Congresso aprova medida para limitar suspensões de obras pelo TCU

O Congresso aprova e um órgão que é auxiliar trava o processo
Deputado Celso Sabino critica a dinâmica entre Congresso e TCU sobre suspensão de obras públicas.

Em junho de 2022, o Congresso brasileiro moveu-se para reequilibrar uma tensão institucional antiga: a Comissão Mista de Orçamento aprovou por unanimidade uma medida que obrigaria o Tribunal de Contas da União a consultar o Legislativo antes de suspender obras e serviços públicos. O gesto revela uma disputa mais profunda sobre quem, afinal, detém a palavra final na execução das políticas públicas — o órgão fiscalizador técnico ou o poder que representa o voto popular. Entre o controle e a governabilidade, o Congresso escolheu reafirmar sua prerrogativa constitucional, ainda que o TCU veja na medida uma sombra de intimidação.

  • A aprovação unânime do requerimento — reunindo parlamentares de espectros políticos distintos — sinaliza que a insatisfação com o TCU transcende divisões partidárias.
  • Obras embargadas encarecem insumos e tornam contratos originais inexequíveis, transformando fiscalizações em fontes adicionais de desperdício público, segundo os parlamentares.
  • Casos emblemáticos como os ônibus escolares do FNDE e a privatização da Eletrobras foram usados como evidências concretas dos danos causados por paralisações prolongadas.
  • O requerimento propõe um rito específico: o TCU deveria primeiro ouvir os órgãos responsáveis e, só então, encaminhar ao Congresso a decisão final sobre qualquer suspensão.
  • Ministros do TCU, em anonimato, interpretaram a medida como tentativa de intimidação; o tribunal não confirmou se seguiria a recomendação, deixando a tensão sem resolução clara.

Em junho de 2022, a Comissão Mista de Orçamento do Congresso Nacional aprovou por unanimidade um requerimento que imporia ao Tribunal de Contas da União a obrigação de consultar o Legislativo antes de suspender obras ou serviços financiados com recursos federais. A votação, sem dissensão entre deputados e senadores de diferentes correntes políticas, marcou uma ofensiva incomum do Congresso contra o órgão que, constitucionalmente, lhe é auxiliar.

O presidente da comissão, deputado Celso Sabino do União-PA, liderou o movimento argumentando que as paralisações frequentes causavam prejuízos reais. Quando uma obra é embargada, os preços dos insumos sobem durante o período de espera, tornando inviável executar o projeto pelos valores originalmente contratados. Ele citou o caso dos ônibus escolares do FNDE — bloqueados pelo TCU após denúncias de superfaturamento em uma compra de mais de 500 milhões de reais — e a privatização da Eletrobras, aprovada pelo Congresso mas travada por meses aguardando o aval do tribunal. Em tom de frustração, Sabino resumiu a situação com uma metáfora direta ao jornal O Estado de S. Paulo: 'É o poste mijando no cachorro.'

O requerimento, de autoria do deputado AJ Albuquerque do PP-CE, previa um rito claro: o TCU deveria primeiro solicitar informações aos órgãos responsáveis e, caso as respostas fossem insuficientes, encaminhar o caso ao Congresso para a decisão final sobre eventual suspensão. Sabino ancorou a medida no artigo 71 da Constituição, que atribui ao Legislativo a competência fiscalizadora sobre a administração pública federal.

O TCU não respondeu se adotaria a recomendação. Ministros da corte, em anonimato, viram na iniciativa uma tentativa de intimidar o trabalho do tribunal. Sabino negou que o requerimento fosse uma articulação do Centrão para proteger investigações sobre emendas parlamentares. No mesmo período, a comissão votou também prestações de contas de governos anteriores — com anos de atraso — e se preparava para julgar as contas do próprio TCU de 2012 a 2021. O episódio cristalizou uma tensão institucional crescente: o Congresso buscando recuperar protagonismo nas decisões sobre políticas públicas, enquanto o tribunal resiste a ver seu papel fiscalizador reduzido.

A Comissão Mista de Orçamento do Congresso Nacional aprovou por unanimidade, em junho de 2022, um requerimento que busca refrear o poder do Tribunal de Contas da União de suspender obras e serviços públicos. A medida, votada sem dissensão entre deputados e senadores de diferentes espectros políticos, estabelece um novo procedimento: antes de paralisar qualquer ação que envolva recursos federais, o TCU deverá consultar o Congresso e aguardar sua autorização.

