Mantém empregos qualificados e gera divisas para a economia
Desde 1997, o BNDES e a Embraer constroem juntos uma das raras histórias brasileiras de presença soberana no mercado global de alta tecnologia. Em 2023, esse vínculo se renovou com força: sete operações de financiamento, somando até dez bilhões de reais, garantirão a entrega de 67 aeronaves comerciais a companhias aéreas internacionais até 2025. O gesto revela como o Estado brasileiro continua apostando na indústria aeronáutica como vetor de empregos qualificados, geração de divisas e afirmação de competência técnica diante do mundo.
- O BNDES aprovou e contratou sete operações em 2023, mobilizando até R$ 10 bilhões para sustentar exportações da Embraer a SkyWest, American Airlines e Azorra Aviation.
- A urgência é estratégica: sem esse financiamento público, contratos dessa escala com compradores internacionais dificilmente se concretizariam dentro do prazo de entrega previsto para 2025.
- Duas das operações foram blindadas com o Seguro de Crédito à Exportação, protegendo o crédito contra inadimplência, guerras, moratórias e desastres naturais — gerando cerca de R$ 300 milhões em prêmios para o Fundo Garantidor de Exportação.
- O financiamento ancora empregos de alta qualificação no Brasil e injeta divisas na economia, alinhando-se à política federal de internacionalização de empresas nacionais.
- Com US$ 25,6 bilhões e 1.300 aeronaves financiadas desde 1997, o banco consolida seu papel como pilar estrutural de uma indústria que projeta tecnologia brasileira para o mundo.
No encerramento de 2023, o BNDES anunciou sete operações de financiamento somando até dez bilhões de reais, destinadas a viabilizar a venda de aeronaves Embraer para o mercado internacional. Os recursos permitirão a produção e entrega de 67 jatos comerciais até 2025 para três compradores: a SkyWest Airlines, que receberá dez aeronaves E-175; a American Airlines, com até onze jatos do mesmo modelo; e a Azorra Aviation Holdings, especializada em leasing, que adquirirá até dezoito aeronaves das famílias E-195-E2 e E-190-E2. Só as operações com American Airlines e Azorra, avaliadas em mais de sete bilhões de reais, mobilizarão cerca de seis bilhões em crédito direto do banco.
O BNDES enquadrou o investimento como ação estratégica, não como mera transação comercial. Exportar aeronaves, argumentou a instituição, significa preservar e ampliar empregos de alta qualificação, gerar divisas e fortalecer a presença brasileira em um mercado global de tecnologia de ponta. Duas das operações foram estruturadas com o Seguro de Crédito à Exportação, mecanismo que cobre riscos que vão da inadimplência a guerras e desastres naturais, gerando aproximadamente trezentos milhões de reais em novos prêmios para o Fundo Garantidor de Exportação, vinculado ao Ministério da Fazenda.
O anúncio ganha peso quando visto em perspectiva histórica: desde 1997, o BNDES financiou cerca de US$ 25,6 bilhões em exportações da Embraer, viabilizando a venda de 1.300 aeronaves. Ao longo de quase três décadas, o banco transformou-se em peça central de uma indústria que, diferentemente de muitos setores brasileiros, mantém presença global e produz tecnologia de fronteira dentro do país.
No final de 2023, o BNDES anunciou um pacote de financiamento que colocava a instituição mais uma vez no centro da estratégia de exportação brasileira. Sete operações aprovadas e contratadas somavam até dez bilhões de reais — recursos destinados a viabilizar a venda de aeronaves Embraer para o mercado internacional. O banco de fomento divulgou os números em nota à imprensa no início de janeiro, apresentando o resultado como prova de seu papel na sustentação de uma indústria de ponta.
O financiamento permitiria a produção e entrega de 67 aeronaves comerciais até 2025, segundo o BNDES. Três companhias aéreas internacionais eram os destinos principais: a SkyWest Airlines receberia dez jatos modelo E-175, capazes de transportar até 76 passageiros; a American Airlines adquiriria até onze aeronaves do mesmo modelo; e a Azorra Aviation Holdings, empresa norte-americana especializada em leasing de aviões, compraria até dezoito jatos E-195-E2 e E-190-E2, com capacidades de 146 e 114 lugares respectivamente. Apenas as operações com a American Airlines e a Azorra — que somavam mais de sete bilhões de reais em valor total — utilizariam cerca de seis bilhões em financiamento direto do BNDES.
O banco justificou o investimento em termos que extrapolavam a simples transação comercial. As exportações de aeronaves, argumentou o BNDES, ampliavam e mantinham empregos de elevada qualificação no país, geravam divisas importantes para a economia e alinhavam-se à política federal de apoio à exportação. Tratava-se, na visão da instituição, de operações estratégicas inseridas em um esforço maior do Governo Federal para aumentar a competitividade das exportações brasileiras e incentivar a atuação de empresas nacionais no mercado internacional.
Duas das três operações — as da American Airlines e da Azorra — foram estruturadas com o Seguro de Crédito à Exportação, um mecanismo que protegia o crédito contra riscos comerciais, políticos e extraordinários. Esse arranjo geraria aproximadamente trezentos milhões de reais em novos prêmios de seguro para o Fundo Garantidor de Exportação, um fundo de natureza contábil vinculado ao Ministério da Fazenda. O seguro cobria desde o não pagamento por falência ou inadimplência até moratórias, guerras, revoluções e desastres naturais que pudessem afetar a produção ou comercialização de bens e serviços brasileiros no exterior.
O contexto histórico ampliava o significado do anúncio. Desde 1997, o BNDES havia financiado aproximadamente vinte e cinco bilhões e seiscentos milhões de dólares em exportações da Embraer, viabilizando a venda de mil e trezentas aeronaves. O banco consolidava, assim, seu papel como instrumento central no desenvolvimento da indústria aeronáutica nacional — um setor que, diferentemente de muitos outros, mantinha presença global e gerava tecnologia de ponta dentro do Brasil.
Citações Notáveis
As exportações de aeronaves ampliam e mantêm empregos de elevada qualificação e geram divisas importantes para a economia do país— BNDES
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Por que o BNDES precisa financiar essas vendas? A Embraer não consegue vender sozinha?
A Embraer vende, mas o financiamento é o que torna a venda possível em escala. Companhias aéreas precisam de crédito para comprar aviões — são máquinas caríssimas. Sem o BNDES, o custo do dinheiro seria muito maior, ou simplesmente não haveria venda.
E por que isso importa para o Brasil? Não é só lucro da Embraer?
Não. Cada avião vendido significa empregos qualificados mantidos aqui — engenheiros, técnicos, operários. Significa divisas entrando no país. Significa que a indústria brasileira consegue competir globalmente em algo que exige tecnologia real.
Esses trezentos milhões em prêmios de seguro — quem paga?
A Embraer ou as companhias aéreas pagam prêmios ao fundo. É um custo da operação. Mas o fundo protege contra riscos que ninguém quer correr sozinho — guerra, revolução, desastre natural.
Vinte e cinco bilhões de dólares desde 1997 — é muito ou pouco?
Para uma indústria que exporta aviões para o mundo inteiro, é o que mantém a máquina funcionando. Mas também mostra que o BNDES está profundamente amarrado ao sucesso da Embraer. Se a empresa vai bem, o banco vai bem.
E se essas companhias aéreas não pagarem?
O seguro cobre. Mas aí o fundo arca com o prejuízo, e no fim é o dinheiro público que absorve o risco.