Sete cardeais brasileiros — o maior número em toda a história
Com a morte do Papa Francisco em 21 de abril de 2025, a Igreja Católica inicia sua busca por um novo guia — e o Brasil, pela primeira vez em sua história, enviará sete cardeais votantes ao conclave, superando o recorde de seis estabelecido em 1978. Esse número não é apenas estatístico: ele reflete a trajetória de um país que, desde sua estreia em 1914, foi consolidando sua voz dentro da maior instituição cristã do mundo. Num colégio cardinalício moldado em grande parte pelo próprio Francisco, o Brasil chega ao momento decisivo com presença e peso inéditos.
- A morte de Francisco abre uma sucessão de alcance global, e o Brasil entra nela com força histórica: sete dos oito cardeais brasileiros têm direito a voto.
- O conclave de 2025 já nasce fora dos limites regulamentares — 135 cardeais aptos contra o teto de 120 —, revelando a escala da transformação que Francisco imprimiu ao colégio cardinalício.
- Dom Odilo Scherer, que em 2013 chegou perto da cadeira de São Pedro antes de receber apenas quatro votos, retorna agora aos 75 anos como figura experiente e simbólica do processo.
- O único ausente brasileiro é Dom Raymundo Damasceno Assis, excluído automaticamente por ter 88 anos — o regulamento vaticano fixa o limite em 80, sem exceções.
- Com 80% dos eleitores indicados por Francisco, o conclave carrega a marca ideológica do pontificado que se encerra, e o Brasil — com cinco cardeais nomeados por ele — está no centro dessa herança.
O Papa Francisco morreu na segunda-feira, 21 de abril, e com ele se abriu a contagem regressiva para o conclave que escolherá seu sucessor. Para o Brasil, o momento é historicamente inédito: sete dos oito cardeais brasileiros terão direito a voto — o maior número que o país já reuniu numa assembleia papal.
O recorde anterior era de seis cardeais votantes, alcançado em 1978, quando dois conclaves aconteceram em sequência rápida e elegeram João Paulo I e João Paulo II. Agora, com sete representantes, o Brasil ultrapassa sua própria marca histórica.
O conclave de 2025 é extraordinário também em sua composição geral: o Vaticano limita a 120 o número de cardeais com direito a voto, mas 135 estão aptos a participar. Cerca de 80% foram indicados pelo próprio Francisco, o que torna sua influência sobre o processo profunda mesmo após sua morte. Dos oito cardeais brasileiros, cinco foram nomeados por ele.
Entre os dois que já participaram do conclave de 2013 está Dom Odilo Scherer, arcebispo de São Paulo. Naquela eleição, ele foi um dos principais candidatos ao papado — mas sua candidatura desabou rapidamente, com apenas quatro votos. Aos 75 anos, retorna agora como observador experiente de um processo que um dia quase o colocou no trono de São Pedro.
O único cardeal brasileiro fora do conclave é Dom Raymundo Damasceno Assis, arcebispo emérito de Aparecida, que tem 88 anos. O regulamento vaticano exclui automaticamente os cardeais acima de 80 anos — não por razões de saúde, mas por norma.
A presença brasileira na história dos conclaves remonta a 1914, quando o cardeal Joaquim Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti — o primeiro latino-americano elevado a cardeal — votou na eleição do Papa Bento XV. Desde 1939, o Brasil não faltou a nenhum conclave. Com sete vozes na sala onde o próximo papa será escolhido, o país chega a este momento com a maior influência de sua história dentro da Igreja Católica.
O Papa Francisco morreu na segunda-feira, 21 de abril, e com sua morte começou a contagem regressiva para um dos momentos mais significativos da Igreja Católica: o conclave que escolherá seu sucessor. Para o Brasil, este será um momento histórico. Sete cardeais brasileiros — dos oito que existem no país — terão direito a voto na assembleia que decidirá quem ocupará a cadeira de São Pedro. É o maior número de representantes que o Brasil já enviou a um conclave em toda sua história.
Para entender o peso dessa cifra, basta olhar para trás. A última vez que o Brasil conseguiu reunir mais de cinco cardeais votantes foi em 1978, quando dois conclaves aconteceram em rápida sucessão — primeiro elegendo João Paulo I, depois João Paulo II. Naquela época, seis cardeais brasileiros participaram. Agora, com sete, o país ultrapassa seu próprio recorde.
