G7 em Évian: paz no Médio Oriente, pressão na Rússia e momentos de descontração

Eu sou o chefe, exclamou ao entrar para a sessão
Trump reclama liderança numa cimeira onde Macron preside oficialmente, num gesto que resume a dinâmica de poder entre os sete.

G7 unido em pressionar Rússia com sanções adicionais e aumentar apoio à Ucrânia, enquanto celebra acordo histórico entre EUA e Irão para impedir armas nucleares. Potências mundiais comprometem-se reduzir dependência de minerais críticos chineses para menos de 60% até 2030, com ambição de atingir 50% rapidamente.

  • Acordo EUA-Irão para impedir armas nucleares assinado sexta-feira
  • G7 compromete-se reduzir dependência de minerais chineses para menos de 60% até 2030
  • Sanções adicionais à Rússia focadas em petróleo e gás
  • Cimeira durou três dias em Évian, à beira do Lago de Genebra

Líderes do G7 reuniram-se em França durante três dias, acordando em sancionar a Rússia, celebrando avanço na paz com o Irão e reduzindo dependência tecnológica da China, com momentos informais que humanizaram protocolos diplomáticos.

Três dias em Évian, à beira do Lago de Genebra, transformaram-se numa demonstração de força diplomática. Os sete líderes das maiores economias do mundo — Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido — saíram de lá com um acordo que promete reconfigurar o equilíbrio geopolítico dos próximos anos. No centro das conversas estava a assinatura iminente de um acordo entre Washington e Teerão para terminar a guerra, descrito pelos líderes como uma "oportunidade histórica para impedir que o Irão adquira qualquer arma nuclear". A declaração conjunta foi clara: uma força multinacional liderada por França e Reino Unido pode desempenhar um papel crucial na reabertura do tráfego marítimo no estreito de Ormuz, severamente afetado pelo conflito.

Mas se a paz no Médio Oriente foi celebrada, a pressão sobre a Rússia foi o verdadeiro ponto de convergência. Os líderes uníssonos concordaram em intensificar as sanções à economia russa, com foco particular nos setores de petróleo e gás. Donald Trump adotou uma postura mais hostil do que o habitual em relação a Moscovo, enquanto todos concordaram em aumentar o apoio à defesa de Kiev. O timing não era casual: com o estreito de Ormuz a reabrir, quase 20% da produção global de petróleo volta a fluir, criando uma janela de oportunidade para apertar o cerco económico a Putin.

A China também não escapou ao escrutínio. Os sete países manifestaram a intenção de reduzir "significativamente" a dependência de minerais críticos fornecidos por Pequim — componentes essenciais para telemóveis e outros dispositivos eletrónicos. A meta é clara: menos de 60% até 2030, com a ambição ainda mais agressiva de atingir 50% o mais rapidamente possível. A Austrália, como nação parceira, apoiou o comunicado que deixava transparecer uma estratégia coordenada de desacoplamento tecnológico.

A inteligência artificial também ocupou lugar de destaque. Após um almoço de trabalho com gigantes do setor — incluindo Sam Altman da OpenAI e Dario Amodei da Anthropic — os líderes apelaram às empresas de tecnologia para desenvolverem ferramentas que garantissem experiências seguras e adequadas à idade para menores online. A preocupação era genuína, refletindo o reconhecimento de que o avanço da IA traz consigo riscos que precisam ser antecipados.

Mas entre as decisões políticas e as declarações diplomáticas, a cimeira deixou espaço para momentos que humanizaram os protocolos formais. Quando Giorgia Meloni chegou à sessão matinal, captada pelos microfones, confessou: "Preciso de tomar um café". Friedrich Merz, o chanceler alemão, respondeu imediatamente com uma pergunta provocadora sobre um cigarro. Meloni revelou que tinha parado há um mês, conquistando um "bravo" de Ursula von der Leyen. António Costa, presidente do Conselho Europeu, foi mais longe: guardou os cigarros há 21 anos, "nunca mais", disse com um sorriso.

