Ninguém é juiz do mundo. Devemos nos preparar para o pior.
Em um momento em que o Oriente Médio oscila entre a crise e o abismo, o assessor especial Celso Amorim ergueu a voz para lembrar que nenhuma nação escapa ilesa das ondas de um conflito que cresce sem freio. O Brasil, país que sempre cultivou a diplomacia como escudo, vê-se agora diante de uma equação delicada: manter a verdade sem perder os aliados, e preservar a credibilidade sem abrir mão do diálogo. A morte de um líder em exercício — ato que Amorim chamou de 'condenável e inaceitável' — não é apenas um episódio de violência; é um sinal de que as regras que sustentavam o equilíbrio internacional estão sendo reescritas. E o Brasil, com Lula a caminho de Washington, precisa decidir onde se posiciona antes que a história decida por ele.
- Celso Amorim alertou publicamente que o conflito entre Irã, EUA e Israel pode se expandir para outros países da região, transformando uma crise bilateral em um incêndio de múltiplas frentes.
- A morte de um líder nacional em exercício elevou abruptamente a tensão internacional, criando um precedente que, segundo o assessor, desestabiliza as regras fundamentais da convivência entre nações.
- O Irã mantém uma rede de grupos armados aliados em todo o Oriente Médio, e uma escalada pode acionar esses atores simultaneamente, multiplicando os pontos de conflito de forma imprevisível.
- A viagem planejada de Lula a Washington entre 15 e 17 de março — ainda não confirmada oficialmente — ocorre exatamente no pico da tensão, colocando o Brasil em uma posição diplomática de extrema delicadeza.
- O governo brasileiro já expressou solidariedade a países atingidos por ataques iranianos e pediu o fim das ações militares no Golfo, mas Amorim reconhece que o verdadeiro teste ainda está por vir nas conversas com Lula.
Celso Amorim, assessor especial do presidente Lula para os assuntos mais sensíveis da política externa, fez um alerta direto nesta segunda-feira: o Brasil precisa se preparar para o pior. Em entrevista à GloboNews, o embaixador expressou preocupação com a escalada militar envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel, advertindo que o que hoje parece uma crise regional pode rapidamente se transformar em algo muito maior e mais perigoso.
O ponto de inflexão foi a morte de um líder nacional em exercício — ato que Amorim classificou como 'condenável e inaceitável'. Para o assessor, esse tipo de ação não é um incidente isolado, mas um sinal de que as regras do jogo internacional mudaram. 'Ninguém é juiz do mundo', disse ele, sublinhando o risco de um precedente que desestabiliza o equilíbrio entre as nações. Agravando o cenário, o Irã historicamente apoia grupos xiitas armados por toda a região — e uma escalada poderia acionar esses atores em múltiplos territórios ao mesmo tempo.
No Palácio do Planalto, os diplomatas brasileiros avaliam como essa crise afeta os planos do país. Lula está programado para visitar Washington entre 15 e 17 de março para um encontro com Donald Trump — uma viagem ainda não confirmada oficialmente, mas que já pesa sobre a agenda. Negociar com os Estados Unidos enquanto o Oriente Médio ferve exige um equilíbrio quase impossível.
Amorim foi franco sobre a dificuldade desse caminho. 'É sempre difícil encontrar o equilíbrio entre a verdade e a conveniência', admitiu, usando a palavra 'destreza' para descrever o que será necessário. O Brasil já manifestou solidariedade a países atingidos por ataques iranianos e defendeu o fim das ações militares no Golfo. Mas as próximas conversas entre Amorim e Lula é que definirão como o país navegará por águas que ninguém sabe ainda onde vão dar.
Celso Amorim, o assessor especial que sussurra ao ouvido do presidente Lula sobre os assuntos mais delicados do mundo, fez um aviso claro nesta segunda-feira: o Brasil precisa se preparar para o pior. Em entrevista à GloboNews, o embaixador não mascarou sua preocupação com a escalada militar que envolve Irã, Estados Unidos e Israel no Oriente Médio. O que começou como uma crise regional, disse ele, corre o risco de se alastrar para outros países da zona, transformando-se em algo muito maior e mais perigoso.
