Desenhar o rosto de uma instituição cultural de encontro cinematográfico
No Porto, a cidade convida criadores a dar rosto a uma nova instituição cultural: o Batalha Centro de Cinema, que abrirá em 2022, procura a identidade visual que o representará ao mundo. A Câmara Municipal, através da empresa Ágora, lançou um concurso com prémio de 84.500 euros — um reconhecimento de que a linguagem visual de um espaço cultural não é ornamento, mas fundação. É o momento em que uma cidade decide como quer ser vista através do cinema.
- O relógio corre: as inscrições fecham a 16 de Abril e o espaço abre em 2022, deixando pouca margem para hesitações.
- O concurso exige coletivos com historial comprovado — pelo menos cinco anos de experiência e uma identidade cultural já realizada —, filtrando quem não estiver verdadeiramente preparado.
- Cinco finalistas serão compensados com 1.500 euros cada, um gesto que reconhece o esforço criativo mesmo de quem não vencer.
- O vencedor não recebe apenas um prémio: assume um contrato de até três anos e a obrigação de manter presença física no Porto durante todo o processo.
- Um júri de peso — entre críticos, editores e designers internacionais — garante que a escolha será feita com rigor e visão cultural.
A Câmara Municipal do Porto abriu um concurso para criar a identidade visual completa do Batalha Centro de Cinema, o novo espaço cultural previsto para abrir no início de 2022. O prémio para o grupo vencedor é de 84.500 euros, com a possibilidade de um contrato de até três anos para executar o projeto. Os cinco finalistas que chegarem à segunda fase recebem ainda 1.500 euros cada, apenas pela participação. As inscrições estão abertas até 16 de Abril na plataforma aCinGov.
O concurso, lançado pela empresa municipal Ágora, destina-se exclusivamente a coletivos de design. A Câmara procura uma proposta que traduza a vocação do Batalha como espaço de encontro e disseminação das linguagens do cinema e da imagem em movimento — uma tarefa que vai muito além da estética, pois trata-se de construir do zero o rosto público de uma instituição cultural de envergadura.
Os requisitos são exigentes: cada grupo precisa de pelo menos um membro com cinco anos de experiência em design gráfico profissional, de uma identidade institucional na área das artes já realizada nos últimos dez anos, e de experiência editorial para todos os integrantes. O processo divide-se em duas fases — avaliação de portefólios e apresentação de propostas completas —, e o grupo vencedor terá ainda de manter uma estrutura de trabalho fixa no Porto durante toda a duração do contrato.
O júri reúne cinco personalidades do design e da cultura: Guilherme Blanc, diretor artístico do Batalha; o crítico e docente Mário Moura; Edoardo Bonaspetti, fundador da revista Mousse; a designer Sophie Demay; e a designer Raquel Pinto. A identidade que emergir deste processo estará presente em tudo — da sinalética ao digital —, tornando-se o símbolo duradouro de um investimento cultural que o Porto faz em si mesmo.
A Câmara Municipal do Porto abriu as portas a designers e coletivos criativos com uma oportunidade substancial: desenhar a identidade visual completa do Batalha Centro de Cinema, o novo espaço cultural que abrirá no início de 2022. O prémio para quem vencer é de 84.500 euros, com a possibilidade de um contrato de até três anos para desenvolver e concretizar o projeto. Mas há mais: os cinco grupos que chegarem à segunda fase recebem 1.500 euros cada um, apenas pela participação. As inscrições estão abertas até 16 de Abril.
O concurso, lançado pela empresa municipal Ágora, é estruturado em duas fases e destina-se especificamente a coletivos de design ou grupos de designers constituídos para este fim. A Câmara procura uma proposta que "traduza a vocação de espaço cultural de encontro e disseminação de diferentes linguagens do cinema e da imagem em movimento", segundo o comunicado oficial. Não é um trabalho menor: trata-se de criar desde zero a linguagem visual que vai representar uma instituição cultural de envergadura.
Os candidatos enfrentam requisitos rigorosos. Cada grupo precisa de pelo menos um membro com cinco anos de experiência comprovada em design gráfico profissional. Além disso, a entidade candidata deve ter realizado, nos últimos dez anos, pelo menos uma identidade gráfica institucional na área das artes e da cultura. Todos os integrantes do grupo devem ter experiência em trabalho editorial. O regulamento completo está disponível na plataforma aCinGov, onde o registo é obrigatório.
