Bolsonaristas compartilham vídeo com fake news sobre vacinas de médica do Instituto Veritas

Disseminação de desinformação sobre vacinas pode levar à redução de cobertura vacinal e aumento de casos de doenças preveníveis.
Números específicos soam científicos; as pessoas confundem precisão com verdade.
A estratégia de desinformação usa dados inventados com aparência de rigor para ganhar credibilidade.

Em novembro de 2021, redes bolsonaristas no Telegram tornaram-se canais de amplificação para um vídeo em que uma médica ligada ao Instituto Veritas apresenta alegações falsas sobre as vacinas contra a Covid-19 — incluindo dados inventados sobre alumínio, demência e fetos abortados. A instituição pertence a Nassib, prefeito eleito de Fazenda Rio Grande com histórico negacionista e acusações de vacinação ilegal de aliados políticos. O episódio revela como credenciais médicas podem ser instrumentalizadas para corroer a confiança pública em programas de imunização, com consequências que transcendem o debate político e alcançam a saúde coletiva.

  • Uma médica identificada como Maria Emilia afirma, sem qualquer base científica, que casos de demência e Alzheimer 'vão explodir' após a vacinação contra Covid-19.
  • O vídeo circula ativamente em grupos organizados de apoiadores de Bolsonaro no Telegram, sugerindo uma estratégia coordenada de desinformação e não apenas compartilhamentos espontâneos.
  • O Instituto Veritas, plataforma por trás do conteúdo, é dirigido por um prefeito acusado de vacinar aliados políticos fora do calendário oficial — tornando a instituição símbolo de contradição entre discurso e prática.
  • Especialistas e órgãos de saúde desmentem cada uma das alegações do vídeo, mas a velocidade de circulação nas redes supera a capacidade de resposta das iniciativas de checagem.
  • A cobertura vacinal nacional enfrenta pressão crescente à medida que narrativas falsas ganham legitimidade aparente por virem de figuras com títulos médicos.

Grupos de apoiadores de Jair Bolsonaro no Telegram passaram a circular, em novembro de 2021, um vídeo em que uma médica vinculada ao Instituto Veritas apresenta uma série de alegações falsas sobre as vacinas contra a Covid-19. Entre as afirmações sem respaldo científico estão a de que uma dose da Coronavac conteria 225 microgramas de alumínio — número que não corresponde à composição real do imunizante —, que a vacina da Astrazeneca conteria restos de fetos abortados, e que casos de demência e Alzheimer iriam 'explodir' após a vacinação. A palestrante, identificada como Maria Emilia, já era conhecida por disseminar desinformação sobre imunizantes antes deste episódio.

O Instituto Veritas, que serve de plataforma para essas narrativas, pertence ao médico Nassib, eleito prefeito de Fazenda Rio Grande, na região metropolitana de Curitiba, em 2020, com 55,66% dos votos. Filiado ao PSL — mesmo partido pelo qual Bolsonaro foi eleito presidente —, Nassib acumula um histórico negacionista em relação à pandemia e enfrenta acusações graves, incluindo abuso de autoridade e o uso do cargo público para vacinar antecipadamente aliados políticos em funções administrativas, desrespeitando o calendário vacinal oficial.

O padrão de disseminação do vídeo por redes políticas organizadas aponta para uma amplificação deliberada da desinformação. Quando figuras com credenciais médicas — ainda que contestadas — propagam alegações falsas sobre segurança e composição de vacinas, o impacto potencial sobre a confiança pública nos programas de imunização se torna uma ameaça concreta à saúde coletiva.

Grupos de apoiadores de Jair Bolsonaro no Telegram estão circulando um vídeo que contém informações falsas sobre vacinas contra a Covid-19. No material, uma médica ligada ao Instituto Veritas apresenta dados inventados com o objetivo de minar a credibilidade dos programas de imunização. A instituição é dirigida pelo médico Nassib, conhecido por sua postura negacionista em relação à pandemia.

