China usa 5G para espionagem, alerta ex-embaixadora dos EUA

não ficar exposto aos caprichos do governo chinês
Samantha Power explicou o motivo do alerta americano ao Brasil sobre a adoção de tecnologia 5G chinesa.

Samantha Power, indicada para chefiar a USAid, declarou ao programa Roda Viva que China realiza espionagem comercial via 5G. EUA buscam evitar que Brasil fique vulnerável aos 'caprichos do governo chinês' ao escolher fornecedores de tecnologia 5G.

  • Samantha Power, ex-embaixadora dos EUA na ONU, indicada para chefiar a USAid
  • Declaração feita ao programa Roda Viva em 26 de abril de 2021
  • China usa rede 5G para espionagem comercial, segundo Power
  • Brasil em processo de reaproximação com China, fornecedora de insumos para vacinas

Samantha Power, ex-embaixadora dos EUA na ONU, afirma que China usa rede 5G para espionagem comercial e alerta Brasil sobre vulnerabilidades ao adotar tecnologia chinesa.

Samantha Power, que serviu como embaixadora dos Estados Unidos junto à Organização das Nações Unidas e agora aguarda aprovação do Senado americano para dirigir a USAid — a maior agência de desenvolvimento internacional do mundo —, foi ao programa Roda Viva da TV Cultura na segunda-feira, 26 de abril de 2021, para falar sobre tecnologia, segurança e geopolítica. Durante a entrevista, respondendo a uma pergunta do editor de notícias internacionais do jornal Valor Econômico, Humberto Saccomandi, ela fez uma acusação direta: a China, segundo Power, utiliza a infraestrutura de rede 5G como ferramenta de espionagem comercial.

A declaração não era casual. Power estava articulando uma posição que os Estados Unidos vinham comunicando a governos ao redor do mundo — a ideia de que aceitar tecnologia 5G de origem chinesa criaria vulnerabilidades estruturais. Ela enquadrou a questão em termos que iam além da segurança técnica: o Brasil, disse ela, precisava estar atento para não ficar exposto aos "caprichos do governo chinês". A linguagem era clara. Não se tratava apenas de um risco abstrato de vazamento de dados, mas de uma dependência que poderia ser explorada conforme os interesses políticos de Pequim mudassem.

O timing da declaração era delicado. O Brasil, naquele momento, estava em processo de reaproximação com a China — um país que não era apenas um parceiro comercial, mas um fornecedor crítico de insumos para a produção de vacinas contra a covid-19. A pandemia havia reconfigurado as prioridades do governo brasileiro, tornando a relação com Pequim ainda mais importante do ponto de vista da saúde pública. Nesse contexto, um aviso público de uma figura de peso na administração Biden sobre os riscos da tecnologia chinesa não era apenas uma observação técnica, mas um sinal diplomático.

O Poder360 procurou os ministérios brasileiros mais diretamente envolvidos na questão — Fábio Faria, responsável pela pasta de Comunicações, e Carlos França, à frente das Relações Exteriores. Nenhum dos dois ofereceu resposta. O silêncio era eloquente. O Brasil não estava disposto a se posicionar publicamente contra a China, nem a endossar as preocupações americanas. A situação refletia uma tensão real: de um lado, as advertências de Washington sobre segurança cibernética e soberania tecnológica; do outro, a necessidade pragmática de manter boas relações com Pequim em um momento em que a pandemia tornava essa parceria essencial.

A nomeação de Power para a USAid ainda dependia de aprovação do Senado americano, o que significava que suas declarações carregavam o peso de uma posição que ela em breve ocuparia formalmente — a de chefe da maior agência de desenvolvimento dos Estados Unidos. Isso dava à sua fala uma autoridade que ia além do comentário de um analista ou ex-funcionário. Era um sinal de como a administração Biden pretendia abordar questões de tecnologia e segurança em suas relações com países em desenvolvimento.

A China usa a rede 5G para espionagem comercial
— Samantha Power, ex-embaixadora dos EUA na ONU
Os EUA alertam para não deixar o Brasil vulnerável aos caprichos do governo chinês
— Samantha Power
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que Samantha Power escolheu esse momento específico para fazer esse alerta sobre o 5G chinês?

Model

Ela estava respondendo a uma pergunta direta em um programa de televisão aberto. Mas o timing não era acidental — a administração Biden estava sinalizando sua posição sobre tecnologia e segurança para governos que ainda não haviam tomado decisões sobre fornecedores de 5G.

Inventor

O Brasil realmente tinha opções? Ou a China era inevitável?

Model

Tecnicamente havia opções — fornecedores americanos e europeus existiam. Mas a China oferecia preços menores e já tinha presença estabelecida. A questão era se o Brasil estava disposto a pagar mais por segurança, ou se priorizaria custo e a relação com Pequim.

Inventor

Por que o Brasil não respondeu?

Model

Porque responder significaria se posicionar. Se concordasse com Power, ofenderia a China em um momento em que precisava de vacinas. Se discordasse, entraria em conflito com Washington. O silêncio era a única opção diplomaticamente segura.

Inventor

Espionagem comercial via 5G — como isso funcionaria na prática?

Model

A infraestrutura de rede passa por equipamentos que poderiam, teoricamente, ser programados para coletar dados. Não é que a China roubaria dados de todos os usuários, mas que teria a capacidade de fazer isso se quisesse, e ninguém saberia.

Inventor

Isso era uma preocupação real ou retórica política?

Model

Provavelmente ambas. A capacidade técnica era real. Mas também era uma forma de os EUA manterem sua influência tecnológica em um mundo onde a China estava avançando rapidamente.

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