Benitez recusa revelar nomes para SAD do Benfica antes das eleições

O Benfica é dos sócios, e eles têm direito a saber
Benitez defende maior transparência e comunicação direta com os associados sobre a gestão do clube.

A poucos dias das eleições para a presidência do Benfica, Francisco Benitez apresentou uma visão de reforma profunda para a SAD do clube, prometendo trazer gestores com raízes genuínas no futebol e maior transparência para os sócios. O candidato optou por um silêncio calculado sobre os nomes da sua equipa, reservando essa revelação para depois de uma eventual vitória — um gesto que diz tanto sobre a sua estratégia política quanto sobre a cultura de sigilo que critica. Na disputa pela sucessão de Luís Filipe Vieira, Benitez posiciona-se como o candidato da prestação de contas, num clube onde a informação chegou demasiadas vezes pelos jornais antes de chegar aos sócios.

  • Benitez recusa nomear publicamente os futuros administradores da SAD, criando uma tensão entre a promessa de transparência e o sigilo estratégico que mantém até ao dia das eleições.
  • O candidato critica abertamente o modelo de gestão anterior, onde o conhecimento de futebol era minoritário na administração, e promete inverter essa lógica com profissionais de historial comprovado no desporto.
  • Uma auditoria forense nos primeiros cem dias, conduzida por entidade independente e apresentada em assembleia geral, é a principal medida de rutura que Benitez coloca na mesa.
  • A questão do controlo acionista da SAD torna-se linha vermelha: Benitez afirma que se demitiria se o Benfica perdesse a maioria, rejeitando também a compra das ações de Vieira por não considerar necessária.
  • As eleições de sábado definem o quadriénio 2021-2025, com Benitez e Rui Costa a disputarem a herança de quase dezoito anos de presidência de Luís Filipe Vieira.

Francisco Benitez foi à BTV expor o seu programa eleitoral a poucos dias do escrutínio de sábado, mas manteve deliberadamente em silêncio os nomes que comporiam a administração da SAD caso vencesse. As pessoas já estavam identificadas e comprometidas, garantiu — profissionais com historial no futebol — mas a revelação ficaria para o dia 10 de outubro, após a vitória. Um silêncio estratégico que, paradoxalmente, coexiste com um discurso centrado na transparência.

A sua proposta para a SAD passava por uma inversão do modelo vigente. Onde antes dominavam gestores financeiros com apenas um administrador ligado ao futebol, Benitez queria o oposto: pessoas que conhecessem o desporto por dentro, com experiência real — quem tinha levado clubes à Europa ou quem combinava carreira de jogador com formação em gestão. O objetivo era competência substantiva, não apenas formal.

Nos primeiros cem dias, prometia uma auditoria forense conduzida por empresa sem ligações ao clube, com resultados apresentados diretamente aos sócios em assembleia geral. Para Benitez, era inaceitável que os associados soubessem o que se passava no Benfica através de jornais e televisões antes de qualquer comunicação oficial. A transparência, dizia, não era apenas ética — era também proteção da imagem do clube.

Sobre intermediários, foi categórico: não os queria. Rejeitava pagar a quem ganhava dinheiro apenas por estabelecer contactos em transferências, tanto em compras como em vendas. Quanto ao controlo acionista da SAD, considerava-o inegociável — o Benfica tinha de manter a maioria, e qualquer ameaça a esse controlo seria motivo de demissão. Por isso, não via necessidade de exercer direito de preferência sobre as ações de Luís Filipe Vieira.

Benitez propunha ainda limitar mandatos a dois períodos de quatro anos, medida que avançaria em paralelo com a auditoria, reconhecendo que a revisão estatutária exigiria tempo e diálogo alargado com os sócios. Na disputa com Rui Costa pela sucessão de Vieira, que presidiu ao clube durante quase dezoito anos, Benitez apresentava-se como o candidato da reforma estrutural — com promessas ambiciosas e alguns nomes ainda guardados na gaveta.

Francisco Benitez apresentou-se à BTV para discutir o seu programa eleitoral poucos dias antes do escrutínio de sábado, mantendo um silêncio estratégico sobre os nomes que comporiam a administração da SAD caso vencesse as eleições para a presidência do Benfica. O candidato explicou que as pessoas já estavam identificadas e comprometidas com a sua candidatura — profissionais de futebol com provas dadas — mas recusou divulgá-las antes do resultado das urnas. Prometeu revelar os nomes no dia 10 de outubro, após a vitória, como forma de honrar o compromisso com quem o apoiava desde o início.

A estratégia de Benitez para a SAD passava por uma reformulação profunda da sua composição. Criticou o modelo anterior, que tinha privilegiado gestores da área financeira com um único administrador com conhecimento de futebol. Pretendia inverter essa proporção, trazendo para a administração pessoas que compreendessem o desporto de forma substantiva — não apenas teoricamente, mas com histórico de sucesso, como quem tinha levado clubes da segunda divisão até à Europa ou quem tinha combinado uma carreira como jogador com formação em gestão e economia. O objetivo era, nas suas palavras, ter gente que conhecesse futebol mas que trouxesse valor acrescentado à gestão.

