Brasil cria 180 mil empregos em abril, mas registra queda de 12,4% ante 2022

Paraíba, Pernambuco e Alagoas registraram demissões líquidas, afetando principalmente setor de fabricação de açúcar, impactando trabalhadores locais.
O padrão sazonal costuma trazer aumento, o que não ocorreu desta vez
Analista do IBGE sobre a estabilidade atípica da taxa de desemprego em abril.

Em abril de 2023, o Brasil adicionou 180 mil postos formais de trabalho — um número que, ao mesmo tempo em que confirma a continuidade da geração de empregos, revela uma desaceleração de 12,4% frente ao mesmo período do ano anterior. O mercado de trabalho brasileiro caminha, assim, entre dois ritmos distintos: o da recuperação gradual, evidenciada pela menor taxa de desemprego desde 2015, e o da moderação, sentida especialmente nos estados nordestinos onde o setor sucroalcooleiro deixou saldos negativos. É o retrato de uma economia que avança, mas não de forma uniforme para todos.

  • A geração de 180 mil empregos formais em abril soa positiva, mas esconde uma queda de 12,4% em relação a abril de 2022, acendendo alertas sobre a perda de fôlego na criação de vagas.
  • Paraíba, Pernambuco e Alagoas registraram demissões líquidas, puxadas pela crise no setor de fabricação de açúcar — a Paraíba acumula o pior saldo entre todos os estados no período de janeiro a abril.
  • A taxa de desemprego recuou para 8,5% no primeiro trimestre, o menor nível para esse período desde 2015, surpreendendo analistas ao romper o padrão sazonal de alta da desocupação.
  • O número de desalentados — brasileiros que desistiram de buscar emprego — caiu 4,8% em relação ao trimestre anterior e 15,3% frente a abril de 2022, sinalizando renovação da confiança no mercado.
  • A remuneração média dos novos contratados subiu para R$ 2.015,58, superando a inflação e o valor registrado em abril do ano anterior, o que aponta para uma melhora real no poder de compra dos trabalhadores.
  • No plano global, a OIT projeta leve queda no desemprego mundial em 2023, atribuindo a resiliência ao desempenho acima do esperado nos países de alta renda — contexto que enquadra, mas não explica sozinho, a trajetória brasileira.

Em abril de 2023, o Ministério do Trabalho e Emprego divulgou que o Brasil criou 180 mil empregos formais no mês — fruto de 1,865 milhão de contratações contra 1,685 milhão de demissões, segundo o Caged. O dado, porém, vem acompanhado de uma ressalva: representa queda de 12,4% em relação a abril de 2022, quando foram abertas 205,49 mil vagas. No acumulado de janeiro a abril, a retração chega a 14,5%, com 705,7 mil postos criados ante 825,49 mil no mesmo período do ano anterior.

Apesar da desaceleração, o quadro geral apresenta sinais encorajadores. A taxa de desemprego recuou para 8,5% no primeiro trimestre — o menor índice para esse período desde 2015 —, e a analista do IBGE Alessandra Brito destacou que a estabilidade foi atípica, já que o padrão sazonal costuma trazer aumento da desocupação entre fevereiro e abril. A remuneração média dos admitidos chegou a R$ 2.015,58, acima da inflação e superior ao valor registrado em março e em abril de 2022.

O cenário, contudo, não foi homogêneo. Paraíba, Pernambuco e Alagoas registraram perdas líquidas de postos, impulsionadas pela crise no setor de fabricação de açúcar. A Paraíba foi o estado mais afetado: 17.141 demissões contra 13.960 contratações resultaram em saldo negativo de 3 mil vagas, e o estado acumula o pior desempenho entre todas as unidades da federação no período de janeiro a abril.

Outro indicador positivo foi a redução do desalento: 3,8 milhões de brasileiros haviam desistido de procurar emprego em abril, queda de 192 mil pessoas (4,8%) frente ao trimestre anterior e de 15,3% em relação a abril de 2022. No plano internacional, a OIT projeta que o desemprego mundial recue de 192 milhões para 191 milhões de pessoas em 2023, atribuindo a resiliência ao desempenho melhor que o esperado nos países de alta renda.

Em abril de 2023, o Brasil gerou 180 mil novos empregos formais, segundo dados divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego na última quarta-feira de maio. O número, porém, carrega uma nuance importante: representa uma queda de 12,4% quando comparado ao mesmo mês do ano anterior, quando foram criadas 205,49 mil vagas. A cifra vem do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que registra a quantia líquida de contratações menos demissões — naquele mês, houve 1,865 milhão de admissões e 1,685 milhão de desligamentos.

