Brasil cria quase cinco vezes mais empregos que EUA em seis meses

O Brasil criou quase cinco vezes mais empregos que os EUA em seis meses
Enquanto a economia brasileira abria 2,5 milhões de postos, os EUA geravam apenas 524 mil no mesmo período.

Enquanto o mundo observava os efeitos das tarifas impostas por Washington, o Brasil silenciosamente construía um dos seus melhores semestres no mercado de trabalho, criando quase cinco vezes mais empregos que os Estados Unidos nos primeiros seis meses de 2025. A taxa de desemprego brasileira atingiu o menor nível histórico, num momento em que a economia americana contraía e revisões oficiais apagavam centenas de milhares de vagas dos registros. O paradoxo revela que protecionismo e crescimento nem sempre caminham juntos — e que resiliência econômica pode florescer onde menos se espera.

  • O Brasil abriu 2,5 milhões de postos de trabalho no primeiro semestre de 2025, enquanto os EUA geraram apenas 524 mil — uma diferença que desafia as expectativas sobre quem sairia prejudicado pelas tarifas de Trump.
  • A taxa de desemprego brasileira caiu para 5,8%, o menor nível histórico, mesmo com a Selic em 15% ao ano e sinais de desaceleração que nunca se concretizaram.
  • Nos EUA, o mercado de trabalho perdeu força: julho entregou apenas 73 mil vagas contra 115 mil esperadas, e uma revisão oficial eliminou 258 mil empregos dos registros — levando Trump a demitir a responsável pelas estatísticas do trabalho.
  • As tarifas de 50% sobre produtos brasileiros entraram em vigor em agosto, mas especialistas preveem impacto moderado, já que incidem sobre menos de 40% das exportações brasileiras para os EUA, equivalentes a cerca de 2% do PIB.
  • A política anti-imigração e as pressões sobre o Federal Reserve adicionam novas camadas de incerteza à economia americana, com escassez de mão de obra e inflação persistente no horizonte.

Nos primeiros seis meses de 2025, enquanto Donald Trump impunha tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, o Brasil criava empregos num ritmo que deixava os Estados Unidos para trás. A economia brasileira abriu 2,5 milhões de postos de trabalho entre janeiro e junho — formais e informais combinados —, contra apenas 524 mil gerados pelos EUA no mesmo período. A taxa de desemprego brasileira caiu para 5,8%, o menor nível já registrado na série histórica do país.

O desempenho surpreendeu até os especialistas. Daniel Duque, economista do Ibre-FGV, destacou que a desaceleração esperada para o final de 2024 simplesmente não se concretizou, mesmo com a Selic subindo para 15% ao ano. Paulo Gala, do Banco Master, aponta uma recuperação robusta apesar dos juros altos e da turbulência política interna. Ambos reconhecem, porém, que as tarifas de Trump — em vigor desde 6 de agosto — começarão a exercer pressão, ainda que moderada, sobre o emprego brasileiro.

A resiliência brasileira tem raízes estruturais: o PIB cresceu próximo de 3% ao ano em 2023 e 2024, superando estimativas iniciais de 1,5%, e o envelhecimento da população reduziu a entrada de jovens no mercado, ao mesmo tempo que elevou o nível de qualificação da força de trabalho.

Nos Estados Unidos, o cenário é oposto. A economia contraiu 0,3% no primeiro trimestre, o mercado de trabalho perdeu força e uma revisão oficial eliminou 258 mil empregos dos registros de maio e junho. Trump demitiu a responsável pelo Escritório das Estatísticas do Trabalho, acusando-a de manipulação política, e pressiona o Federal Reserve a reduzir juros — sem sucesso. Com menos empregos, inflação elevada pelo encarecimento das importações e escassez de mão de obra decorrente da política anti-imigração, os americanos enfrentam um horizonte de incertezas crescentes.

Nos primeiros seis meses de 2025, enquanto Donald Trump assumia a presidência dos Estados Unidos e impunha tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, o Brasil criava empregos a um ritmo que deixava o país norte-americano para trás. Entre janeiro e junho, a economia brasileira abriu 2,5 milhões de postos de trabalho — formais e informais combinados — segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados. Nos mesmos seis meses, os Estados Unidos geraram apenas 524 mil vagas. A diferença é gritante: o Brasil criou quase cinco vezes mais empregos.

O contraste fica ainda mais marcado quando se olha apenas para o mercado formal, aquele com carteira assinada. No Brasil, as contratações superaram as demissões em 1,2 milhão de vagas no primeiro semestre. Nos EUA, o total de novas posições foi pouco mais da metade disso. A taxa de desemprego brasileira caiu para 5,8%, o menor nível já registrado na série histórica do país.

