Celina Leão acusa Ibaneis de misoginia e diz resolver herança de crise no BRB

Achar que as mulheres são comandadas ou podem ser marionetes
Celina Leão explicando por que considera misógino o comportamento de Ibaneis ao esperar continuar governando através dela.

No Distrito Federal, uma ruptura entre aliados revela tensões que vão além da política partidária: a governadora Celina Leão acusa seu antecessor Ibaneis Rocha de misoginia, sugerindo que ele esperava governar através dela como se o mandato fosse uma continuação disfarçada do seu. Em meio à crise financeira do BRB e às sombras das eleições de 2026, o que emerge é uma questão mais antiga — a dificuldade de reconhecer autoridade feminina como legítima e autônoma.

  • Ibaneis Rocha divulgou um vídeo expressando 'decepção' com Celina Leão, acendendo uma crise aberta entre os dois ex-aliados que sustentavam juntos o poder no DF.
  • Celina rebateu com dureza: afirmou estar pagando as contas de um estado deixado em situação precária, enquanto o BRB enfrenta escândalo com executivos presos e negociando delações.
  • A acusação de misoginia foi direta — a governadora disse que Ibaneis parecia acreditar que poderia continuar governando através dela, como se mulheres fossem marionetes políticas.
  • Nos bastidores, Ibaneis reclama que nem consegue falar ao telefone com Celina, enquanto ela articula reuniões para conter o desgaste na base aliada e preservar a unidade do grupo.
  • O cenário eleitoral de 2026 complica-se ainda mais com a possível volta do ex-governador Arruda e o julgamento no STF sobre a Lei da Ficha Limpa, que pode redefinir quem pode ou não disputar o poder.

Celina Leão quebrou o silêncio em entrevista à Folha de S.Paulo e foi direta: acusou Ibaneis Rocha de misoginia. O estopim foi um vídeo do ex-governador expressando decepção com sua sucessora e sugerindo um "realinhamento" político. Celina respondeu lembrando o estado em que recebeu o governo. "Com a situação precária em que ele me deixou, ele tinha que estar muito orgulhoso, porque eu estou conseguindo pagar as contas", declarou.

A palavra misoginia veio quando a governadora refletiu sobre o que parecia ser a expectativa de Ibaneis. "Talvez seja pela questão de ele achar que iria continuar governando através de mim. Um pouco também misógino isso, achar que as mulheres podem ser marionetes", afirmou. Ibaneis deixou o cargo em março para disputar uma vaga ao Senado, mas, segundo relatos dos bastidores de Brasília, reclama que não consegue nem contato telefônico com a governadora.

O pano de fundo da crise é o BRB. O banco estatal tentou adquirir o Banco Master — operação barrada pelo Banco Central — e segue em dificuldades severas após compras de ativos consideradas fraudulentas. Daniel Vorcaro e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, estão presos e negociam delações. Celina admitiu que a crise tem consumido grande parte de sua atenção. Ainda assim, garantiu que nunca cogitou retirar Ibaneis da chapa de 2026: "Se ele tem partido, ele tem a vaga dele na majoritária".

Outro elemento que inquieta o Palácio do Buriti é a possível volta do ex-governador José Roberto Arruda, envolvido nos escândalos da Operação Caixa de Pandora há 15 anos. Sua reabilitação política depende do julgamento no STF sobre mudanças na Lei da Ficha Limpa. A ministra Cármen Lúcia já votou para restaurar o texto original, classificando as alterações aprovadas pelo Congresso como um "patente retrocesso". Celina também foi questionada sobre uma reunião com o ministro Cristiano Zanin, na qual os dois temas — BRB e Ficha Limpa — teriam sido discutidos. A governadora negou ter tratado da lei com Zanin e atribuiu a retirada do tema da agenda oficial à sua assessoria.

Celina Leão, governadora do Distrito Federal, rompeu o silêncio sobre o afastamento político de seu antecessor Ibaneis Rocha em uma entrevista à Folha de S.Paulo, acusando-o de misoginia e de esperar continuar governando através dela como se fosse uma extensão de sua administração anterior. A tensão entre os dois ganhou força após um vídeo divulgado por Ibaneis na semana anterior, no qual o ex-governador expressava decepção com Celina e sugeria um "realinhamento" político entre ambos.

Celina respondeu às críticas de Ibaneis sobre sua gestão apontando a herança que recebeu. "Eu fui pega de surpresa com a fala dele de decepção. Mas é incoerente a fala dele porque, com a situação precária em que ele me deixou o estado, ele tinha que estar muito orgulhoso, porque eu estou conseguindo pagar as contas", declarou. A governadora enfatizou que está enfrentando diretamente os problemas deixados pela gestão anterior, especialmente a crise envolvendo o Banco de Brasília.