No vídeo em questão, a médica afirma que casos de demência e Alzheimer após vacinação "vão explodir" — uma alegação sem fundamento científico. Ela também declara que uma única dose da Coronavac contém 225 microgramas de alumínio, número que não corresponde à composição real do imunizante. Em outras passagens, a palestrante sustenta que a vacina da Astrazeneca contém restos de fetos abortados, outra afirmação desmentida por especialistas e órgãos de saúde. A médica, identificada como Maria Emilia, já era conhecida por disseminar desinformação sobre imunizantes antes deste vídeo.

O Instituto Veritas, que funciona como plataforma para essas narrativas, pertence a Nassib, eleito prefeito de Fazenda Rio Grande, na região metropolitana de Curitiba, em 2020. Ele venceu a disputa com 55,66% dos votos contra 29,04% do candidato Chico Santos, do PSD. Nassib é filiado ao PSL, o mesmo partido pelo qual Bolsonaro foi eleito presidente. Antes de chegar à prefeitura, ele já havia atuado como vice-prefeito e vereador, sendo o mais votado na história do município.

Apesar de sua posição de autoridade sanitária, Nassib é acusado de múltiplas infrações. As denúncias incluem abuso de autoridade, concussão, condescendência criminosa, prevaricação e crime de responsabilidade. Mais grave ainda é a acusação de ter utilizado seu cargo público para vacinar aliados políticos que ocupam funções administrativas e burocráticas de forma antecipada e ilegal, desrespeitando completamente o calendário vacinal estabelecido. Ele também é acusado de infringir medidas sanitárias preventivas.

O padrão de disseminação desse conteúdo falso através de redes Telegram bolsonaristas aponta para uma estratégia coordenada de amplificação de desinformação sobre imunizantes. A circulação de alegações infundadas sobre composição, efeitos colaterais e segurança das vacinas em grupos políticos organizados representa um risco direto à confiança pública nos programas de vacinação. Quando figuras públicas com credenciais médicas — ainda que questionáveis — propagam essas narrativas, o impacto potencial na cobertura vacinal e na saúde coletiva se torna ainda mais preocupante.

Casos de demência e Alzheimer após vacinação vão explodir
— Maria Emilia, médica palestrante do Instituto Veritas (alegação falsa)
Vacinas da Astrazeneca possuem restos de fetos abortados
— Maria Emilia, em palestra do Instituto Veritas (alegação falsa)
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que um prefeito de uma cidade pequena está envolvido em disseminar desinformação sobre vacinas em escala nacional?

Model

Nassib não é apenas um prefeito local. Ele usa o Instituto Veritas como plataforma de alcance, e seus apoiadores no Telegram amplificam o conteúdo para redes muito maiores. A posição dele lhe dá uma aparência de autoridade que torna a desinformação mais persuasiva.

Inventor

A acusação de vacinar aliados políticos ilegalmente — isso é apenas corrupção, ou tem a ver com a desinformação que ele espalha?

Model

São duas faces da mesma moeda. Se você nega a seriedade da pandemia e desconfia das vacinas, por que respeitaria o calendário vacinal? A desinformação justifica, na mente dele, as ações que toma.

Inventor

Maria Emilia inventa números muito específicos — 225 microgramas de alumínio. Por que ser tão preciso quando se mente?

Model

Números específicos soam científicos. As pessoas confundem precisão com verdade. Um número redondo parece suspeito; um número exato parece como se viesse de um documento real.

Inventor

Qual é o risco real aqui além da desinformação em si?

Model

O risco é que pessoas deixem de se vacinar. Demência após vacinação, fetos em vacinas — essas narrativas tocam em medos profundos. Se alguém acredita nisso, não vai se imunizar, e seus filhos também não.

Inventor

Por que o Telegram é o lugar onde isso se espalha?

Model

Telegram tem grupos privados, sem moderação visível, sem algoritmo que limite alcance. É o espaço perfeito para redes políticas organizadas amplificarem conteúdo sem serem questionadas.

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