A raiz do problema são as operações militares ilegais dos EUA e Israel
Porta-voz chinesa atribui interrupção na navegação a operações militares ilegais dos EUA e Israel contra o Irã. Trump disse que EUA não dependem de petróleo do Oriente Médio e sugeriu que outros países resolvam o problema do estreito.
- Porta-voz chinesa Mao Ning atribui bloqueio do Estreito de Ormuz a operações militares dos EUA e Israel contra o Irã
- Trump afirma que EUA não dependem de petróleo do Oriente Médio e sugeriu que outros países resolvam o problema
- 60% dos eleitores americanos desaprovam a guerra, segundo pesquisa Reuters/Ipsos
- Trump ameaça atacar infraestrutura energética iraniana nas próximas duas ou três semanas
- Guerra está em sua quinta semana; Trump considera retirar EUA da OTAN
China respondeu a Trump afirmando que ataques dos EUA e Israel contra o Irã são a causa principal do bloqueio do Estreito de Ormuz, pedindo cessar-fogo imediato na guerra do Oriente Médio.
Pequim respondeu nesta quinta-feira aos comentários do presidente americano Donald Trump sobre o Estreito de Ormuz com uma acusação direta: os ataques militares dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã são responsáveis pelo fechamento dessa via marítima crucial. A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Mao Ning, fez a declaração durante uma coletiva de imprensa, contestando a posição de Trump de que a reabertura do estreito é responsabilidade do mundo inteiro.
Trump havia discursado na Casa Branca na quarta-feira, afirmando que os objetivos militares fundamentais estavam quase concluídos e que os EUA terminariam o trabalho em breve. Durante o pronunciamento, o presidente americano também abordou o Estreito de Ormuz de forma que Pequim interpretou como uma tentativa de se esquivar da responsabilidade. Trump disse que os Estados Unidos praticamente não importam petróleo pelo estreito e que se tornou o maior produtor de petróleo e gás do mundo, especialmente com ajuda da produção na Venezuela. Por isso, argumentou, seu país não precisa da produção que vem do Oriente Médio. Ele sugeriu que outros países, particularmente europeus, deveriam cuidar da passagem marítima e até pediu que comprassem petróleo americano em vez de depender do que passa pelo canal.
A resposta chinesa foi contundente. Mao Ning afirmou que "a raiz do problema das interrupções na navegação pelo Estreito de Ormuz são as operações militares ilegais dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã". Pequim também voltou a pedir um cessar-fogo imediato na guerra do Oriente Médio e repudiou as ameaças de escalada feitas por Trump. Em seu discurso, o presidente americano havia ameaçado atacar usinas de eletricidade iranianas caso não houvesse acordo de cessar-fogo, dizendo que atacaria "com extrema força nas próximas duas ou três semanas" e que traria o Irã "de volta à Idade da Pedra". A porta-voz chinesa respondeu que "meios militares não podem resolver fundamentalmente o problema, e a escalada dos conflitos não está no interesse de nenhuma das partes".
O Irã também respondeu ao discurso de Trump, declarando que a guerra continuaria "até a rendição e o arrependimento permanente do inimigo". Enquanto isso, Trump enfrenta crescente desaprovação doméstica pela guerra. Uma pesquisa Reuters/Ipsos realizada entre sexta-feira e domingo mostrou que 60% dos eleitores americanos desaprovam o conflito, enquanto apenas 35% o aprovam. Cerca de 66% dos entrevistados disseram que os EUA deveriam trabalhar para encerrar rapidamente seu envolvimento, mesmo que isso significasse não atingir as metas estabelecidas pelo governo. A guerra é particularmente impopular entre eleitores independentes, e aliados de Trump têm pedido que o governo apresente uma justificativa mais clara e consistente para o conflito.
O presidente americano também expressou descontentamento com a OTAN, criticando a aliança pelo que considera falta de apoio aos objetivos dos EUA no Irã. Europeus rejeitaram seu pedido para ajudar a manter a passagem segura do tráfego de petróleo pelo Estreito de Ormuz, argumentando que o problema foi criado pelos EUA e Israel, não por eles. Trump disse estar "absolutamente" considerando retirar os EUA da OTAN, organização cujo tratado foi ratificado pelo Senado americano em 1949. Ele acrescentou que, embora os EUA saíssem do Irã "muito rapidamente", os militares poderiam retornar para "ataques pontuais" conforme necessário. A guerra, agora em sua quinta semana, continua gerando tensões diplomáticas enquanto Trump tenta convencer eleitores de que o conflito tem prazo limitado.
Citas Notables
A raiz do problema das interrupções na navegação pelo Estreito de Ormuz são as operações militares ilegais dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã— Mao Ning, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China
Os Estados Unidos praticamente não importam petróleo pelo Estreito de Ormuz, e não vamos importar nada no futuro. Os países do mundo que recebem riqueza pelo Estreito de Ormuz devem cuidar dessa passagem— Donald Trump, presidente dos EUA
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Por que a China se sente compelida a responder agora, especificamente aos comentários de Trump sobre o Estreito de Ormuz?
Porque Trump estava tentando se afastar da responsabilidade — dizendo que os EUA não precisam do petróleo que passa por lá, então não é problema deles. Pequim vê isso como hipocrisia. Se os EUA não criassem a situação militar em primeiro lugar, o estreito estaria aberto.
Mas Trump diz que os objetivos militares estão quase concluídos. Isso não sugere que ele está tentando encerrar as coisas?
Talvez, mas ao mesmo tempo ele está ameaçando novos ataques à infraestrutura energética iraniana. Diz que vai fazer isso em duas ou três semanas. Então "quase concluído" não significa que a escalada vai parar.
E por que os europeus se recusam a enviar navios militares?
Porque eles acreditam que criaram esse problema e não deveriam colocar seus soldados no meio de uma guerra que não é deles. Para eles, é responsabilidade de quem começou resolver.
Qual é o risco real para Trump aqui?
Seus próprios eleitores. Sessenta por cento desaprovam a guerra. Ele precisa convencê-los de que isso vai acabar em breve, mas continua ameaçando novos ataques. É uma mensagem confusa.
E se ele realmente sair da OTAN?
Seria um rompimento histórico. Mas ele está usando isso como pressão — dizendo que está "absolutamente" considerando, não que vai fazer.