CNA reforça resposta à febre aftosa em reunião do Banvaco no Rio

O banco regional oferece proteção contra variantes desconhecidas
O Banvaco inclui cepas que nunca circularam na América do Sul, ampliando a capacidade de resposta a cenários epidemiológicos imprevistos.

Em Duque de Caxias, cinco nações sul-americanas avançaram, no início de julho, na construção de uma defesa coletiva contra a febre aftosa — uma doença que não respeita fronteiras e que exige respostas mais rápidas do que qualquer país consegue dar sozinho. O Banvaco, banco regional de antígenos criado há menos de um ano, representa uma aposta na cooperação como antídoto para a vulnerabilidade: manter prontos, antes da crise, os insumos que só costumam ser buscados depois que ela chega. A CNA participou dessa quarta reunião como parte de um esforço que reconhece, com rara lucidez, que a preparação é a única forma de encurtar o tempo entre o surto e a resposta.

  • A febre aftosa não avisa quando vai chegar — e o tempo perdido na busca por antígenos pode determinar a extensão de um surto devastador para a pecuária regional.
  • Brasil, Equador, Paraguai, Uruguai e Bolívia se uniram no Banvaco para manter antígenos de emergência disponíveis, incluindo variantes que nunca circularam na América do Sul mas que poderiam chegar de outras regiões do mundo.
  • A reunião de julho avançou em pontos críticos: elaboração de manual operacional, estruturação da comissão diretiva e preparação da licitação internacional para contratar o laboratório que guardará os antígenos.
  • Um simulado de emergência está previsto para o fim de 2026 — um teste real da engrenagem antes que ela precise funcionar de verdade.
  • O Brasil já opera em paralelo com seu próprio banco nacional, assinado em dezembro de 2025, que cobre as três cepas circulantes no país e pode fornecer até 10 milhões de doses — os dois bancos se complementam, não competem.

No início de julho, a CNA reuniu-se com parceiros regionais em Duque de Caxias, no Centro Pan-Americano de Febre Aftosa e Saúde Pública, para a quarta sessão ordinária do Banvaco — banco regional de antígenos criado em agosto de 2025 com um propósito direto: garantir que cinco países sul-americanos possam responder rapidamente quando um surto de febre aftosa ocorrer.

O Banvaco nasceu de uma vulnerabilidade conhecida. Quando a doença surge, o tempo é decisivo, e os antígenos necessários para produzir vacinas de emergência precisam estar disponíveis de imediato. Brasil, Equador, Paraguai, Uruguai e Bolívia aderiram ao projeto — o Peru está em vias de se juntar. Cada nação contribui com informações sobre suas necessidades e os riscos específicos em seu território. O diferencial do banco, segundo Rafael Filho, assessor técnico da CNA, é sua amplitude: ele inclui variantes que nunca circularam na América do Sul, oferecendo proteção contra ameaças vindas de outras partes do mundo.

A reunião avaliou o progresso do plano de trabalho para 2025 e 2026. A agenda inclui a elaboração de um manual operacional, o fortalecimento da cooperação técnica, a estruturação da comissão diretiva e a preparação de uma licitação internacional para escolher o laboratório responsável por manter os antígenos. Para 2026 e 2027, as prioridades passam pela revisão dos planos de contingência de cada país e pela realização de treinamentos — com expectativa de um simulado de emergência antes do fim do ano.

Paralelamente, o Brasil já assinou, em dezembro de 2025, um contrato de dez anos para seu próprio banco nacional de antígenos, cobrindo as cepas O, A e C já circulantes no país, com capacidade para até 10 milhões de doses. Os dois bancos se complementam: enquanto o nacional enfrenta as ameaças conhecidas, o Banvaco amplia a proteção para o imprevisível. A licitação internacional para o laboratório regional deve ser concluída até março de 2027 — e até lá, o trabalho de coordenação já é, em si, uma forma de defesa.

No início de julho, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil reuniu-se com parceiros regionais em Duque de Caxias para discutir um projeto que poderia mudar a forma como a América do Sul enfrenta surtos de febre aftosa. O encontro, realizado nos dias 1º e 2 de julho no Centro Pan-Americano de Febre Aftosa e Saúde Pública, marcou a quarta sessão ordinária do Banco Regional de Antígenos de Febre Aftosa — o Banvaco — uma iniciativa criada há menos de um ano com um objetivo claro: preparar cinco nações para responder rapidamente a emergências sanitárias.