O presidente da comissão, deputado Celso Sabino do União-PA, liderou a ofensiva contra o tribunal, argumentando que as paralisações frequentes de obras e compras — como a aquisição de tratores e ônibus escolares financiados pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação — causavam danos reais aos cofres públicos e aos contribuintes. Sabino apontou um problema prático e concreto: quando uma obra é embargada, os preços dos insumos costumam subir durante o período de paralização, tornando impossível executar o projeto pelos valores originalmente contratados. O caso dos ônibus escolares ilustrava bem essa dinâmica. O TCU havia bloqueado o resultado de um pregão após reportagem revelar que os valores dos veículos estavam inflacionados, com gasto previsto de mais de 500 milhões de reais para a aquisição de 3.850 ônibus. Sabino também mencionou a privatização da Eletrobras, aprovada pelo Congresso mas travada por meses enquanto aguardava o aval do tribunal.

Em tom de frustração, o presidente da comissão questionou a dinâmica institucional: "O Congresso aprova e um órgão que é auxiliar a ele trava o processo. É o poste mijando no cachorro", disse ao jornal O Estado de S. Paulo. Sabino fundamentou o requerimento no artigo 71 da Constituição, que atribui ao Congresso a competência fiscalizadora sobre a administração pública federal, incluindo o poder de suspender obras, serviços e atos. Ele reafirmou que o Congresso não abriria mão dessa prerrogativa constitucional.

O requerimento, de autoria do deputado AJ Albuquerque do PP-CE, estabelecia um procedimento específico para o TCU seguir: primeiro, solicitar informações e manifestações dos órgãos responsáveis pela execução das obras; se as respostas fossem insuficientes, encaminhar o caso ao Congresso para análise e decisão sobre eventual suspensão. Dessa forma, a palavra final sobre paralisações recairia sobre o poder legislativo, não sobre o tribunal.

Quando procurado, o TCU não respondeu se adotaria a recomendação. Porém, ministros da corte, em condição de anonimato, interpretaram a medida como uma tentativa de intimidar o trabalho fiscalizador do tribunal. Sabino, por sua vez, negou que o requerimento fosse uma articulação do Centrão para enquadrar o TCU em razão de investigações sobre emendas parlamentares.

No mesmo período, a comissão votou também as prestações de contas de governos anteriores — Collor, Dilma, Temer e Bolsonaro — com anos de atraso. Sabino justificou a decisão de votar em ano eleitoral dizendo que não havia tentativa de pressão sobre candidatos. A comissão também se preparava para julgar as contas do TCU referentes aos anos de 2012 a 2021, com prazos variados para apresentação de relatórios. O episódio refletia uma tensão institucional crescente entre o Congresso e o tribunal, com o legislativo buscando recuperar espaço em decisões sobre a execução de políticas públicas.

O Congresso aprova e um órgão que é auxiliar a ele trava o processo. É o poste mijando no cachorro
— Deputado Celso Sabino, presidente da Comissão Mista de Orçamento
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que o Congresso decidiu agora limitar o poder do TCU de suspender obras?

Model

Porque as paralisações estavam causando prejuízos reais. Quando o tribunal embarga uma obra, os preços sobem durante a espera, e depois fica impossível executar pelo valor original do contrato. O caso dos ônibus escolares foi emblemático — mais de 500 milhões em gastos, 3.850 veículos.

Inventor

Mas o TCU não está apenas sendo cauteloso? Não é função dele fiscalizar?

Model

É, sim. Mas há uma questão de hierarquia aqui. A Constituição diz que é o Congresso quem tem poder de suspender obras da administração pública. O TCU é um órgão auxiliar. O que Sabino estava dizendo é que o tribunal estava usurpando uma prerrogativa que constitucionalmente é do Congresso.

Inventor

E como ficou a Eletrobras nessa história?

Model

A privatização foi aprovada pelo Congresso, mas o TCU a travou por meses. Isso virou símbolo da tensão — o legislativo aprova, o tribunal bloqueia, e ninguém consegue avançar.

Inventor

Os ministros do TCU aceitaram essa recomendação?

Model

Não responderam oficialmente. Mas em conversas privadas, viram como uma intimidação. Eles entendem que estão sendo pressionados, especialmente porque o tribunal também investiga emendas parlamentares.

Inventor

Então é uma retaliação?

Model

Sabino negou isso. Disse que a medida foi aprovada até por parlamentares da oposição, que não era coisa do Centrão. Mas a coincidência de timing — investigações do TCU sobre emendas e agora essa limitação — deixa a questão no ar.

Inventor

Qual é o risco real dessa mudança?

Model

Se o TCU precisar sempre consultar o Congresso antes de suspender algo, pode perder agilidade em casos de irregularidades graves. Mas também é verdade que o tribunal estava paralisando coisas sem comprovação clara de problemas, só por precaução.

Contact Us FAQ