Absorvi de maneira muito natural essa cultura
Festas juninas voltam ao formato presencial em BH a partir desta sexta-feira, com Alceu Valença como atração principal no sábado. Mais de dez eventos confirmados oferecem shows, barraquinhas, comidas típicas, quadrilhas e brincadeiras tradicionais de São João.
- Festas juninas retomam formato presencial em Belo Horizonte após dois anos de pandemia
- Alceu Valença é atração principal da Festinha Junina no sábado, 28 de maio
- Mais de dez eventos confirmados entre maio e julho, com shows, comidas típicas e brincadeiras tradicionais
- Cidade Junina funcionará de 10 de junho a 31 de julho com roda-gigante de 36 metros de altura
Belo Horizonte retoma programação de festas juninas presenciais após dois anos de pandemia, com diversos eventos confirmados incluindo shows de Alceu Valença, comidas típicas e atrações tradicionais.
Dois anos. Foi quanto tempo levou para que Belo Horizonte voltasse a celebrar suas festas juninas do jeito que sempre fez — com gente de verdade, música ao vivo, comida quente e a desculpa perfeita para dançar até tarde. A pandemia de Covid-19, que começou em março de 2020, havia congelado tudo: shows, concertos, peças, festivais. Mas agora, com a vacinação avançando e as cidades reabrindo seus calendários culturais, as celebrações de São João finalmente voltam aos palcos e às ruas da capital mineira.
O pernambucano Alceu Valença chega à cidade neste sábado para esquentar a fogueira. Desde criança em São Bento do Una, ele cresceu cercado pela tradição junina — parentes tocando sanfona, quadrilhas, violeiros cantando. "Absorvi de maneira muito natural essa cultura", diz o compositor, que durante a pandemia gravou e lançou quatro discos relendo seu próprio repertório. Para ele, voltar aos palcos em Belo Horizonte é especial. Tem duas afilhadas na cidade, Helena e Mariana, e sempre considera um prazer apresentar seus sucessos aqui. Na Festinha Junina, no bairro Olhos D'Água, ele traz "Anunciação", "Coração Bobo", "Táxi Lunar" e "Papagaio do Futuro", além de clássicos de Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro.
Mas Alceu é apenas o começo. A programação de festas juninas em Belo Horizonte se estende por todo o mês de junho e além. Nesta sexta-feira, o Mercado Distrital do Cruzeiro recebe o Arraiá no Distrital, com Pedro Leite & Alemão no sertanejo, Bloco Me Deixe e Banda Norrau trazendo axé e brasilidades, além de DJs tocando funk e ritmos variados. Entrada custa R$ 40.
A Festinha Junina, onde Alceu se apresenta no sábado, é assinada pelo chef Flávio Trombino, do restaurante Xapuri. O cardápio inclui caldos de feijão e mandioca, um cachorro quente chamado Vira-Lata (com linguiça artesanal, cebola caramelizada no vinagrete de jabuticaba), bolinho de mandioca, espetinhos de boi e coração, canjica e arroz doce. Além de Alceu, Du Monteiro, Breno Gontijo e Paula Marques sobem ao palco. Há touro mecânico, barraca do beijo, fogueira e brincadeiras. Ingressos custam R$ 230.
No mesmo sábado, o Arraiá do Beiço acontece no estacionamento da churrascaria Porcão, em São Bento, das 15h até quase meia-noite. A banda Chama Chuva, a dupla Rick & Ricardo e o bloco carnavalesco Beiço do Wando animam o espaço decorado com a atmosfera das folias de São João. Entradas a partir de R$ 35.
Junho inteiro promete movimento. A Junina Chevals 2022, uma das festas mais tradicionais de Belo Horizonte, volta no dia 11 após dois anos de adiamentos. Open bar e open food, com as duplas Rick & Ricardo e Rick & Nogueira, MC Matheuzinho e a banda Bicho de Pé. Ingressos a partir de R$ 342. No mesmo dia, o Arraial da Teixeira, em Nova Lima, oferece entrada franca. É uma festa de rua organizada pela família Souza, que mora no Kilombo Souza, com vizinhos participando e barracas com comida produzida pelos moradores.
