Cartolouco vira réu após denúncias de agressão de três ex-namoradas

Três mulheres relatam agressões físicas, queimaduras, violência psicológica e destruição de patrimônio durante relacionamentos, com impactos emocionais duradouros.
A única coisa que poderia me fazer conseguir sair dali
Vítima descreve o momento em que ele destruiu seu celular durante agressões em Cusco.

Lucas Strabko, o influenciador digital conhecido como Cartolouco, tornou-se réu em São Paulo após câmeras de segurança registrarem agressões físicas contra uma ex-namorada — incluindo uma queimadura com cigarro na orelha e um tapa no rosto. O caso, que veio a público pelo programa Fantástico, revelou relatos de outras duas mulheres descrevendo padrões semelhantes de violência física e psicológica. Na longa história humana do abuso encoberto pela fama, este episódio levanta, mais uma vez, a questão de quantas vozes precisam ecoar antes de serem ouvidas.

  • Imagens de câmeras de segurança tornam inegável o que poderia ter ficado na sombra: o momento exato em que o cigarro toca a pele e a mão levanta contra o rosto de uma mulher.
  • Duas outras ex-namoradas surgem com histórias que se repetem — celulares destruídos, queimaduras, tapas, insultos — revelando não um incidente isolado, mas um padrão.
  • A vítima principal posicionou-se conscientemente perto de pessoas ao ser agredida, calculando que testemunhas poderiam ser sua única proteção naquele momento.
  • Cartolouco nega as acusações e inverte a narrativa, afirmando que foi ele a vítima de ciúmes e agressões durante a viagem ao Peru.
  • O caso segue na Justiça com Strabko formalmente réu, enquanto as três mulheres carregam consequências emocionais que o processo legal ainda não consegue mensurar.

Lucas Strabko, o influenciador conhecido como Cartolouco, tornou-se réu por agressão física e violência psicológica após câmeras de segurança registrarem dois momentos de violência contra uma ex-namorada: uma queimadura com cigarro na orelha direita e um tapa no rosto, ocorridos na madrugada de 31 de janeiro em uma rua de São Paulo.

A vítima, que pediu anonimato por medo de represálias, descreveu um relacionamento de nove meses que começou com intensidade e afeto, mas foi se transformando em insultos diários e episódios de violência crescente. Durante uma viagem a Cusco, no Peru, em dezembro, ele teria arrancado seu escapulário, cuspido nela, desferido chutes e tapas e destruído seu celular — o único meio que ela teria para pedir ajuda. Na noite das agressões filmadas, ela se posicionou estrategicamente perto de bares movimentados, consciente de que precisava de testemunhas. Mesmo assim, ele continuou a ofendê-la publicamente até ser reconhecido e se retirar.

O programa Fantástico ouviu outras duas ex-namoradas com histórias perturbadoramente semelhantes. Gabriela Augusto relatou três anos de relacionamento marcados por destruição de objetos, queimadura com cigarro no rosto e agressões físicas. Uma terceira mulher, que hoje vive em Londres, descreveu insultos sobre sua aparência e violência física. Ambas notaram o mesmo padrão: após as agressões, ele agia como se nada tivesse acontecido. Nenhuma havia formalizado denúncia.

Em nota, Strabko negou as acusações e afirmou que foi a ex-namorada quem iniciou as agressões durante a viagem ao Peru. Disse que fotografias mostram os dois juntos após a discussão e que seu maior arrependimento é não ter denunciado. O caso segue na Justiça, e as três mulheres afirmam ainda conviver com as marcas — visíveis e invisíveis — desses relacionamentos.

Lucas Strabko, conhecido nas redes sociais como Cartolouco, agora enfrenta a Justiça acusado de agressão física e violência psicológica. Câmeras de segurança capturaram o momento em que ele queimou a orelha de uma ex-namorada com um cigarro aceso e, segundos depois, desferiu um tapa no rosto dela durante uma discussão em uma rua de São Paulo na madrugada de 31 de janeiro. As imagens mostram com clareza o ato e suas consequências — a marca da queimadura visível na pele da mulher.

O relacionamento entre os dois havia durado pouco mais de nove meses. Segundo o relato da vítima, que pediu para manter sua identidade em sigilo por medo de represálias, tudo começou de forma intensa, com demonstrações frequentes de carinho e atenção. Com o tempo, porém, o comportamento mudou. Ela passou a ser alvo de insultos constantes — palavras como "câncer", "puta" e "vagabunda" faziam parte de seu dia a dia ao lado dele. A situação se agravou durante uma viagem para Cusco, no Peru, no início de dezembro. Após uma discussão em um bar, ele arrancou o escapulário que ela usava e cuspiu nela no mesmo local. De volta ao hotel, as agressões intensificaram: chutes, tapas, uma tentativa de aplicar um golpe de "mata-leão". Ele também destruiu seu celular — o que ela descreve como "a única coisa que poderia me fazer conseguir sair dali".