Este conclave de 2025 é extraordinário em vários aspectos. O Vaticano estabeleceu um limite de 120 cardeais com direito a voto, mas 135 estão aptos a participar. Cerca de 80% deles foram indicados pelo próprio Papa Francisco durante seu pontificado, o que significa que sua influência sobre a composição do colégio cardinalício é profunda. Dos oito cardeais brasileiros, cinco foram nomeados por Francisco. Os outros dois — Dom Odilo Scherer, arcebispo de São Paulo, e Dom João Braz de Aviz, arcebispo emérito de Brasília — já participaram de um conclave anterior, em 2013, quando Francisco foi eleito.
Scherer é uma figura particularmente notável na história recente da Igreja. Em 2013, ele foi considerado um dos principais candidatos à papado, competindo diretamente com Francisco. Mas sua candidatura desabou rapidamente: recebeu apenas quatro votos e se retirou da disputa. Ele permanece o único cardeal brasileiro que já chegou perto de ser eleito papa. Agora, aos 75 anos, retorna ao conclave como um observador experiente do processo.
O único cardeal brasileiro que não poderá votar é Dom Raymundo Damasceno Assis, arcebispo emérito de Aparecida, que tem 88 anos. O Vaticano estabeleceu 80 anos como o limite de idade para participar de um conclave, e Assis ultrapassou essa marca. Sua exclusão é automática, não uma questão de saúde ou capacidade, mas simplesmente de regulamento.
A presença brasileira no conclave não é recente. O Brasil participou pela primeira vez em 1914, quando o cardeal Joaquim Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti, então arcebispo do Rio de Janeiro, votou na eleição do Papa Bento XV. Cavalcanti foi o primeiro latino-americano a ser elevado a cardeal pela Igreja Católica — um marco que colocou o Brasil no mapa da hierarquia eclesiástica. O país ficou ausente apenas uma vez, em 1922, mas desde 1939 tem participado de todos os conclaves, sempre com pelo menos três representantes.
Este recorde de sete cardeais votantes reflete a crescente importância do Brasil dentro da Igreja Católica. O país é o lar da maior população católica do mundo, e sua influência nas decisões da Igreja tem aumentado consistentemente ao longo do século passado. Com sete vozes na sala onde o próximo papa será escolhido, o Brasil terá uma presença significativa em uma das decisões mais importantes que a Igreja Católica pode tomar.
Notable Quotes
Odilo Scherer foi o único cardeal brasileiro a disputar o favoritismo para a cadeira mais alta da Igreja Católica, recebendo apenas quatro votos em 2013— Histórico do conclave de 2013
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que este conclave é tão diferente dos anteriores em termos de números?
O Papa Francisco nomeou uma quantidade extraordinária de cardeais durante seu pontificado. Isso significa que 80% dos votantes aqui foram escolhidos por ele, o que é incomum. Normalmente há mais diversidade de épocas e papas representados.
E o Brasil especificamente — por que sete é tão significativo?
Porque reflete décadas de crescimento. Em 1978, tínhamos seis. Agora temos sete. Não é um salto dramático em números, mas é consistente com a trajetória do Brasil na Igreja. Somos a maior nação católica do mundo, então faz sentido que nossa voz seja cada vez mais forte.
Odilo Scherer quase foi papa em 2013. Como é para ele voltar agora?
Ele recebeu apenas quatro votos naquela vez. Deve ser estranho estar de volta, sabendo que chegou perto mas não perto o suficiente. Agora ele tem 75 anos e participa como um veterano, não como um candidato em potencial.
E Dom Raymundo Damasceno Assis — ele se sente excluído por causa da idade?
O regulamento é claro: 80 anos é o limite. Aos 88, ele simplesmente não pode votar. Não é pessoal, é apenas a regra. Mas deve ser frustrante estar tão perto e não poder participar.
Qual é a importância histórica disso tudo?
O Brasil começou a participar de conclaves em 1914. Éramos praticamente invisíveis na Igreja então. Agora, mais de um século depois, temos sete votos em uma das decisões mais importantes que a Igreja faz. É a história de como uma nação se torna central.