O gatilho para essa advertência foi a morte de um líder nacional em exercício — um ato que Amorim classificou sem rodeios como "condenável e inaceitável". Não é apenas uma questão de moral diplomática. Quando um país mata o líder de outro, a tensão internacional sobe de forma abrupta e impredizível. "Ninguém é juiz do mundo", disse o assessor, deixando claro que o Brasil vê nesse tipo de ação um precedente perigoso que desestabiliza o equilíbrio internacional. A morte de um líder em exercício não é um incidente isolado — é um sinal de que as regras do jogo mudaram.
O contexto torna tudo mais complexo. O Irã, historicamente, fornece armas e suporte a grupos xiitas e organizações aliadas espalhadas por todo o Oriente Médio. Se a situação escalar, esses grupos podem ser acionados, transformando um conflito bilateral em algo que envolve múltiplos atores em múltiplos territórios. É exatamente esse cenário que mantém Amorim acordado à noite.
No Palácio do Planalto, os diplomatas brasileiros estão mapeando como essa crise internacional afeta os planos do Brasil. E há planos importantes em jogo. Lula está programado para viajar a Washington entre 15 e 17 de março para um encontro com Donald Trump — uma visita que ainda não foi oficialmente confirmada, mas que está na agenda. O timing é péssimo. Um encontro entre os dois presidentes em um momento em que a tensão no Oriente Médio está no seu pico máximo é como tentar negociar um contrato enquanto a casa pega fogo.
Amorim foi honesto sobre a corda bamba em que o Brasil está. "É sempre difícil encontrar o equilíbrio entre a verdade e a conveniência", disse ele. O Brasil quer manter sua credibilidade internacional — não pode simplesmente concordar com tudo que os Estados Unidos dizem. Mas também não pode alienar Washington em um momento em que a diplomacia é mais importante do que nunca. Não perder a capacidade de diálogo sem comprometer a credibilidade exige, nas palavras do embaixador, "destreza". É um eufemismo para dizer que será muito difícil.
O governo brasileiro já tomou posição em alguns pontos. Manifestou solidariedade aos países que sofreram ataques retaliatórios iranianos e defendeu o fim das ações militares na região do Golfo. Mas essas declarações são apenas o começo. O que importa agora é o que Amorim ainda vai conversar com Lula nos próximos dias. Porque a verdade é que ninguém sabe exatamente como isso vai terminar. O Brasil está se preparando para o pior, mas esperando pelo melhor.
Citas Notables
Matar um líder de um país que está em exercício é condenável e inaceitável— Celso Amorim, assessor especial do presidente Lula
É sempre difícil encontrar o equilíbrio entre a verdade e a conveniência. Não perder a capacidade de diálogo sem comprometer a credibilidade exige destreza— Celso Amorim
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Por que Celso Amorim fala em "preparar-se para o pior"? O que exatamente o Brasil teme?
Não é apenas medo abstrato. Se o Irã decidir retaliar em larga escala, pode ativar seus aliados em toda a região — grupos na Síria, no Líbano, no Iraque. De repente, o conflito não é mais entre três países, é uma conflagração regional. O Brasil não está lá, mas depende da estabilidade global.
E a viagem de Lula a Washington? Por que isso complica as coisas?
Imagine tentar conversar com alguém enquanto a casa dele está pegando fogo. Trump está lidando com uma crise de segurança nacional. Lula quer discutir comércio, clima, cooperação. O timing é terrível. E o Brasil não pode simplesmente concordar com tudo que os EUA querem — precisa manter sua independência diplomática.
Amorim mencionou "equilíbrio entre verdade e conveniência". O que isso significa na prática?
Significa que o Brasil pode condenar ataques iranianos — o que já fez — mas não pode parecer que está alinhado incondicionalmente com Washington. Se fizer isso, perde credibilidade com o resto do mundo. É um jogo de xadrez diplomático onde cada movimento é observado.
O Irã fornece armas a grupos na região. Isso é uma ameaça direta ao Brasil?
Não diretamente. Mas se esses grupos começarem a atacar navios ou infraestrutura no Golfo, os preços do petróleo disparam. O Brasil sente isso na economia. Além disso, há brasileiros vivendo no Oriente Médio. A instabilidade afeta todos.
Qual é o pior cenário que Amorim está imaginando?
Uma guerra regional em larga escala envolvendo múltiplos países e grupos. Não é improvável. A morte de um líder em exercício é um ponto de inflexão. Historicamente, esses momentos levam a escaladas rápidas e imprevistas.