Na noite de 31 de janeiro, os dois retornaram ao mesmo bar onde haviam se conhecido. Ao sair do estabelecimento, ele a acusou de traição e jogou um copo com bebida em seu rosto. Caminharam até uma esquina próxima. As câmeras de segurança registraram o que aconteceu em seguida: ele acendeu um cigarro e o encostou na orelha direita dela. Logo depois, outro ângulo de câmera captou o tapa. Ela atravessou a rua e se posicionou perto de um bar onde havia pessoas — uma estratégia consciente, como ela explicaria depois: "Pensei: vai que ele me dá um outro tapa. Pelo menos agora tem a chance de alguém visualizar e presenciar isso". Pessoas que estavam nos bares próximos perceberam a agressão e tentaram intervir. Uma testemunha viu Lucas agir de forma violenta. Mesmo com a intervenção, ele continuou a ofendê-la e exigiu acesso ao celular dela. Quando alguém o reconheceu como Cartolouco, ele saiu do local. Naquela noite, ele ainda foi até o prédio onde ela morava, mas foi impedido de entrar. No dia seguinte, durante uma ligação telefônica, ele pediu que ela enviasse uma foto da lesão na orelha.

Mas essa não era uma história isolada. O programa Fantástico ouviu outras duas ex-namoradas que relataram padrões semelhantes de violência. Gabriela Augusto, que manteve um relacionamento de três anos com Strabko, descreveu um ciclo de destruição: televisão quebrada, carro danificado, celular destruído. Ela também teve o rosto queimado com um cigarro durante uma discussão e, em outra ocasião, foi puxada pelos cabelos, jogada no chão e agredida com chutes. Uma terceira mulher, que agora mora em Londres e também pediu anonimato, relatou insultos frequentes sobre sua aparência e afirmações de que ninguém mais a quereria. Ela também sofreu agressões físicas. Ambas descreveram um padrão perturbador: após as agressões, ele mudava completamente de comportamento e agia como se nada tivesse acontecido. Nenhuma das duas havia registrado denúncia formal na Justiça.

O caso da mulher agredida em janeiro, porém, seguiu caminho diferente. Lucas Strabko tornou-se réu e agora responde por agressão física e violência psicológica. Em nota, ele negou as acusações. Segundo sua versão, foi a ex-namorada quem, durante a viagem ao Peru, em uma crise de ciúmes, dirigiu ofensas verbais e arremessou objetos, inclusive o próprio celular, contra ele. Ele afirmou que fotografias tiradas após a discussão mostram os dois juntos, que foi ao prédio apenas para buscar suas roupas e que entregou a chave ao porteiro. Negou também ter dito que destruiria o apartamento dela. Acrescentou que, mesmo após o registro do boletim de ocorrência, os dois voltaram a se encontrar. "Meu maior arrependimento é não ter denunciado", declarou.

As três mulheres dizem que ainda convivem com as consequências desses relacionamentos. A que mora em Londres expressou seu maior arrependimento: não ter denunciado na época. O caso segue na Justiça, e a trajetória legal de Lucas Strabko agora está marcada por essas acusações de violência sistemática.

Já ouvi também que eu era um câncer, puta, vagabunda
— Ex-namorada de Lucas Strabko
Meu maior arrependimento é não ter denunciado
— Ex-namorada que mora em Londres
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que essas mulheres demoraram tanto para denunciar, se havia evidências tão claras como as câmeras de segurança?

Model

Duas delas não denunciaram formalmente. A que mora em Londres disse que seu maior arrependimento foi justamente não ter feito isso na época. Há um padrão aqui — isolamento, destruição de objetos, insultos constantes — que funciona como controle. Quando você está dentro disso, sair é mais complicado do que parece de fora.

Inventor

E as câmeras? Como é que isso chegou à Justiça se a vítima não havia denunciado imediatamente?

Model

Ela denunciou. O boletim de ocorrência foi registrado, e foi isso que levou ao processo. As câmeras foram fundamentais — não era mais uma palavra contra a outra. Era imagem, era prova.

Inventor

Ele nega tudo. Como funciona a defesa dele?

Model

Ele inverte a narrativa. Diz que foi ela quem iniciou as agressões em Cusco, que arremessou objetos. Mas há um problema: duas outras mulheres descrevem exatamente o mesmo padrão de comportamento. Queimaduras com cigarro, destruição de patrimônio, insultos. Quando você vê o padrão repetido, fica mais difícil acreditar que foi coincidência em todos os casos.

Inventor

As outras duas mulheres não denunciaram. Isso enfraquece o caso?

Model

Legalmente, talvez. Mas para entender o que aconteceu, não. Elas mostram que isso não era um episódio isolado, uma briga de casal. Era um comportamento recorrente. E elas também falam sobre o arrependimento — não terem denunciado, terem ficado em silêncio.

Inventor

O que mais chama atenção nessa história?

Model

O detalhe de ela ter atravessado a rua e se posicionado perto de um bar porque sabia que precisava de testemunhas. Ela estava pensando estrategicamente sobre sua própria segurança enquanto estava sendo agredida. Isso diz muito sobre o estado em que ela estava.

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