O futebol também entrou na conversa. Quando o PSG, propriedade de um fundo de investimento estatal do Catar, venceu a Liga dos Campeões, o emir catari, presente como convidado, não resistiu a provocar Emmanuel Macron, declarado adepto do Olympique de Marseille. "Ele não está feliz, finge que está feliz. Mas por dentro...", disse Tamim bin Hamad Al Thani. Macron respondeu prontamente: "Não, estou feliz. É uma equipa francesa. Conquistaram o bicampeonato, venceram duas vezes". A troca de palavras, leve e descontraída, contrastava com a seriedade das negociações.

Trump, como era de esperar, reclamou para si a liderança. Ao entrar para a sessão da manhã, com os outros líderes já sentados, exclamou: "Eu sou o chefe". Macron respondeu com fair-play, perguntando como estava. Na véspera, Friedrich Merz tinha oferecido a Trump uma camisola da seleção alemã de futebol com o seu nome estampado nas costas, como prenda pelo seu 80.º aniversário — um gesto que reconhecia as raízes alemãs do presidente americano.

Quando a cimeira terminou, na quarta-feira, ficou claro que os sete maiores poderes económicos do mundo tinham conseguido algo raro: unidade de propósito. Desde a celebração de um acordo histórico no Médio Oriente até à pressão coordenada sobre a Rússia, passando pela estratégia de reduzir a dependência tecnológica da China e pela regulação da inteligência artificial, o encontro em Évian desenhou os contornos de um novo equilíbrio geopolítico. E fê-lo com momentos de descontração que lembravam que, por trás dos protocolos e das declarações conjuntas, estavam pessoas — com hábitos, preferências desportivas e um sentido de humor que tornava tudo um pouco mais humano.

Consideramos que este é o momento adequado para avançarmos com medidas adicionais
— Líderes do G7 sobre sanções à Rússia
Apelamos aos provedores de serviços digitais para que desenvolvam e apliquem tecnologias que garantam experiências seguras, protegidas e adequadas à idade
— Líderes do G7 após almoço com empresas de IA
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Porque é que este acordo entre os EUA e o Irão é descrito como "histórico"?

Model

Porque interrompe uma escalada que durava anos. Não é apenas sobre terminar uma guerra — é sobre impedir que o Irão desenvolva armas nucleares. Para o Ocidente, isso muda tudo.

Inventor

E a Rússia? Porque é que agora é o momento de apertar as sanções?

Model

O estreito de Ormuz está a reabrir. Isso significa que o petrólio volta a fluir, e os preços caem. Quando o petróleo é barato, as sanções funcionam melhor — a Rússia não consegue compensar com receitas mais altas.

Inventor

A China parece estar isolada nesta cimeira.

Model

Não isolada — alvo. Os sete países acordaram em reduzir a dependência de minerais críticos chineses. É uma estratégia de longo prazo para desacoplar as economias ocidentais de Pequim.

Inventor

Os momentos informais parecem importantes. Porque é que o jornalista os destaca?

Model

Porque mostram que a diplomacia não é apenas assinatura de documentos. São pessoas que se conhecem, que brincam, que fumam cigarros juntas. Isso cria confiança — e confiança é o que permite que acordos difíceis sejam possíveis.

Inventor

Trump a dizer "Eu sou o chefe" — é apenas bravata?

Model

É performance, mas também é real. Ele está a afirmar liderança numa sala onde Macron é o anfitrião oficial. É um gesto que diz: independentemente de quem preside, eu tenho o poder.

Inventor

E a inteligência artificial? Porque é que aparece aqui?

Model

Porque é o futuro. Os líderes reconhecem que a IA está a avançar rapidamente e que precisa de regulação — especialmente para proteger crianças. Convidar Sam Altman e Dario Amodei foi uma forma de trazer a indústria para a mesa.

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