A Cidade Junina, que funciona de 10 de junho a 31 de julho no Mirante Beagá, é a maior estrutura. Monta uma cidade cenográfica de interior completa, com igreja, pracinha, touro mecânico, casamento na roça, quadrilhas, contação de história e personagens — padre, delegado, uma senhorinha fofoqueira. Elba Ramalho se apresenta no dia 11 de junho, Mariana Aydar no dia 24. A maior roda-gigante do Brasil, com 36 metros de altura, será montada no local. Ingressos a partir de R$ 50.
Outros eventos completam o calendário: o Arraiá do Casa Lagoa Eventos, no dia 2 de julho, com a dupla sertaneja Bruno e Marrone; o Arraiá do Amor, de 10 a 12 de junho em Nova Lima, à beira da Lagoa dos Ingleses; o Arraiá da Santa 2022, nos dias 8, 9 e 10 de julho em Santa Inês, com 96 barracas e capacidade para cinco mil pessoas por dia; e a sétima edição do Arraiá de Santa Tereza, nos dias 18 e 19 de junho, com entrada franca. O tradicional Arraial de BH, cancelado em 2020 e realizado online em 2021, retorna ao formato presencial na segunda quinzena de julho, na Praça da Estação, no Centro. A Belotur anunciou o retorno em 12 de maio e promete divulgar mais detalhes nas próximas semanas.
Após dois anos longe das ruas, Belo Horizonte finalmente volta a celebrar como sabe fazer.
Citas Notables
Tenho uma ligação muito forte com a cidade, sou padrinho de duas belo-horizontinas, Helena e Mariana. Sempre é um prazer fazer shows em BH— Alceu Valença
A festa junina é uma coisa que está se espalhando pelo mundo. É impressionante— Alceu Valença
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Por que as festas juninas desapareceram completamente durante a pandemia? Não havia jeito de fazer algo menor, mais seguro?
A natureza desses eventos é justamente o oposto de seguro. São celebrações de aglomeração — fogueira, comida compartilhada, dança, abraços. Não dá para fazer festa junina em casa. Quando a pandemia começou, em 2020, não havia vacina, não havia segurança. Cancelar foi a única opção.
E agora, por que voltam todas de uma vez? Parece haver uma explosão de eventos em junho.
Porque as pessoas estavam com saudade. Dois anos é muito tempo para ficar longe de uma tradição. Além disso, a vacinação avançou, as restrições caíram. As organizações que dependem desses eventos — restaurantes, artistas, produtoras — precisavam retomar. É um alívio coletivo.
Alceu Valença é uma escolha interessante para abrir a temporada. Ele tem uma ligação pessoal com as festas juninas?
Sim. Ele cresceu em São Bento do Una, em Pernambuco, cercado por essa cultura desde criança. Parentes tocando sanfona, quadrilhas acontecendo. Para ele, não é apenas um show — é voltar para casa, de certa forma. E ele tem afilhadas em Belo Horizonte, então há uma conexão real com a cidade.
Qual é a diferença entre um Arraiá e uma Festinha Junina? Os nomes parecem intercambiáveis.
Não são tão diferentes assim. Ambos celebram São João com comida, música, brincadeiras. A diferença está mais na escala e na organização. Uma Festinha pode ser mais intimista, com um chef assinando o cardápio. Um Arraiá tende a ser maior, com mais barracas, mais gente. Mas o espírito é o mesmo.
O que você acha que as pessoas mais sentiram falta?
A presença. Você pode ver um show online, mas não é a mesma coisa. Não há o calor da fogueira, o cheiro da comida, o som ao vivo tocando seu peito. Festas juninas são sobre estar junto. Dois anos sem isso é muito.