades distintas. O PS enfatiza inclusão social e infraestruturas de saneamento. A PSD aposta em turismo, patrimônio e habitação. O Chega promete eficiência administrativa e gestão rigorosa das finanças. Todos mencionam o ilhéu, mas com abordagens diferentes: a PSD quer gestão partilhada, o Chega quer transferência total para a autarquia. Todos falam em apoio aos jovens, mas com instrumentos variados. A votação de 12 de outubro dirá qual destas visões os vila-franquenses preferem para os próximos quatro anos.

Tornaremos Vila Franca do Campo uma vila mais inclusiva, com melhores acessibilidades, onde todos possam viver com dignidade
— Graça Ventura Melo, PS
Os empresários não necessitam de entraves aos seus negócios, precisam de respostas rápidas e processos menos burocráticos
— Paulo Sousa, Chega
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

O que distingue realmente estes três programas? Parecem todos falar de habitação, jovens, economia.

Model

É verdade que há temas comuns, mas a forma de os resolver é muito diferente. O PS vem de um mandato anterior e promete continuidade com ajustes. A PSD traz planos estruturados para uma década, com foco em turismo e patrimônio. O Chega quer mudar o método — menos burocracia, mais eficiência, e uma auditoria às contas.

Inventor

E quanto ao ilhéu? Todos o mencionam.

Model

Sim, mas é revelador. A PSD quer negociar uma gestão partilhada com o governo regional. O Chega quer que seja completamente transferido para a câmara municipal. São duas visões de autonomia muito diferentes.

Inventor

O que é que falta nestes programas?

Model

Detalhes sobre financiamento. Ninguém diz como vai pagar por isto tudo. O Chega promete uma auditoria, o que sugere que pode haver surpresas nas contas. Mas nenhum candidato explica de onde vem o dinheiro.

Inventor

E os pescadores e agricultores? Parecem esquecidos.

Model

Não completamente, mas é verdade que recebem menos atenção do que mereciam. Todos prometem apoio — caminhos agrícolas, porto de pesca — mas são promessas genéricas. Ninguém detalha como vai melhorar realmente a vida de quem trabalha na terra ou no mar.

Inventor

Se fosse um vila-franquense, por quem votava?

Model

Depende do que valorizo. Se quero estabilidade e inclusão social, voto PS. Se acredito que o turismo é o futuro, voto PSD. Se estou farto de burocracia e quero ver as contas claras, voto Chega. Não há uma resposta certa.

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