Bitcoin recupera US$ 40 mil, mas analistas apostam em nova queda; Stepn dispara 40%

Traders entediados tornam-se impacientes, gerando pressão de venda em bloco
Analista explica por que recuperações laterais em criptomoedas frequentemente precedem quedas mais profundas.

O Bitcoin voltou a cruzar a marca de US$ 40 mil na manhã de terça-feira, mas o alívio carrega a sombra da incerteza: analistas leem o movimento como uma pausa antes de nova queda, não como uma virada. Em meio ao peso dos juros americanos e à volatilidade estrutural do mercado cripto, o episódio revela a tensão permanente entre o otimismo de longo prazo e a fragilidade do curto prazo — enquanto o Brasil, ao fundo, avança nos primeiros passos de uma regulamentação que pode redefinir o setor.

  • O Bitcoin sobe 4,3% e rompe US$ 40 mil, mas a recuperação coincide com uma alta na Nasdaq — sinal de que a cripto ainda segue o ritmo dos mercados tradicionais, não o seu próprio.
  • Especialistas alertam: mercados laterais em ativos digitais são mercados fracos, e traders entediados tendem a gerar pressão de venda que pode empurrar o Bitcoin de volta a US$ 37 mil.
  • O temor com o aumento de juros nos EUA e a redução do balanço do Fed continuam pesando sobre ativos de risco, e a queda de cerca de 17% no mês anterior não encontra explicação simples.
  • Enquanto o Bitcoin tropeça, a Stepn (GMT) dispara 41,7% e a Terra (LUNA) sobe 14,5%, mostrando que partes do mercado cripto ainda encontram fôlego próprio.
  • O Projeto de Lei 3825/2019 é pautado no Senado Federal, trazendo regras sobre supervisão da CVM e proteção dos fundos dos clientes em exchanges — um primeiro passo concreto rumo à regulamentação do mercado cripto brasileiro.

Na manhã de terça-feira, o Bitcoin operava a US$ 40.703, em alta de 4,3%, acompanhado pelo Ethereum, que subia 4,5% e chegava a US$ 3.043. A recuperação vinha após uma segunda-feira de quedas que havia apagado todos os ganhos de março, e coincidia com uma alta na Nasdaq — reforçando a correlação entre criptomoedas e mercados tradicionais.

Mas os especialistas mantinham cautela. Jeff Dorman, da gestora Arca, descreveu mercados laterais em ativos digitais como mercados fracos: sem alta sustentada, a tendência é a queda. O trader Vinícius Terranova apontava múltiplos níveis de resistência à frente e projetava um retorno abaixo de US$ 40 mil nos dias seguintes, com possível alvo em US$ 37 mil. O pano de fundo era o temor com o aumento de juros nos Estados Unidos e a redução do balanço do Federal Reserve — fatores que penalizam ativos considerados arriscados.

Para quem olhava mais longe, porém, o cenário era outro. Alexandre Ludolf, da QR Asset, lembrava que a história do Bitcoin mostra um padrão consistente: com horizonte de dois anos, mesmo compras feitas no pior momento tenderam a se pagar. A queda de mais de 40% desde a máxima de US$ 69 mil, dizia ele, não deveria afastar o investidor de longo prazo.

Enquanto o Bitcoin enfrentava resistências, algumas altcoins ganhavam vida própria. A Stepn (GMT), token de um projeto que recompensa usuários por praticar exercícios físicos, disparava 41,7% em 24 horas. A Terra (LUNA) subia 14,5%, impulsionada pela adoção crescente da stablecoin UST, que havia ultrapassado a Binance USD e se tornado a terceira maior do mundo.

No campo regulatório, o Projeto de Lei 3825/2019 foi pautado para o plenário do Senado Federal. O texto, de autoria do senador Flávio Arns, trazia mudanças relevantes: colocava sob supervisão da CVM as ofertas públicas de criptoativos com direito de participação ou remuneração, e reforçava que as criptos depositadas em exchanges pertencem aos usuários — não podendo ser usadas como garantia ou bloqueadas judicialmente. Especialistas viam o PL como um primeiro passo sólido rumo a uma regulamentação mais ampla do mercado cripto no Brasil.

Na terça-feira de manhã, o Bitcoin recuperava terreno perdido, negociado a US$ 40.703 e em alta de 4,3% nas últimas 24 horas. O Ethereum acompanhava o movimento com ganho de 4,5%, chegando a US$ 3.043. A recuperação vinha após um dia de queda na segunda-feira que havia apagado todos os ganhos acumulados em março, e sinalizava novamente a forte correlação entre criptomoedas e mercados tradicionais — o salto do Bitcoin coincidia com uma alta na Nasdaq.

Mas especialistas não estavam convencidos. O movimento, diziam, tinha toda a aparência de uma recuperação de curto prazo destinada a preceder uma queda mais profunda. Jeff Dorman, diretor de investimentos da gestora Arca, descreveu mercados laterais em ativos digitais como mercados fracos — se não estão subindo, devem estar caindo. Traders entediados, escreveu, ficam impacientes e geram pressão de venda em bloco. O trader Vinícius Terranova apontava que o Bitcoin enfrentava vários níveis de resistência pela frente e que era cada vez mais difícil acreditar em uma alta sustentada. O cenário mais provável, segundo ele, era uma volta abaixo de US$ 40 mil nos dias seguintes, com possível alvo em torno de US$ 37 mil.