Na primeira fase, um júri avalia os portefólios apresentados e seleciona cinco finalistas. Esses cinco grupos passam então à segunda fase, onde apresentam as suas propostas de identidade visual completas. É nesta etapa que recebem o prémio de participação de 1.500 euros. O vencedor final é escolhido com base nessas propostas desenvolvidas.
Quem ganhar o concurso terá um desafio prático imediato: celebrar um contrato com a Câmara para executar e desenvolver toda a concepção da identidade visual e gráfica do Batalha. O contrato pode durar até três anos e tem um valor máximo de 84.500 euros. Há, porém, uma exigência importante: durante todo esse período, os membros do grupo vencedor devem manter uma estrutura de trabalho fixa no Porto, garantindo assim o acompanhamento presencial de todos os processos de concepção e produção.
O júri que vai avaliar os trabalhos é composto por cinco personalidades do mundo do design e da cultura. Guilherme Blanc, diretor artístico do Batalha Centro de Cinema, lidera a avaliação. Acompanham-no Mário Moura, crítico de design e docente na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto; Edoardo Bonaspetti, fundador da revista e editora Mousse e atual diretor da Lenz Publishing; Sophie Demay, designer e diretora do estúdio In the Shade of a Tree; e Raquel Pinto, designer. É um painel que reúne experiência em crítica, ensino, edição, prática de design e gestão cultural.
O Batalha Centro de Cinema representa um investimento significativo da cidade do Porto em infraestrutura cultural. A identidade visual que sairá deste concurso será o rosto público da instituição durante anos, presente em tudo, desde a sinalética do edifício até aos materiais de comunicação, passando pela presença digital. Por isso, a Câmara optou por um processo competitivo aberto, oferecendo um prémio que reflete a importância e a complexidade do trabalho. Com a abertura marcada para o início de 2022, o calendário é apertado mas viável para quem quiser concorrer.
Citas Notables
Procura-se uma proposta de design que traduza a vocação de espaço cultural de encontro e disseminação de diferentes linguagens do cinema e da imagem em movimento— Câmara Municipal do Porto
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Porque é que a Câmara do Porto decidiu abrir um concurso público para isto, em vez de contratar um estúdio diretamente?
Porque uma identidade visual é o rosto de uma instituição. Quando é um espaço novo, importante, cultural, faz sentido deixar que vários designers compitam com ideias diferentes. Assim a Câmara vê opções, e o vencedor é aquele que melhor compreendeu a vocação do lugar.
Os requisitos são muito específicos — cinco anos de experiência, trabalho anterior em artes e cultura. Isto exclui muita gente?
Sim, mas é intencional. O Batalha não é um projeto para designers iniciantes. É um espaço cultural de encontro, precisa de uma identidade que fale a linguagem do cinema e da imagem em movimento. Quem nunca trabalhou nessa área pode não compreender as nuances.
E por que razão o vencedor tem de ter estrutura fixa no Porto durante três anos?
Porque a identidade visual não é um ficheiro que se entrega e pronto. É um processo vivo. O designer precisa de estar presente, de acompanhar como a identidade funciona na sinalética, nos materiais, na comunicação. Porto é a cidade, e a presença local garante que o trabalho se concretiza bem.
Os cinco finalistas recebem 1.500 euros. É pouco?
Para uma segunda fase, é um reconhecimento. Significa que o trabalho que desenvolvem não é invisível. Mas claro, o verdadeiro prémio é o contrato de três anos com a Câmara, que é onde está o investimento real.
Quem é que vai escolher? O júri parece muito ligado ao mundo do design e da cultura.
Exatamente. Guilherme Blanc conhece o Batalha por dentro, sabe qual é a vocação do espaço. Mário Moura é crítico, vê design com distância. Edoardo Bonaspetti vem da edição, entende comunicação visual. Sophie Demay é designer ativa. Raquel Pinto também. É um painel que equilibra perspetivas — quem faz, quem critica, quem gere.
Quando abre o Batalha?
Início de 2022. Portanto, o concurso tem de ser rápido. As inscrições fecham a 16 de Abril, a primeira fase avalia portefólios, a segunda fase vê propostas. Tudo isto tem de estar resolvido para que o designer vencedor tenha tempo de trabalhar antes da abertura.