53 das 67 mortes eram de pessoas sem nenhuma proteção
Em Campinas, a gripe já ceifou dez vidas em 2025 — a mais recente, um homem de 69 anos com comorbidades que faleceu em maio. O dado que pesa sobre a cidade não é apenas o número de mortos, mas o que ele revela: 53 das 67 vítimas anuais por Síndrome Respiratória Aguda Grave não estavam vacinadas, enquanto a cobertura imunizatória permanece baixa justamente entre os mais vulneráveis. Diante do aumento de 116% nos atendimentos respiratórios, a saúde pública ampliou a vacinação para toda a população acima de seis meses, numa corrida contra o tempo que se estende até julho.
- Campinas acumula dez mortes por gripe em 2025, com casos confirmados chegando a 130 desde janeiro — e os números seguem subindo.
- A maioria esmagadora das vítimas fatais, 53 de 67, não havia recebido a vacina, expondo o custo humano direto da baixa adesão à imunização.
- A cobertura vacinal falha exatamente onde mais deveria proteger: apenas 51% dos idosos, 35% das crianças pequenas e 55% das gestantes foram vacinados.
- Os serviços de saúde sentem a pressão: a Rede Mário Gatti registrou 807 atendimentos pediátricos em um único dia, 31% acima da média de maio.
- A Secretaria de Saúde reagiu expandindo a vacinação para todos acima de seis meses e levando doses à rodoviária, tentando alcançar quem não chega aos centros de saúde.
Campinas chegou a dez mortes por gripe em 2025. A vítima mais recente era um homem de 69 anos com doenças preexistentes que, apesar de vacinado, faleceu no dia 12 de maio. Desde janeiro, a cidade confirmou 130 casos de Influenza, e o padrão que emerge é perturbador: das 67 mortes por Síndrome Respiratória Aguda Grave registradas no ano, 53 eram de pessoas que nunca haviam recebido a vacina.
Entre os 14 vacinados que morreram, 12 tinham imunização adequada — com a dose aplicada pelo menos 15 dias antes do adoecimento. A maioria das vítimas, 66 no total, pertencia a grupos de risco por doenças crônicas. Os dez óbitos de Campinas representam cerca de 15% de todos os casos confirmados na cidade.
A resposta da saúde pública foi ampliar o acesso: desde 1º de junho, a vacina está disponível para toda a população acima de seis meses, antes restrita a grupos prioritários. Desde o início da campanha, em 28 de março, foram aplicadas 239.672 doses — mas a cobertura entre os mais vulneráveis ainda preocupa. Apenas 51% dos idosos foram vacinados, 35% das crianças pequenas e 55% das gestantes.
O impacto nos serviços de saúde é visível. Na Atenção Básica, os atendimentos respiratórios cresceram 116% em relação ao início do ano. Na Rede Mário Gatti, uma única segunda-feira registrou 807 atendimentos pediátricos — 31% acima da média de maio. A campanha de vacinação segue até o final de julho, com doses nos Centros de Saúde e ações itinerantes, como a realizada na Rodoviária de Campinas, para alcançar quem não consegue se deslocar até as unidades.
Campinas chegou a dez mortes por gripe neste ano. A mais recente foi a de um homem de 69 anos que tinha doenças preexistentes, estava vacinado e morreu no dia 12 de maio. Desde janeiro, a cidade registra 130 casos confirmados de Influenza — números que refletem um padrão preocupante: das 67 mortes por Síndrome Respiratória Aguda Grave causada pelo vírus ao longo de 2025, 53 eram de pessoas que nunca haviam recebido a vacina.
Os dez óbitos representam cerca de 15% de todos os casos de gripe confirmados na metrópole até agora. Entre os 14 vacinados que morreram no ano passado, 12 tinham imunização adequada — o que significa que receberam a dose com pelo menos 15 dias de antecedência, tempo necessário para que a vacina ofereça proteção ideal. Os outros dois apresentaram sintomas antes desse período. A maioria das vítimas, 66 no total, pertencia a grupos de risco por conta de doenças crônicas preexistentes.