A acusação de misoginia surgiu quando Celina refletiu sobre a expectativa que Ibaneis parecia ter em relação a ela. "Estou enfrentando o problema que ele deixou do BRB de frente, sem atacá-lo. Fiquei um pouco surpresa com a fala dele, mas talvez seja pela questão de ele achar que iria continuar governando através de mim. Um pouco também misógino isso, achar que as mulheres são comandadas ou podem ser marionetes", afirmou. Ibaneis deixou o cargo em março para disputar uma vaga ao Senado nas eleições de outubro.

O distanciamento entre os dois ocorre em contexto de crise financeira no BRB, que tentou adquirir o Banco Master, operação barrada pelo Banco Central. O banco estatal segue enfrentando dificuldades severas decorrentes da compra de ativos e carteiras de crédito consideradas fraudulentas. Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, estão presos e negociam acordos de delação premiada. Nos bastidores políticos de Brasília, lideranças relatam que Ibaneis reclama de não conseguir nem contato telefônico com a governadora.

Apesar da crise, Celina afirmou que nunca cogitou retirar Ibaneis de sua chapa eleitoral para 2026. O acordo político anterior previa uma vaga ao Senado para Ibaneis e outra para Michelle Bolsonaro, aliada próxima da governadora. Porém, a deputada federal Bia Kicis também já anunciou intenção de disputar o Senado ao lado de Michelle, complicando o cenário. "Nunca foi falado que ele não teria espaço na chapa, até porque ele tem partido. Se ele tem partido, ele tem a vaga dele na majoritária", respondeu Celina quando questionada sobre o assunto.

Na segunda-feira anterior, Celina reuniu-se com presidentes de partidos aliados e com Gustavo Rocha, secretário da Casa Civil e apontado como seu pré-candidato a vice-governador, na tentativa de conter o desgaste na base aliada. A governadora defendeu a manutenção da unidade do grupo político, incluindo o MDB de Ibaneis. Internamente, ela reconheceu que a crise do BRB tem consumido grande parte de sua atenção administrativa e política.

Outro fator que preocupa o Palácio do Buriti é a possível volta do ex-governador José Roberto Arruda ao cenário eleitoral. Arruda tenta recuperar seus direitos políticos quase 15 anos após os escândalos da Operação Caixa de Pandora, que revelou o chamado mensalão do DEM no Distrito Federal. Sua eventual candidatura depende do julgamento em andamento no Supremo Tribunal Federal sobre alterações na Lei da Ficha Limpa aprovadas pelo Congresso Nacional no ano anterior. A ministra Cármen Lúcia, relatora do caso, votou para restaurar o texto original da legislação, classificando as mudanças como um "patente retrocesso".

Celina foi questionada sobre uma reunião realizada com o ministro Cristiano Zanin, do STF, na qual teriam sido abordados tanto a situação do BRB quanto o julgamento da Lei da Ficha Limpa, segundo informações obtidas pela Folha. A agenda inicial do ministro registrava os dois temas, mas a referência à Ficha Limpa foi retirada após solicitação do Governo do Distrito Federal. A governadora negou ter tratado do tema com Zanin, atribuindo a alteração da agenda à sua assessoria. O julgamento no STF ocorre em plenário virtual e pode ser concluído até o final da semana, caso não haja pedido de vista ou destaque para análise presencial. Além de Cármen Lúcia, o ministro Luiz Fux também votou pela retomada do texto original da Lei da Ficha Limpa.

Com a situação precária em que ele me deixou o estado, ele tinha que estar muito orgulhoso, porque eu estou conseguindo pagar as contas
— Celina Leão, governadora do Distrito Federal
Um pouco também misógino isso, achar que as mulheres são comandadas ou podem ser marionetes
— Celina Leão, sobre o comportamento de Ibaneis Rocha
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que Celina decidiu falar publicamente agora sobre essa ruptura com Ibaneis?

Model

O vídeo de Ibaneis expressando decepção forçou sua mão. Ela não podia deixar a narrativa dele ficar sem resposta, especialmente porque ele estava sugerindo um realinhamento político que ela não quer.

Inventor

Quando ela fala em misoginia, está dizendo que Ibaneis a subestimou por ser mulher?

Model

Exatamente. Ela está argumentando que ele esperava governar através dela como se ela fosse uma marionete. Não era sobre discordar de políticas — era sobre ele achar que ela seria uma extensão dele.

Inventor

E quanto à crise do BRB? Ela está dizendo que herdou um problema que não criou?

Model

Sim. Ela está separando a responsabilidade dela da de Ibaneis. Ele defendeu a compra do Banco Master, a operação fracassou, e agora ela está limpando a bagunça enquanto paga as contas do estado.

Inventor

Mas ela mantém Ibaneis na chapa para 2026. Como isso funciona politicamente?

Model

É um cálculo. Ela precisa do MDB e de seus votos. Remover Ibaneis seria uma guerra aberta. Melhor mantê-lo na chapa e deixar claro que ela é quem manda.

Inventor

E essa reunião com o ministro Zanin? Por que a Ficha Limpa foi removida da agenda?

Model

Isso é o que torna a história mais complexa. Ela nega ter tratado do tema, mas a agenda foi alterada. Se Arruda voltar, ele muda todo o tabuleiro eleitoral de 2026.

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