Nos primeiros cem dias de mandato, Benitez previa uma série de medidas estruturantes. Uma auditoria seria central nesse plano — uma investigação profunda realizada por uma empresa credível sem ligações significativas ao clube, que examinaria os atos de gestão, as relações entre empresas e fornecedores. Os resultados seriam apresentados numa assembleia geral aos sócios, porque, na sua perspetiva, o Benfica pertencia aos seus associados e eles tinham direito a saber o que se passava e tinha passado. Criticou a prática de os sócios receberem informações através de jornais e televisões em vez de canais oficiais do clube.

A transparência era um pilar do seu discurso. Benitez argumentava que a falta de informação clara levava a especulações prejudiciais à imagem do Benfica. Não era suficiente que dados sobre transferências constassem em relatórios e contas; era necessário comunicação direta e acessível aos sócios. No que dizia respeito ao pagamento de comissões a intermediários, Benitez foi categórico: não queria intermediários. Rejeitava a prática de pagar a pessoas que ganhavam dinheiro apenas por estabelecer contactos entre jogadores e clubes, quer em compras quer em vendas. Preferia manter os seus jogadores protegidos e focar-se em conquistar vitórias.

Sobre a questão do controlo acionista da SAD, Benitez considerava um ponto de honra que o Benfica mantivesse a maioria. Os sócios do clube tinham de comandar a instituição, e qualquer risco de perder o capital ou o poder de gestão da SAD o levaria a demitir-se. Quando questionado sobre a possibilidade de exercer direito de preferência sobre as ações de Luís Filipe Vieira, respondeu que não era necessário: o Benfica já tinha controlo suficiente da SAD e da sua gestão, e havia outras prioridades para onde canalizar os recursos financeiros do clube.

Benitez defendia também a limitação de mandatos. Dois períodos de quatro anos cada — oito anos no total — seriam, na sua opinião, mais do que suficientes para implementar um plano estratégico completo, com fases de preparação, execução e transição para o sucessor. Propunha que essa limitação avançasse nos primeiros cem dias, em paralelo com a auditoria forense, reconhecendo que a revisão de estatutos era um processo longo que exigia múltiplas etapas e diálogo com os sócios sobre a direção que queriam dar ao clube.

Quanto à possibilidade de diálogo com John Textor, investidor norte-americano com interesses no futebol europeu, Benitez afirmou que um presidente do clube deveria estar aberto a conversas com qualquer pessoa. O importante era compreender as intenções: se havia vontade genuína de investimento e apoio, ou se havia especulação sobre o Benfica. As eleições para os órgãos sociais do quadriénio 2021-2025 realizavam-se no sábado, com Benitez e Rui Costa a disputarem a sucessão a Luís Filipe Vieira, que tinha presidido ao clube durante quase dezoito anos desde 2003.

Queremos ter mais gente a perceber de futebol, com provas dadas e ser benfiquista
— Francisco Benitez, candidato à presidência do Benfica
O Benfica é dos sócios e eles têm de saber o que se passa e passou
— Francisco Benitez
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que razão recusa revelar os nomes da sua equipa para a SAD antes das eleições?

Model

Porque essas pessoas estão comprometidas comigo desde o início, e merecem que eu honre esse compromisso de forma digna. Anuncio os nomes no dia 10, após a vitória, não antes.

Inventor

Mas isso não levanta questões sobre transparência? Os sócios não têm direito a saber com quem estão a votar?

Model

Têm direito, sim. Mas há uma diferença entre transparência e estratégia. Posso garantir que são profissionais de futebol com provas dadas, e isso é o que importa agora.

Inventor

Qual é a diferença fundamental entre o seu modelo de SAD e o que existe atualmente?

Model

Hoje temos gestores financeiros com um único administrador que entende de futebol. Queremos inverter isso — gente que compreenda futebol, que tenha trazido clubes até à Europa, que combine experiência como jogador com formação em gestão.

Inventor

E se perder as eleições? Esses nomes continuam comprometidos?

Model

Essa não é uma hipótese que considero. Mas sim, essas pessoas acreditam no projeto. O Benfica precisa delas.

Inventor

A auditoria forense é realmente o primeiro passo, ou é uma forma de criticar a administração anterior?

Model

É genuinamente necessária. Há tantos processos, tanta incerteza. A única forma de resolver é perceber o que aconteceu, de forma credível e independente. Os sócios merecem saber.

Inventor

E John Textor? Vai negociar com ele?

Model

Um presidente deve estar aberto a conversar com qualquer pessoa. Mas preciso de compreender as intenções. Investimento genuíno ou especulação? Isso é o que importa.

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