A resposta da saúde pública foi expandir o acesso à vacinação. Desde segunda-feira, 1º de junho, a vacina contra a gripe está disponível para todas as pessoas acima de seis meses de idade — antes, o imunizante era restrito a grupos específicos. A Secretaria de Saúde iniciou a estratégia de imunização em 28 de março e já aplicou 239.672 doses. Desse total, 142.937 foram destinadas aos grupos prioritários definidos pelo calendário nacional: crianças de seis meses a menores de seis anos, gestantes e idosos.
Mas a cobertura vacinal permanece baixa justamente onde mais importa. Entre os idosos, apenas 51% receberam a dose — 114.117 pessoas vacinadas. No grupo de crianças pequenas, o índice cai para 35%, com 24.063 doses aplicadas. Entre gestantes, a cobertura é de 55%, com 4.757 vacinadas. A estratégia de imunização segue até o final de julho, com doses disponíveis nos Centros de Saúde da cidade. O Centro de Saúde Centro realiza a vacinação na Paróquia Divino Salvador, na Avenida Júlio de Mesquita, das 8h às 16h. Na segunda-feira, a Secretaria de Saúde também realizou uma ação de vacinação na Rodoviária de Campinas, das 9h às 16h, para alcançar pessoas que não têm tempo de se deslocar até um centro de saúde.
O aumento de casos respiratórios na cidade é significativo. Na Atenção Básica — os Centros de Saúde — foram registrados 896 casos com sintomas respiratórios na semana de 19 a 25 de abril e 1.439 na semana de 24 a 30 de maio. Comparado à primeira semana epidemiológica do ano, de 4 a 10 de janeiro, a elevação foi de 116%. Na Rede Mário Gatti, apenas na segunda-feira, 1º de junho, foram 216 atendimentos na Unidade Pediátrica Mário Gattinho — um aumento de 22,7% em relação à média desde maio. Naquele mesmo dia, 17 casos urgentes chegaram entre 18h e 23h, incluindo duas emergências às 20h25 e 20h52. Em toda a Rede Mário Gatti, foram 807 atendimentos pediátricos naquela segunda-feira, quando a média diária desde maio é de 613.
Citas Notables
A vacinação segue como a principal forma de prevenção contra casos graves e mortes pela doença— Secretaria de Saúde de Campinas
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Por que a vacinação continua tão baixa se a vacina está disponível há meses?
Os números mostram que mesmo entre grupos prioritários — idosos, crianças, gestantes — menos da metade se vacinou. Pode ser falta de informação, dificuldade de acesso, ou simplesmente a percepção de que a gripe não é grave. Mas os dez mortos dizem outra coisa.
E quanto àquele homem de 69 anos que morreu mesmo vacinado? Isso não enfraquece o argumento da vacina?
Não. Ele estava adequadamente imunizado, o que significa que a vacina tinha tempo de agir. Tinha doenças preexistentes. A vacina reduz risco, não elimina. Mas olhe para os números: 53 das 67 mortes eram de pessoas sem nenhuma proteção.
O aumento de 116% em casos respiratórios é assustador. Isso é só gripe?
Não necessariamente. A Atenção Básica registra sintomas respiratórios em geral — pode ser gripe, pode ser outro vírus respiratório. Mas o padrão é claro: a cidade está vendo muito mais gente com problemas respiratórios agora do que no começo do ano.
A ação na rodoviária — foi efetiva?
Mostra que a Secretaria está tentando ir aonde as pessoas estão. Mas uma ação pontual não resolve cobertura vacinal de 35% em crianças pequenas. Precisa de algo mais sustentado.
Até quando isso vai?
A vacinação segue até o final de julho. Depois disso, depende de como a situação evoluir e se o município decidir estender a estratégia.