Foi provado que não teve nada de errado, e vem um relatório fraudulento
Em tempos de campanha, a linha entre investigação institucional e disputa política raramente é nítida. Em Divinópolis, uma CPI que apurou indícios de cartel e negligência nas compras de equipamentos escolares da prefeitura tornou-se o centro de uma controvérsia que envolve o candidato ao Senado Cleitinho Azevedo e seu irmão, o prefeito Gleidson Azevedo. O que os documentos apontam como possível prejuízo de R$ 8,5 milhões aos cofres públicos, o candidato interpreta como armação política — e cabe aos eleitores, nas semanas que se seguem, decidir qual narrativa ressoa com a verdade.
- Uma CPI em Divinópolis identificou indícios de cartel entre fornecedores e negligência da Secretaria de Educação, com prejuízo potencial de R$ 8,5 milhões aos cofres públicos.
- A investigação ganhou contornos eleitorais explosivos porque o prefeito investigado é irmão do candidato ao Senado Cleitinho Azevedo, tornando o caso uma bomba política a semanas do pleito.
- A dirigente da pasta educacional foi exonerada após a descoberta de preços adulterados, sinalizando que ao menos parte das conclusões da comissão produziu consequências concretas.
- Cleitinho rejeita o relatório como fraudulento, afirma que as oitivas inocentaram seu irmão e atribui toda a iniciativa investigativa a uma manobra para destruir sua candidatura.
- O impasse permanece aberto: de um lado, documentos institucionais com achados graves; do outro, um candidato que exige provas das acusações e acusa seus críticos de mentira.
Cleitinho Azevedo, candidato ao Senado pelo PSC, foi confrontado durante uma sabatina na Rádio Super 91,7 FM e no jornal O Tempo com perguntas sobre uma CPI aberta em Divinópolis — sua principal base eleitoral no Centro-Oeste de Minas Gerais. A comissão investigava os gastos da prefeitura local na compra de equipamentos para escolas municipais, administrada por seu irmão, o prefeito Gleidson Azevedo.
O relatório da CPI era grave: apontava indícios de formação de cartel entre fornecedores, omissão da Secretaria Municipal de Educação e a possibilidade de que a prefeitura tivesse economizado R$ 8,5 milhões com contratações mais adequadas. A constatação de preços adulterados resultou na exoneração da dirigente da pasta educacional.
Cleitinho, porém, recusou a narrativa. Para ele, a CPI foi criada com o único propósito de prejudicar sua candidatura. Argumentou que as próprias oitivas da comissão comprovaram que seu irmão não participou de irregularidades e que não houve corrupção nem desvio. Sobre os preços adulterados, atribuiu o problema ao fornecedor, não à gestão municipal.
Questionado ainda sobre uma postagem do irmão ameaçando processar quem o acusasse de corrupção, Cleitinho traçou uma distinção: crítica legítima é bem-vinda em democracia, mas chamar alguém de bandido e ladrão é outra coisa. Classificou o relatório como fraudulento e disse não aceitar o que chamou de mentiras sem provas.
A tensão que o episódio revela é mais ampla do que a disputa em si: quando uma investigação institucional e uma campanha eleitoral se cruzam, a interpretação dos fatos torna-se ela mesma um campo de batalha — e são os eleitores que, ao fim, arbitram entre versões conflitantes.
Cleitinho Azevedo, candidato ao Senado pelo PSC, compareceu nesta segunda-feira a uma sabatina na Rádio Super 91,7 FM e no jornal O Tempo. Durante a entrevista, foi confrontado com questões sobre uma comissão parlamentar de inquérito aberta em Divinópolis, município na região Centro-Oeste de Minas Gerais que funciona como sua principal base eleitoral. A CPI investigava os gastos da prefeitura local na aquisição de equipamentos para as escolas municipais — uma situação particularmente delicada porque o prefeito da cidade é Gleidson Azevedo, irmão do candidato, também filiado ao PSC.
O relatório da comissão havia identificado indícios preocupantes: formação de cartel entre fornecedores, omissão e negligência por parte da Secretaria Municipal de Educação. Os números eram significativos — a prefeitura poderia ter economizado R$ 8,5 milhões se tivesse contratado outros fornecedores. A descoberta de preços adulterados levou à exoneração da dirigente da pasta educacional.
Cleitinho, porém, rejeitou a narrativa do relatório. Segundo ele, a CPI foi criada exclusivamente para prejudicar sua candidatura. Argumentou que as oitivas realizadas pela comissão comprovaram que seu irmão não participou de irregularidades, que não houve corrupção nem desvio de recursos. Na visão do candidato, o foco da investigação em preços foi equivocado — compararam uma empresa local com a que efetivamente forneceu para a prefeitura, e quando descobriram que alguns valores estavam adulterados, atribuiu o erro ao proprietário da empresa, não a atos deliberados de má gestão.
O candidato também foi questionado sobre uma postagem do irmão que ameaçava processar pessoas acusando-o de corrupção. Cleitinho respondeu que crítica é um direito democrático, mas chamá-lo de bandido e ladrão é diferente. Reafirmou que foi provado não haver irregularidades e caracterizou o relatório como fraudulento. Disse estar aberto a críticas legítimas sobre seu trabalho, mas não aceita, em suas palavras, mentiras — exigindo que sejam provadas.
A situação ilustra a tensão entre investigação institucional e campanha eleitoral. De um lado, uma comissão parlamentar documentou achados que sugerem problemas significativos na gestão de recursos públicos destinados à educação. Do outro, um candidato que nega as acusações, atribui a investigação a motivações políticas e defende a inocência de seu irmão. O que fica em aberto é como os eleitores de Divinópolis e do estado avaliarão essas narrativas conflitantes nas próximas semanas.
Citações Notáveis
Minha base é o meu irmão, eu apoiei e ele está lá. Primeiro que todas as oitivas provaram que ele não participou de nada.— Cleitinho Azevedo, candidato ao Senado
Crítica que eu mereço tenho a humildade de dizer que preciso melhorar, agora mentira eu não aceito.— Cleitinho Azevedo
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Por que Cleitinho insiste que a CPI foi criada contra ele, se a comissão investigava gastos públicos?
Porque em cidades pequenas, a política é pessoal. Quando seu irmão é prefeito e você é candidato estadual, qualquer investigação sobre a prefeitura toca você também. Ele vê isso como um ataque coordenado.
Mas o relatório encontrou preços adulterados. Como isso não é corrupção?
Cleitinho separa as coisas: diz que o irmão não participou, que foi erro de um fornecedor. O problema é que a Secretaria de Educação foi negligente — não fiscalizou direito. Isso é diferente de roubo, mas ainda é má gestão.
E os R$ 8,5 milhões que poderiam ter sido economizados?
Esse número é o que mais dói. Mostra que havia alternativas melhores. Cleitinho não nega o número, só nega que tenha havido intenção criminosa.
Ele está pedindo para provar as acusações. Não é isso que a CPI fez?
A CPI apresentou indícios. Cleitinho quer prova de crime, não indício de negligência. São padrões diferentes — um é investigativo, outro é judicial.
Isso prejudica a candidatura dele?
Depende do eleitor. Em Divinópolis, muitos o apoiam. Fora dali, a imagem de estar ligado a uma investigação sobre educação — área sensível — é custosa.