Daniel Duque, economista do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas, descreve o desempenho do mercado de trabalho brasileiro como "surpreendente". Isso é particularmente notável porque, no final de 2024, havia sinais de que a economia estava desacelerando. A taxa básica de juros, a Selic, havia subido para 15% ao ano em maio, um nível que historicamente pressiona o emprego para baixo. Mas a desaceleração esperada não se concretizou. "Esse movimento parou", afirma Duque.

Paulo Gala, economista do Banco Master, vê uma recuperação robusta do mercado de trabalho brasileiro apesar das taxas de juros altas e da turbulência política interna — incluindo o processo no Supremo Tribunal Federal contra Jair Bolsonaro e aliados acusados de participação em uma trama golpista. Ambos os economistas, porém, reconhecem que essa força não durará indefinidamente. As tarifas de Trump, que entraram em vigor em 6 de agosto, começarão a exercer pressão sobre o emprego brasileiro, ainda que de forma moderada. As tarifas de 50% incidem sobre menos de 40% das exportações brasileiras para os EUA — o equivalente a cerca de 2% do PIB brasileiro.

A resiliência do mercado de trabalho brasileiro está ligada a um crescimento econômico mais forte do que o previsto. Em 2023 e 2024, as estimativas iniciais apontavam para crescimento do PIB em torno de 1,5%, mas os resultados finais ficaram próximos de 3% ao ano. Há também fatores estruturais em jogo. Com o envelhecimento da população, há menos jovens entrando no mercado de trabalho, e esses jovens tendem a ser mais qualificados que as gerações anteriores, com maior acesso ao ensino superior. Trabalhadores mais qualificados significam maior produtividade.

Nos Estados Unidos, o cenário é radicalmente diferente. Desde que Trump assumiu, a economia contraiu 0,3% no primeiro trimestre. O mercado de trabalho perdeu força. Nos primeiros seis meses do governo Trump, foram criadas 524 mil vagas — pouco mais da metade das 985 mil geradas no mesmo período sob a administração de Joe Biden. Em julho, analistas esperavam 115 mil novos empregos, mas apenas 73 mil se materializaram. O Departamento do Trabalho revisou para baixo os dados de maio e junho, removendo 258 mil empregos dos registros oficiais.

Essa revisão levou Trump a demitir Erika McEntarfer, responsável pelo Escritório das Estatísticas do Trabalho, acusando-a de manipular os relatórios para "fins políticos". O presidente também quer demitir Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, que se recusa a ceder às pressões da Casa Branca para reduzir as taxas de juros, que estão entre 4,25% e 4,5% ao ano. As incertezas políticas e econômicas têm custos reais. Com menos oferta de empregos, os americanos sentirão mais o peso da inflação, que deve se manter elevada devido ao encarecimento de produtos importados pelas tarifas. Além disso, o mercado de trabalho começará a enfrentar escassez de mão de obra em atividades básicas, uma consequência direta da política anti-imigração de Trump.

O Brasil vem registrando um desempenho surpreendente quando se trata de criação de empregos
— Daniel Duque, economista do Instituto Brasileiro de Economia
A tendência é clara de perda de força no mercado de trabalho norte-americano
— Paulo Gala, economista do Banco Master
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que o Brasil consegue criar tantos empregos enquanto os EUA desaceleram?

Model

Tem a ver com crescimento econômico mais forte do que o esperado e com fatores demográficos. Menos jovens entram no mercado, mas são mais qualificados, o que aumenta a produtividade.

Inventor

E as tarifas de Trump não vão prejudicar isso?

Model

Vão, mas de forma moderada. As tarifas incidem sobre menos de 40% das exportações brasileiras para os EUA, equivalente a cerca de 2% do PIB. O impacto será gradual.

Inventor

Como Trump reagiu aos números ruins de emprego nos EUA?

Model

Demitiu a responsável pelo Escritório das Estatísticas do Trabalho, acusando-a de manipular dados. Também quer demitir o presidente do Federal Reserve porque ele não reduz os juros como Trump quer.

Inventor

Qual é a perspectiva para o Brasil a longo prazo?

Model

Os economistas acham que o mercado de trabalho vai perder força, mas lentamente. A resiliência atual é real, mas não é infinita.

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E para os EUA?

Model

A tendência é clara de perda de força. Com menos empregos e inflação resistente, os americanos vão sentir mais pressão. Além disso, a política anti-imigração vai criar escassez de mão de obra em atividades básicas.

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