Não tinha informações, mas achava a gestão muito longe da realidade
Ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa foi preso na quarta fase da Operação Compliance Zero por corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo negociações com o Banco Master. Mensagens recuperadas pela PF mostram que Ibaneis Rocha acompanhava as negociações do banco privado e Costa recebia propina através de transferência de seis imóveis de luxo.
- Paulo Henrique Costa preso na quarta fase da Operação Compliance Zero
- R$ 146 milhões em propina através de seis imóveis de luxo
- Mensagens mostram que Ibaneis Rocha acompanhava negociações com o Banco Master
- BRB tem o governo do DF como maior acionista com 71,92%
Celina Leão afirma desconhecer a gestão do Banco de Brasília sob Ibaneis Rocha, após prisão do ex-presidente Paulo Henrique Costa acusado de receber R$ 146 milhões em propina nas negociações com o Banco Master.
Celina Leão, agora governadora do Distrito Federal, afirmou na quinta-feira que desconhecia completamente a gestão do Banco de Brasília durante os sete anos de administração de Ibaneis Rocha. A declaração veio dias após a prisão de Paulo Henrique Costa, ex-presidente da instituição que comanda desde 2019, acusado de receber R$ 146 milhões em propina nas negociações com o Banco Master. Leão havia sido vice-governadora de janeiro de 2023 até duas semanas atrás, quando Ibaneis deixou o cargo para concorrer ao Senado. Agora pré-candidata ao governo do DF, ela se vê obrigada a responder por uma instituição que o estado controla com 71,92% das ações.
Costa permaneceu à frente do banco até setembro, quando uma decisão judicial o afastou durante a primeira fase da Operação Compliance Zero. A quarta fase da operação, deflagrada na quarta-feira, focou especificamente na corrupção envolvendo a cúpula do BRB nas transações com o Banco Master. Policiais federais prenderam Costa e Daniel Monteiro, advogado do Master, enquanto cumpriram sete mandados de busca e apreensão. O ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal, assinou as ordens de prisão.
As mensagens recuperadas pela Polícia Federal revelam uma teia de comunicações entre Costa e Daniel Vorcaro, dono do Master, que combinavam propina em troca de favores nas negociações do banco privado. Segundo a investigação, Costa recebeu R$ 146 milhões através da transferência de seis imóveis de luxo — dois em Brasília e quatro em São Paulo. O Banco Central havia barrado a operação e liquidado o Master, mas não antes que o esquema de corrupção se consolidasse.
Um diálogo particularmente revelador mostra Costa informando Vorcaro sobre conversas com o "governador", indicando que Ibaneis Rocha tinha acesso a informações sobre o negócio. Costa escreve sobre preparar material para argumentação do governador, mencionando um desenho de CEO de holding financeira com participação no conselho do BRB. O mesmo texto menciona planos de mostrar um apartamento de luxo em São Paulo para sua esposa, sugerindo que o imóvel fazia parte do esquema de propina. O ministro Mendonça destacou que as mensagens revelam "a forte proximidade de ambos e a comunhão de desígnios para a prática de ilícitos".
Em agenda pública na quinta-feira, Celina criticou a gestão de Costa, focando em patrocínios que considerava desconectados da realidade. Mencionou corridas em Dubai e lanchas em Miami como exemplos de gastos inadequados para um banco público. "Não tinha informações sobre absolutamente nada, mas achava a gestão dele muito longe da necessidade da população do Distrito Federal", afirmou. Ela garantiu que sua administração colabora com as investigações e cobrou punição para os responsáveis.
No entanto, Celina não apresentou soluções concretas para o rombo causado pelo caso Master ao banco. Reclamou da falta de ajuda do governo federal, mas sem detalhar propostas. Até o momento, o tamanho real do prejuízo permanece desconhecido, já que o BRB não divulga seus balanços. A situação coloca a governadora em posição delicada: ela nunca se opôs publicamente aos negócios do BRB com o Master durante a administração Ibaneis, e agora precisa se distanciar da gestão anterior enquanto busca soluções para uma instituição financeira em crise. O diretor-executivo da Polícia Federal, William Murad, descreveu o foco da operação como a corrupção dos gestores do banco na relação de compra e venda e todo o esquema de lavagem de dinheiro envolvido.
Notable Quotes
Não tinha informações sobre absolutamente nada, mas achava a gestão dele muito longe da necessidade da população do Distrito Federal— Celina Leão, governadora do DF
O foco foi na corrupção dos gestores do banco nessa relação de compra e venda e todo o esquema de lavagem de dinheiro nesse ato de corrupção— William Murad, diretor-executivo da Polícia Federal
The Hearth Conversation Another angle on the story
Como alguém que era vice-governadora durante todo esse período consegue dizer que não sabia de nada?
É uma posição difícil. Ela estava lá desde janeiro de 2023, mas o banco tinha uma estrutura própria, um presidente executivo. A questão é se ela deveria ter questionado mais ou se realmente estava isolada das decisões.
As mensagens mostram que Ibaneis estava envolvido nas negociações. Celina não teria acesso a essas conversas?
Provavelmente não. Ibaneis era o governador, Costa era o presidente do banco. Essas negociações aconteciam em um nível que talvez não chegasse até a vice. Mas é curioso que ela nunca tenha se oposto publicamente.
Ela critica os patrocínios agora. Por que não criticou antes?
Porque antes ela estava no governo. Agora ela está tentando se distanciar da administração anterior e se posicionar como uma alternativa. É política.
E quanto ao prejuízo do banco? Ela tem um plano?
Não apresentou um. Apenas reclamou da falta de ajuda federal. Mas o banco é do estado, então a responsabilidade também é dela.
Qual é o risco político para Celina nessa situação?
Ela quer ser reeleita governadora, mas herda um banco quebrado e uma administração anterior envolvida em corrupção. Precisa se distanciar de Ibaneis sem parecer que está fugindo da responsabilidade de resolver o problema.