O Banvaco nasceu em agosto de 2025 como resposta a uma vulnerabilidade conhecida. Quando a febre aftosa surge, o tempo é tudo. Os países precisam de antígenos — os componentes virais que servem de base para produzir vacinas de emergência — e precisam deles rápido. A solução foi criar um banco regional que mantivesse essas substâncias prontas, disponíveis no instante em que um foco fosse detectado. Brasil, Equador, Paraguai, Uruguai e Bolívia aderiram ao projeto. O Peru está em vias de se juntar. Cada país contribui com informações sobre quantas doses poderia precisar e quais variantes do vírus representam maior risco em seu território. Essas informações determinam quanto será gasto e como o banco será estruturado.

O diferencial do Banvaco, segundo Rafael Filho, assessor técnico da CNA, é sua amplitude. O banco não reúne apenas as cepas que já circulam na região. Ele inclui variantes que nunca foram registradas na América do Sul — um escudo contra ameaças que poderiam chegar de outras partes do mundo. Não há, porém, uma estrutura física exclusiva. O que existe é um contrato com um laboratório que se compromete a manter os antígenos em suas próprias instalações, prontos para serem usados na fabricação de vacinas no momento em que um surto ocorra.

Durante a reunião, os participantes avaliaram o progresso do plano de trabalho para 2025 e 2026. A agenda é ambiciosa: elaborar um manual operacional que padronize procedimentos entre os países, fortalecer a cooperação técnica, estruturar a comissão diretiva que governará o banco, preparar uma licitação internacional para escolher o laboratório responsável e definir os custos fixos da operação. Tudo isso deve estar pronto para que o banco comece a funcionar de verdade.

O próximo passo é ainda mais importante. Os países discutiram o plano de ação para 2026 e 2027, que começa em agosto. As prioridades incluem consolidar os mecanismos para contratar o laboratório, revisar os planos de contingência de cada nação — ou seja, o que cada um fará quando a crise chegar — e realizar treinamentos e simulações. Filho destacou que há expectativa de um simulado de emergência ser realizado antes do final do ano, um teste seco para verificar se tudo funciona como planejado.

Paralelamente a essa iniciativa regional, o Brasil já se moveu por conta própria. Em dezembro de 2025, o país assinou um contrato de dez anos com um laboratório para criar seu próprio banco nacional de antígenos. Este banco brasileiro é mais específico: contém apenas as três cepas que já circulam no país — O, A e C — e pode fornecer até 10 milhões de doses de vacina em caso de surto. Os dois bancos não competem. Eles se complementam. Enquanto o banco nacional cobre as ameaças conhecidas e presentes, o Banvaco oferece proteção contra variantes desconhecidas ou distantes, ampliando a capacidade de resposta diante de cenários que ninguém consegue prever completamente.

A licitação internacional para contratar o laboratório que operará o banco regional deve ser finalizada até março de 2027. Até lá, há muito trabalho de coordenação, planejamento e preparação. O que está em jogo é a velocidade com que cinco nações conseguirão reagir quando — não se a febre aftosa aparecer, mas quando — ela aparecer novamente.

Um dos principais diferenciais do Banvaco é reunir cepas de diferentes variantes do vírus, incluindo aquelas que nunca foram registradas na América do Sul
— Rafael Filho, assessor técnico da CNA
A expectativa é que também seja realizado um simulado de emergência até o final deste ano
— Rafael Filho, assessor técnico da CNA
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que um banco regional? Por que não cada país cuidar de seus próprios antígenos?

Model

Porque a febre aftosa não respeita fronteiras, e quando surge, o tempo é crítico. Um banco regional permite que qualquer país acesse antígenos imediatamente, sem esperar por produção ou importação. É mais rápido, mais barato, mais seguro.

Inventor

E por que incluir cepas que nunca circularam na América do Sul?

Model

Porque o vírus muta e viaja. Uma cepa que está na Ásia hoje pode estar aqui amanhã. O banco é um seguro contra o desconhecido — protege contra ameaças que ainda não chegaram.

Inventor

Como funciona na prática? Existe um prédio com freezers cheios de antígenos?

Model

Não. É mais elegante que isso. Você contrata um laboratório que já existe, que já tem infraestrutura, e ele se compromete a manter os antígenos lá. Quando há um foco, você liga e diz: preciso disso agora. Ele fornece.

Inventor

E o Brasil não confia apenas no banco regional?

Model

Não. O Brasil criou seu próprio banco nacional porque as ameaças imediatas — as cepas O, A e C — precisam de resposta ainda mais rápida. O banco nacional é para emergências locais. O regional é para o que ninguém consegue prever.

Inventor

Quando isso vai estar pronto?

Model

O laboratório será escolhido até março de 2027. Mas antes disso, ainda este ano, farão um simulado para ver se tudo funciona. É como um exercício de incêndio, mas para febre aftosa.

Inventor

E se falhar?

Model

Por isso o simulado. Melhor descobrir os problemas agora, quando não há crise real, do que quando há um surto e vidas estão em risco.

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