Fui idiota em pedir uma foto com a influenciadora
Em um gesto incomum nos corredores do poder, o senador Cleitinho Azevedo reconheceu publicamente um deslize simbólico — uma foto com a influenciadora Virginia Fonseca durante a CPI das Bets — e o transformou em plataforma para denunciar uma crise silenciosa que consome famílias brasileiras. O episódio revela como gestos aparentemente triviais podem ganhar peso moral quando confrontados com o sofrimento real de quem vive as consequências das apostas. No fundo, o discurso do senador é um convite à responsabilidade coletiva: a de reconhecer que o Brasil trocou a paixão pelo futebol pela dependência das bets.
- Uma foto tirada por afeto à filha tornou-se símbolo de contradição para um senador que se posicionava contra as apostas — e o peso disso só chegou após uma conversa com um homem que quase morreu por causa do vício.
- Os números apresentados são perturbadores: R$ 507 milhões gastos em bets só na fase de grupos da Copa, aumento de 140% nas buscas por saúde mental no SUS e 20% dos dependentes graves chegando a tentar suicídio.
- Cleitinho revelou ter enviado um áudio privado a Virginia Fonseca pedindo que ela abandonasse a publicidade de casas de apostas, argumentando que seus 50 milhões de seguidores conferem a ela uma responsabilidade que vai além do entretenimento.
- O senador defende que a pauta das apostas deve transcender divisões ideológicas e unir todos os 513 parlamentares em torno de uma causa que ele classifica como urgente e humanitária.
- O Brasil, que se orgulhava de ser o país do futebol, corre o risco de ser lembrado como o país das apostas — e essa transformação, para Cleitinho, é uma vergonha nacional que exige resposta imediata do Congresso.
Na última terça-feira, o senador Cleitinho Azevedo fez algo raro em Brasília: subiu ao plenário e admitiu um erro sem rodeios. Meses após tirar uma foto com a influenciadora Virginia Fonseca durante a CPI das Bets, ele pediu desculpas públicas aos seus eleitores e ao Brasil, compartilhando depois o discurso em suas redes sociais.
Cleitinho foi direto: em toda sua trajetória como senador, nunca havia se desviado de seus princípios — mas aquele momento na CPI, quando pediu a foto para a filha, foi um deslize que ele mesmo chamou de idiota. O arrependimento veio de uma conversa com um eleitor que confessou ter quase perdido a vida por causa do vício em apostas, que destruiu sua família. Aquele relato foi suficiente para que o senador decidisse se retratar publicamente.
O parlamentar revelou ainda que, logo após o depoimento de Virginia na CPI, havia enviado um áudio particular à influenciadora pedindo que ela parasse de fazer publicidade para casas de apostas. Com 50 milhões de seguidores, argumentou, ela teria poder real para mudar comportamentos em escala.
Para dimensionar a crise, Cleitinho apresentou uma série de dados: durante a fase de grupos da Copa, os brasileiros gastaram R$ 507 milhões em bets; nos dias de jogo do Brasil, o volume subia 35%. Cerca de 20% dos dependentes graves chegam a tentar suicídio, as buscas por tratamento no SUS cresceram 140% e os custos anuais para o sistema público chegam a R$ 30,6 bilhões.
O senador encerrou com um chamado à unidade: a pauta das apostas não deveria dividir esquerda e direita. Todos os 513 parlamentares deveriam se posicionar contra o problema. O Brasil que foi o país da Copa, alertou, não pode se tornar o país das apostas.
Na terça-feira passada, o senador Cleitinho Azevedo subiu ao plenário do Senado e fez algo raro em Brasília: admitiu um erro de forma direta e sem rodeios. Meses depois de tirar uma foto com a influenciadora Virginia Fonseca durante a Comissão Parlamentar de Inquérito sobre apostas esportivas, ele pediu desculpas públicas aos seus eleitores e ao Brasil. O vídeo do discurso foi depois compartilhado em suas redes sociais, ampliando o alcance da retratação.
Cleitinho foi franco sobre o que havia feito. Disse que em toda sua carreira como senador nunca havia cometido nenhum desvio — não roubou, não desviou dinheiro de emenda, não fez nada de errado. Mas aquele momento na CPI, quando pediu uma foto com Virginia para sua filha, foi diferente. Ele chamou a si mesmo de idiota. O arrependimento, segundo contou, veio após uma conversa com um eleitor que chegava ao Senado. O homem confessou que havia quase perdido a vida por causa do vício em apostas, que destruiu sua família. Aquela conversa o marcou o suficiente para que decidisse se retratar publicamente.