Os números acumulados dos primeiros quatro meses de 2023 reforçam essa tendência de desaceleração. Foram criadas 705,7 mil oportunidades formais no período, uma retração de 14,5% frente aos mesmos meses de 2022, quando o país havia gerado 825,49 mil postos. Ainda assim, analistas alertam que comparações com 2020 — quando 981,69 mil empregos foram fechados no pico da pandemia — deixaram de ser recomendadas, já que a metodologia foi alterada pela gestão anterior.

A remuneração média oferecida aos novos contratados em abril foi de R$ 2.015,58, um aumento real acima da inflação em relação a março (R$ 1.971,11) e também superior ao valor de abril de 2022 (R$ 1.980,61). Todos os setores da economia nacional registraram criação de vagas, assim como todas as regiões do país, o que sugere uma distribuição relativamente equilibrada do crescimento.

Mas a história não é uniforme. Três estados nordestinos enfrentaram perdas líquidas de postos de trabalho. A Paraíba registrou a queda mais severa, com diminuição de 3 mil vagas — resultado de 17.141 demissões contra 13.960 contratações. Pernambuco perdeu 2,4 mil postos e Alagoas, 4 mil. O culpado comum foi o setor de fabricação de açúcar, que vem sendo atingido negativamente. A situação da Paraíba é particularmente crítica quando se observa o acumulado de janeiro a abril: o estado apresenta o pior saldo de empregos formais entre todas as unidades da federação.

O quadro geral, contudo, mostra sinais de recuperação. A taxa de desemprego caiu para 8,5% no primeiro trimestre, o menor índice para um trimestre encerrado em abril desde 2015, quando havia atingido 8,1%. Alessandra Brito, analista do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), destacou que essa estabilidade é atípica: o padrão sazonal para fevereiro-março-abril costuma trazer aumento da desocupação, o que não ocorreu desta vez.

Outro indicador positivo é a redução do desalento. Em abril, 3,8 milhões de brasileiros maiores de 14 anos haviam desistido de procurar emprego — uma queda de 192 mil pessoas (4,8%) em relação ao trimestre anterior. Comparado a abril de 2022, quando havia 4,5 milhões de desalentados, a redução chega a 15,3%. Os motivos mais comuns para o desalento incluem falta de experiência profissional, ausência de oportunidades próximas e pouca idade.

No cenário internacional, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) projeta melhora global. A taxa de desemprego mundial deve cair 0,1 ponto percentual em 2023, chegando a 5,3%, com redução de aproximadamente um milhão de desempregados — de 192 milhões em 2022 para 191 milhões em 2023. A organização atribui essa resiliência não a uma proteção generalizada, mas a um desempenho melhor que o esperado nos países de alta renda.

Essa estabilidade é diferente do que costumamos ver para este período. O padrão sazonal do trimestre móvel fevereiro-março-abril é de aumento da taxa de desocupação, por meio de uma maior população desocupada, o que não ocorreu desta vez
— Alessandra Brito, analista do IBGE
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que a queda de 12,4% em relação a abril de 2022 importa se o país está criando 180 mil empregos?

Model

Porque mostra que o ritmo de criação de vagas está desacelerando. Não é que o Brasil esteja perdendo empregos — está criando menos do que criava há um ano. É a diferença entre crescimento e crescimento mais lento.

Inventor

E esses três estados nordestinos que perderam postos? Por que o açúcar?

Model

O setor de açúcar é fundamental naquela região. Quando ele sofre, não é só uma indústria em dificuldade — são comunidades inteiras que dependem daqueles salários. A Paraíba está em situação particularmente delicada porque acumula perdas desde janeiro.

Inventor

Mas a taxa de desemprego caiu para 8,5%. Isso não contradiz a queda de 12,4%?

Model

Não, porque medem coisas diferentes. O Caged conta apenas empregos formais com carteira assinada. A taxa de desemprego do IBGE inclui o setor informal e é medida por pesquisa domiciliar. Um pode melhorar enquanto o outro desacelera.

Inventor

O que significa essa redução de 192 mil desalentados?

Model

Significa que 192 mil pessoas que haviam desistido de procurar trabalho voltaram a tentar. É um sinal de esperança — quando as pessoas acreditam que há oportunidades, elas voltam ao mercado.

Inventor

A OIT prevendo redução de desemprego global — isso é confiável?

Model

A OIT já errou antes. Ela mesma revisou sua estimativa de janeiro. Mas o fato de estar vendo resiliência nos países ricos é relevante — significa que a economia global não está desabando, mesmo com incertezas.

Contact Us FAQ