O sentimento agora é o mesmo de quando o mercado entrou em colapso
Bitcoin caiu 7,8% em 24 horas, atingindo US$ 79 mil, seu menor valor em quase 4 meses, acumulando perdas de 27% desde a posse de Trump. Mercado cripto perdeu US$ 235 bilhões em valor em apenas um dia; Ethereum, XRP e Cardano também registraram quedas de 9% a 10%.
- Bitcoin caiu 7,8% em 24 horas, atingindo US$ 79 mil, seu menor valor desde 10 de novembro de 2024
- Mercado cripto perdeu US$ 235 bilhões em valor em um único dia
- Bitcoin acumula perdas de 27% desde a posse de Trump em 20 de janeiro
- Analistas projetam possíveis quedas até US$ 73.800 ou até US$ 58.800
Bitcoin despencou mais de 8% em 24 horas, caindo abaixo de US$ 80 mil pela primeira vez desde novembro de 2024. Analistas apontam que a queda pode se aprofundar ainda mais, com possíveis suportes em US$ 75.900 a US$ 58.800.
O Bitcoin despencou abaixo da marca de US$ 80 mil na madrugada desta sexta-feira, atingindo seu menor valor em quase quatro meses e reavivando o espectro de um novo "inverno cripto". A queda foi brutal: em apenas 24 horas, a moeda digital perdeu mais de 8%, sendo negociada por volta de US$ 79 mil às primeiras horas da manhã. Desde o pico alcançado no dia da posse de Donald Trump, em 20 de janeiro, o Bitcoin acumula perdas superiores a 27%.
O movimento não se limitou ao Bitcoin. O mercado de criptomoedas inteiro entrou em colapso, com o Ethereum recuando 9,6%, o XRP caindo 9,1% e o Cardano cedendo mais de 10%. Em um único dia, o setor perdeu US$ 235 bilhões em valor de mercado. Caroline Bowler, CEO da BTC Markets, comparou o sentimento atual ao de 2022, quando o setor enfrentou seu maior período de contração. "Essa queda pode ser vista como uma resposta aos medos macro sobre as tarifas de Trump e à incerteza geopolítica", afirmou ela à Bloomberg.
O contexto que alimenta o pânico é complexo. Investidores institucionais estão saindo do setor de criptomoedas em massa, assustados pela onda de aumentos nas tarifas comerciais dos Estados Unidos sobre importações do México, Canadá e China. A aversão ao risco se generalizou nos mercados financeiros globais. Stefan von Haenisch, diretor de negociação de balcão na custodiante Bitgo, observou que os traders ainda aguardam medidas concretas do governo Trump para o setor, incluindo a criação de uma reserva de Bitcoin — algo que não se materializou até agora.
A fraqueza também reflete problemas no mercado de ações. A Nvidia, gigante de tecnologia, perdeu sua posição entre as empresas com capitalização superior a US$ 3 trilhões após suas ações despencarem mais de 8% na quinta-feira. A empresa viu seu valor de mercado reduzido em aproximadamente US$ 273 bilhões, caindo para US$ 2,94 trilhões. Essa turbulência no setor de tecnologia tem pressionado o Bitcoin, que historicamente se beneficia do otimismo em relação a inovação e crescimento.
Do ponto de vista técnico, o cenário é preocupante para quem aposta na recuperação. A perda do suporte em torno de US$ 83 mil abriu espaço para novas quedas. Ana de Mattos, analista técnica parceira da plataforma Ripio, projeta que se a pressão vendedora continuar, o Bitcoin pode buscar suporte entre US$ 78.800 e US$ 75.900. Rodrigo Paz, analista do InfoMoney, é ainda mais pessimista: o rompimento do suporte de US$ 80 mil abre caminho para quedas até US$ 73.800. Se essa região também ceder, correções mais profundas podem levar a moeda até US$ 66.500 ou até US$ 58.800, com um suporte mais distante em US$ 54.580.
Os olhos do mercado agora se voltam para os investidores institucionais e para os fluxos dos fundos de Bitcoin negociados em bolsa (ETFs), que impulsionaram a valorização nos últimos meses mas agora mostram sinais de enfraquecimento. No mercado de derivativos, o volume de contratos de venda (puts) com preço de exercício de US$ 70 mil é o segundo mais alto entre todos os contratos que expiram nesta sexta-feira, com um valor total de US$ 4,9 bilhões — um indicador claro de que investidores estão se protegendo contra quedas ainda maiores.
Citações Notáveis
A última vez que vimos um sentimento como esse foi em 2022. Essa queda pode ser vista como uma resposta aos medos macro sobre as tarifas de Trump e à incerteza geopolítica.— Caroline Bowler, CEO da BTC Markets
Dado o ambiente macro, não é surpreendente ver que estamos onde estamos. Os traders ainda estão esperando que Trump apresente medidas concretas para o setor, incluindo uma reserva de Bitcoin.— Stefan von Haenisch, diretor de negociação de balcão na Bitgo
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Por que o Bitcoin caiu tão rápido? Parecia estar em alta há poucos meses.
Estava, sim. Mas o mercado mudou de humor quando Trump começou a aumentar tarifas comerciais. Isso assustou investidores institucionais, que saíram do setor cripto em massa.
Então é só sobre tarifas?
Não é só. A Nvidia também despencou, e isso afeta o sentimento geral sobre tecnologia. Quando o mercado de ações fica nervoso, o Bitcoin sofre junto.
Os analistas acham que vai cair mais?
Sim. Alguns projetam quedas até US$ 73.800, outros até US$ 58.800. Tudo depende de onde o preço encontra suporte técnico.
E os ETFs de Bitcoin? Eles não deveriam estar comprando?
Estavam, e foi isso que manteve o preço alto. Mas agora estão mostrando sinais de enfraquecimento. Os investidores institucionais estão saindo, não entrando.
Isso é como 2022?
Muito parecido. A CEO da BTC Markets disse que o sentimento agora é o mesmo de quando o mercado cripto entrou em colapso em 2022. Por isso falam em "inverno cripto" novamente.