Opinião - Ronaldo Lemos: Brasil é potência na matemática, mas fracasso no ensin…
O Brasil carrega em si uma contradição que revela muito sobre como uma nação pode alcançar o sublime e negligenciar o essencial: enquanto seus matemáticos produzem conhecimento de nível mundial, milhões de crianças saem das escolas públicas sem dominar operações aritméticas básicas. Ronaldo Lemos, na Folha de S.Paulo, nomeia esse paradoxo com precisão — a excelência acadêmica e o fracasso educacional não são acidentes isolados, mas sintomas de um sistema que investe nas pontas e esquece o alicerce. A distância entre a medalha e a tabuada é, no fundo, uma questão de justiça.
- O Brasil figura entre os países com pesquisa matemática de maior impacto global, ao mesmo tempo em que seus estudantes do ensino fundamental ocupam posições modestas em avaliações internacionais de aritmética.
- Essa contradição não é apenas estatística — ela representa uma ruptura estrutural entre o sistema de pesquisa de elite e a realidade das salas de aula nas escolas públicas.
- A formação precária de professores e a falta de políticas que conectem a produção científica ao cotidiano escolar são apontadas como causas centrais desse abismo.
- Milhões de jovens brasileiros têm suas trajetórias limitadas antes mesmo de começar, comprometendo mobilidade social e o próprio futuro produtivo do país.
- A saída apontada passa por reformas profundas na formação docente e por uma vontade política de fazer a excelência acadêmica descer até o chão da escola pública.
Em artigo publicado na Folha de S.Paulo, o colunista Ronaldo Lemos ilumina um paradoxo incômodo da educação brasileira: o país que forma matemáticos de classe mundial é o mesmo que reprova no ensino básico de aritmética. A convivência entre esses dois extremos não é coincidência — é o retrato de um sistema que aprendeu a cultivar a excelência em camadas específicas sem garantir que o conhecimento chegue à base.
As avaliações internacionais expõem o problema com frieza: estudantes brasileiros apresentam desempenho consistentemente fraco em competências matemáticas fundamentais, enquanto pesquisadores do país publicam em periódicos de alto impacto e conquistam reconhecimento global. A desconexão é estrutural e envolve desde o subinvestimento na formação de professores até a ausência de pontes entre a academia e a sala de aula.
O custo humano é concreto: são milhões de crianças que chegam ao fim do ciclo básico sem ferramentas para compreender o mundo quantitativo ao redor delas, o que restringe escolhas, limita carreiras e aprofunda desigualdades. Fechar essa lacuna, segundo a análise, exige mais do que boas intenções — demanda reformas sérias na formação docente e políticas capazes de fazer a grandeza matemática brasileira reverberar onde ela mais importa: no início de tudo.
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