O contexto macroeconômico pesava. O fator preponderante continuava sendo o temor dos investidores com relação ao aumento de juros nos Estados Unidos e à redução do balanço patrimonial do Federal Reserve — movimentos que atingem em cheio os ativos considerados mais arriscados. A queda de segunda-feira havia coincidido com o fim do prazo para declaração do imposto de renda americano, o que estimulou alguns investidores a liquidar posições para declarar menos criptoativos às autoridades. Mas analistas não acreditavam que esse fator explicasse a queda de cerca de 17% do Bitcoin desde o mês anterior.

Apesar da perspectiva sombria para o curto prazo, quem acompanhava o mercado com horizonte mais longo mantinha otimismo. Alexandre Ludolf, diretor de investimentos da QR Asset, lembrava que a história mostrava um padrão: com apetite de risco e estômago para suportar a volatilidade, investimentos em Bitcoin se pagavam em menos de dois anos, mesmo quando comprados no pior momento. A queda de mais de 40% desde a máxima de US$ 69 mil não deveria afastar o investidor de longo prazo.

Enquanto o Bitcoin enfrentava resistências, algumas altcoins ganhavam independência. O destaque era a Stepn (GMT), um token de um projeto que paga usuários por praticar exercícios físicos, que disparava 41,7% em 24 horas. A Terra (LUNA) subia 14,5% após dias de forte queda, impulsionada pela forte adoção da Terra USD (UST), que havia ultrapassado a Binance USD (BUSD) e se tornado a terceira maior stablecoin do mundo.

No front regulatório, o Projeto de Lei 3825/2019, de autoria do senador Flávio Arns, que trata da regulação do mercado de criptomoedas no Brasil, foi pautado para a sessão do plenário do Senado Federal naquele dia. O texto trazia mudanças de última hora, incluindo um artigo que colocava sob supervisão da Comissão de Valores Mobiliários as ofertas públicas de criptoativos que gerassem direito de participação, parceria ou remuneração. Reforçava também a separação dos fundos dos clientes das exchanges, deixando claro que as criptos depositadas pertenciam aos usuários e não podiam ser usadas como garantia para empréstimos ou bloqueadas judicialmente. Especialistas viam o PL como um bom primeiro passo rumo a uma regulamentação mais ampla do mercado cripto no país.

Em outras movimentações, a exchange mexicana Bitso anunciava a contratação de Thales Araújo de Freitas como gerente nacional de sua operação no Brasil, com a tarefa de tornar a empresa a maior exchange de criptomoedas do país até o final de 2022. A BNB Chain, por sua vez, executava a queima de mais de 1,8 milhão de unidades de Binance Coin, retirando aproximadamente US$ 741 milhões em tokens de circulação — uma estratégia comum entre projetos cripto para estimular alta de preços.

Em ativos digitais, um mercado de lado é frequentemente visto como um mercado fraco, porque se não está subindo, deve estar caindo
— Jeff Dorman, diretor de investimentos da Arca
Se você tiver um apetite de risco e estômago para aguentar a volatilidade, em menos de dois anos, no geral, o investimento em Bitcoin se paga mesmo que você compre no pior momento
— Alexandre Ludolf, diretor de investimentos da QR Asset
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que analistas descrevem esse movimento do Bitcoin como "lateral" se ele subiu 4,3%?

Model

Porque 4,3% em 24 horas é volatilidade normal em criptomoedas. O que importa é a direção de médio prazo. Se o preço fica oscilando dentro de uma faixa — sobe um pouco, cai um pouco, mas não rompe para cima com força — isso é um mercado sem direção clara, um mercado fraco.

Inventor

E por que um mercado fraco em criptomoedas é tão diferente de um mercado fraco em ações?

Model

Porque em criptomoedas, a volatilidade é muito maior e os traders são mais impacientes. Quando não há movimento claro para cima, eles ficam entediados e ansiosos. Isso gera pressão de venda em bloco — muita gente vendendo ao mesmo tempo.

Inventor

Então o analista está dizendo que essa recuperação é uma armadilha?

Model

Não exatamente uma armadilha. É mais que o movimento de hoje é típico do que acontece antes de uma queda maior. A recuperação é real, mas frágil. Há vários níveis de resistência pela frente — zonas onde há muito interesse em vender.

Inventor

E o Federal Reserve? Como isso afeta o preço?

Model

O Fed está aumentando juros e reduzindo seu balanço. Isso torna investimentos em ativos mais arriscados menos atraentes. Bitcoin é considerado muito arriscado. Então quando há sinais de aperto monetário, investidores saem de criptomoedas e vão para ativos mais seguros.

Inventor

Mas por que alguns tokens como Stepn subiram 41% enquanto Bitcoin estava em dúvida?

Model

Porque Stepn é um projeto específico com sua própria narrativa — pagar pessoas por exercício. Quando um projeto tem uma história nova e interessante, pode ganhar atenção independentemente do que Bitcoin está fazendo. É como uma ação individual que sobe enquanto o índice cai.

Inventor

E essa regulação que o Senado vai votar — muda o jogo?

Model

Muda, mas devagar. É um primeiro passo. Deixa claro que seus criptoativos em uma exchange são seus, não podem ser bloqueados ou usados como garantia. Isso dá segurança jurídica. Mas é só o começo de uma regulamentação muito mais ampla que ainda vai levar tempo.

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