O senador revelou que já havia tentado agir antes. Logo após o depoimento de Virginia na CPI, em maio do ano anterior, quando enfrentou críticas da imprensa e do público, enviou um áudio para a influenciadora pedindo que parasse de fazer publicidade para casas de apostas. Cleitinho argumentou que Virginia, com seus 50 milhões de seguidores, tinha poder para mudar comportamentos em massa. Durante a CPI, disse, sua postura foi consistente: tentar convencer a influenciadora a abandonar a divulgação de plataformas de apostas.
Para sustentar seu argumento sobre o tamanho do problema, Cleitinho apresentou uma série de números impressionantes. Durante apenas a fase de grupos da Copa do Mundo, os brasileiros gastaram 507 milhões de reais em apostas. Nos dias em que o Brasil jogava, o volume financeiro destinado às bets subia 35% em relação à média. Cerca de 20% das pessoas com vício grave em apostas chegam a tentar suicídio. As buscas por tratamento de saúde mental relacionado ao vício em apostas online no Sistema Único de Saúde cresceram 140% nos últimos anos. E os custos associados às apostas para o SUS chegam a aproximadamente 30,6 bilhões de reais anualmente. O senador não citou as fontes desses dados durante a apresentação.
Cleitinho também se defendeu de qualquer acusação de apoio às apostas. Afirmou que nunca votou a favor delas e que o Congresso foi responsável pela regulamentação das apostas esportivas. Disse que, junto com outros senadores como Girão, barrou cassinos e outras iniciativas semelhantes. Se o Congresso não tivesse regulamentado as apostas, argumentou, a situação não estaria destruindo milhares de pessoas e famílias da forma como está.
O senador encerrou seu discurso com um chamado à união. Disse que a pauta das apostas não deveria ser ideológica, nem dividir esquerda e direita. Todos os 513 deputados e senadores deveriam se posicionar contra o problema. O Brasil, que historicamente foi conhecido como o país da Copa, virou o país das apostas, e isso, para Cleitinho, é vergonhoso. A mensagem final foi clara: é hora de todos os parlamentares se unirem para dar um fim nisso.
Citações Notáveis
A única coisa que eu fiz de errado aqui, reconheço meu erro, foi na CPI que estava tratando sobre bets. Eu pedi, afobado, foi um erro, fui idiota, de pedir uma foto— Senador Cleitinho Azevedo, durante sessão do plenário do Senado
Ele me confessou que quase perdeu a vida dele, perdeu a família dele por causa desse raio desse jogo. Então eu venho aqui chamar atenção— Cleitinho, referindo-se à conversa com um eleitor que o motivou a se retratar
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Por que ele esperou tanto tempo para se retratar? A foto foi tirada durante a CPI, meses antes.
Uma conversa com um eleitor o tocou. O homem contou que quase perdeu a vida por causa das apostas. Às vezes a gente precisa ouvir a história de alguém de verdade para entender o peso do que fez.
Ele diz que nunca errou antes. Isso é credível?
É o que ele afirma. Mas o ponto interessante é que ele não está se defendendo — está se acusando. Chama a si mesmo de idiota. Não é a retórica típica de um político em apuros.
E quanto aos números que apresentou? Onde ele tirou aqueles dados?
Ele não citou as fontes. Isso é um problema real. Os números são alarmantes — 507 milhões em três semanas de Copa, 140% de aumento em buscas por tratamento — mas sem fontes, fica difícil verificar.
Ele tentou convencer Virginia a parar de fazer publicidade para apostas?
Sim. Mandou um áudio para ela logo após a CPI, pedindo que parasse. Disse que ela tinha 50 milhões de seguidores e poder para mudar comportamentos. Mas claramente não funcionou.
A defesa dele sobre nunca ter votado a favor das apostas — ela se sustenta?
Ele diz que votou contra e que barrou cassinos junto com outros senadores. Mas o Congresso regulamentou as apostas mesmo assim. Então a questão é: se ele votou contra, por que a regulamentação passou? Quem votou a favor?
Qual é o risco político para ele agora?
Ele está tentando se reposicionar como alguém que se importa com o problema. Mas a foto com Virginia não desaparece. A retratação é importante, mas não apaga o momento original.