Um quinto de todo o petróleo mundial passa por um corredor de água em risco
Na segunda-feira, os portugueses encontrarão preços mais elevados nas bombas de combustível — reflexo direto de uma semana em que o petróleo bruto subiu mais de 5% nos mercados internacionais. A causa é antiga e conhecida: a geopolítica do Médio Oriente, com as tensões entre Washington e Teerão a ameaçar o estreito de Ormuz, por onde flui um quinto do petróleo mundial. O Governo respondeu com um alívio fiscal parcial, mas a lição permanece: a vulnerabilidade energética de Portugal está amarrada a corredores de água a milhares de quilómetros de distância.
- O gasóleo sobe sete cêntimos e a gasolina ultrapassa a barreira psicológica dos 1,90 euros por litro a partir de segunda-feira.
- O Brent disparou mais de 5% numa semana após o colapso de negociações entre EUA e Irão e ataques americanos em território iraniano.
- A Guarda Revolucionária iraniana anunciou o encerramento do estreito de Ormuz — por onde passa 20% do petróleo global — agravando o pânico nos mercados.
- Os EUA negaram o bloqueio e garantiram a normalidade do tráfego de petroleiros, mas a incerteza mantém os preços sob pressão.
- O Governo publicou uma portaria a aumentar o desconto sobre o ISP, mas a medida atenua sem anular o impacto nos consumidores.
Na segunda-feira, abastecer em Portugal vai custar mais. O gasóleo simples sobe sete cêntimos por litro, chegando aos 1,863 euros, enquanto a gasolina 95 avança 2,5 cêntimos e ultrapassa os 1,90 euros — uma barreira psicológica para muitos condutores.
A origem do aumento está nos mercados internacionais: o Brent fechou a semana nos 76 dólares por barril, depois de uma subida de mais de 5%. O gatilho foi geopolítico. Donald Trump anunciou o colapso de um memorando de entendimento com o Irão, os EUA voltaram a atacar território iraniano, e a Guarda Revolucionária iraniana respondeu com o anúncio do encerramento do estreito de Ormuz — o corredor por onde passa normalmente um quinto de todo o petróleo mundial. Washington negou o bloqueio e garantiu que os petroleiros continuavam a circular, mas o nervosismo nos mercados já estava instalado.
Apesar da escalada recente, o Brent permanece muito abaixo do pico de 126 dólares registado desde o início do conflito, e os últimos 30 dias tinham até mostrado uma queda de quase 16% nos preços. A semana passada inverteu essa tendência.
O Governo reagiu com uma portaria publicada em Diário da República, reforçando o desconto sobre o ISP em 1,2 cêntimos por litro no gasóleo e 0,53 cêntimos na gasolina. É uma contenção real, mas insuficiente para travar o aumento que chega segunda-feira. Portugal volta a sentir, na bomba de combustível, o peso de decisões tomadas a milhares de quilómetros de distância.
Na segunda-feira, os portugueses vão pagar mais pela gasolina e pelo gasóleo. O litro de gasóleo simples vai ficar sete cêntimos mais caro, enquanto a gasolina 95 sobe 2,5 cêntimos. Segundo as previsões do setor, citadas pelo Automóvel Club de Portugal, o gasóleo deverá atingir 1,863 euros por litro e a gasolina 1,918 euros — ultrapassando assim a barreira dos 1,90 euros que marca um ponto psicológico para muitos condutores.
O culpado é o petróleo bruto. Na semana passada, o Brent — o crude negociado na Europa — subiu mais de 5%, fechando sexta-feira nos 76 dólares por barril. A razão é geopolítica. As tensões entre os Estados Unidos e o Irão voltaram a escalar, desta vez em torno do estreito de Ormuz, aquele corredor de água por onde passa normalmente um quinto de todo o petróleo comercializado no mundo. Quando a possibilidade de interrupção desse fluxo paira no ar, os mercados reagem com alarme.
O que aconteceu foi isto: na quarta-feira, o presidente americano Donald Trump anunciou que um memorando de entendimento tinha desabado. Os EUA voltaram a atacar território iraniano, gerando receios imediatos sobre uma possível redução da oferta global de petróleo. Esses receios fizeram o preço disparar. Depois, no fim de semana, a situação tornou-se ainda mais tensa quando a Guarda Revolucionária do Irão anunciou o encerramento do estreito de Ormuz — uma ameaça que já havia feito entre fevereiro e junho deste ano. Os EUA responderam negando a informação e garantindo que o tráfego de petroleiros continuava normal.
Apesar desta volatilidade recente, o preço do Brent permanece bem abaixo do pico atingido desde o início da guerra, que rondou os 126 dólares por barril. Nos últimos 30 dias, houve uma queda de quase 16% nos preços — até a semana passada inverter essa tendência. Ainda assim, a trajetória é clara: o mercado internacional de energia está nervoso, e Portugal sente isso na bomba.
O Governo tentou amortecer o impacto. Na sexta-feira, através de uma portaria publicada em Diário da República, aumentou o desconto sobre o ISP — o imposto sobre produtos petrolíferos. Adicionou 1,2 cêntimos por litro no gasóleo e 0,53 cêntimos na gasolina. Isto traduz-se num desconto de 42,35 euros para mil litros de gasóleo e 40,51 euros para mil litros de gasolina. É uma medida de contenção, mas não anula o aumento que chega segunda-feira. Os números mostram que, mesmo com o desconto reforçado, os combustíveis continuam a ficar mais caros para quem abastece.
Citas Notables
O memorando de entendimento desabou— Donald Trump, presidente dos EUA, na quarta-feira
A Guarda Revolucionária do Irão anunciou o encerramento do estreito de Ormuz— Autoridades iranianas, no fim de semana
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Porque é que o Irão e os EUA a discutirem sobre um estreito afeta o preço da gasolina em Portugal?
Porque 20% de todo o petróleo que o mundo consome passa por ali. Se há risco de que esse fluxo seja cortado, os mercados assumem que a oferta vai diminuir, e quando a oferta diminui, o preço sobe — é economia básica.
Mas o Irão já tinha fechado o estreito antes, entre fevereiro e junho. Porque é que desta vez o mercado reagiu tão dramaticamente?
Porque a situação escalou rapidamente. Trump anunciou que um acordo tinha desabado, os EUA atacaram território iraniano, e depois a Guarda Revolucionária anunciou o encerramento de novo. Tudo isto em dias. O mercado não gosta de surpresas ou de mudanças rápidas — reage com pânico.
O preço do petróleo está ainda muito abaixo do pico de 126 dólares. Porque é que as pessoas devem estar preocupadas?
Porque a tendência inverteu. Nos últimos 30 dias tinha havido uma queda de 16%, o que dava esperança de que os preços estabilizassem. Agora, de repente, voltam a subir. Se as tensões continuarem a escalar, pode haver mais subidas.
O Governo aumentou o desconto sobre o ISP. Isso resolve o problema?
Resolve em parte. O desconto adicional de 1,2 cêntimos no gasóleo e 0,53 na gasolina amortecem o golpe, mas não o eliminam. Na segunda-feira, as pessoas vão pagar mais na mesma.
Qual é o cenário mais provável daqui para a frente?
Depende do que os EUA e o Irão fazem. Se as tensões acalmarem, o preço pode estabilizar ou até descer. Se continuarem a escalar e se o Irão conseguir realmente fechar o estreito, então sim, podemos ver preços muito mais altos.