Uma empresa acreditando em um talento em uma modalidade que não tem muita visibilidade
Em um país onde o financiamento esportivo oscila ao sabor das prioridades institucionais, o Banco do Brasil firmou um contrato de três anos com o canoísta olímpico Isaquias Queiroz, oferecendo até R$ 1 milhão em apoio direto. O gesto chega após o vácuo deixado pela Petrobras, que em 2021 encerrou seu histórico programa de patrocínio a atletas de elite. Mais do que um acordo comercial, o patrocínio revela como o Estado brasileiro continua sendo o principal fiador de modalidades que o mercado ainda não aprendeu a valorizar.
- A saída da Petrobras em 2021 deixou Isaquias e outros atletas de alto rendimento sem um dos seus principais sustentáculos financeiros.
- O Banco do Brasil responde ao vazio com uma estratégia mais cirúrgica: contratos diretos com atletas individuais, sem passar por confederações ou intermediários.
- O valor de até R$ 1 milhão em 36 meses posiciona Isaquias como o atleta mais bem remunerado do portfólio atual do banco, superando nomes consagrados como Robert Scheidt.
- A canoagem, apesar das medalhas olímpicas em Tóquio, segue invisível para o grande público e dependente do patrocínio estatal para sobreviver no alto rendimento.
- Isaquias mira 2024 com a ambição de se tornar o maior medalhista da história do Brasil, e agora tem respaldo institucional para sustentar essa jornada.
O Banco do Brasil anunciou em abril de 2022 um contrato de patrocínio de três anos com Isaquias Queiroz, canoísta olímpico e um dos atletas brasileiros mais condecorados em competições internacionais. O acordo, firmado diretamente com a empresa de agenciamento do atleta, prevê repasses de até R$ 1 milhão ao longo de 36 meses — uma mudança de modelo em relação às práticas anteriores de financiamento via confederações.
O patrocínio chega em momento sensível. A Petrobras, que apoiava Isaquias desde 2015 dentro de um programa voltado a atletas de elite, encerrou os contratos no final de 2021. Outros esportistas de destaque, como Martine Grael, Flávia Saraiva e as duplas de vôlei de praia Kahena Kunze, também foram desligados. O Banco do Brasil, que antes atuava por meio do BNDES financiando confederações no ciclo pré-Rio 2016, agora adota uma postura mais seletiva e direta.
O valor destinado a Isaquias é o mais alto do portfólio atual do banco. Para efeito de comparação, Robert Scheidt recebeu R$ 610 mil em um único ano, enquanto atletas do vôlei de praia — modalidade de maior apelo comercial — receberam entre R$ 184 mil e R$ 354 mil em 2021. A aposta em Isaquias reflete tanto o reconhecimento de seu histórico olímpico quanto o desafio estrutural da canoagem: uma modalidade que conquista pódios, mas ainda luta por visibilidade e financiamento sustentável.
Para o atleta, o contrato é combustível para uma meta ambiciosa: tornar-se o maior medalhista brasileiro da história até os Jogos de Paris, em 2024.
O Banco do Brasil fechou nesta terça-feira (12 de abril) um acordo de patrocínio de três anos com Isaquias Queiroz, o canoísta que conquistou medalhas olímpicas e agora busca consolidar seu lugar entre os maiores medalhistas da história do Brasil. O contrato, celebrado diretamente com a empresa de agenciamento do atleta, prevê o repasse de até R$ 1 milhão ao longo de 36 meses, sem intermediários.
Isaquias não esconde a importância do apoio. Em declaração divulgada pela assessoria, o atleta afirmou que realizar o sonho de se tornar o maior medalhista brasileiro até 2024 é uma meta que ganha força com uma empresa como o Banco do Brasil acreditando em seu trabalho e em uma modalidade que historicamente recebe pouca atenção da mídia e do grande público. O patrocínio chega em um momento delicado para o esporte brasileiro: a Petrobras, que havia apoiado Isaquias desde 2015 como parte do seu programa de patrocínio a atletas de elite, encerrou o suporte no final de 2021. Outros nomes de peso, como a velejadora Martine Grael, a ginasta Flávia Saraiva e as jogadoras de vôlei de praia Kahena Kunze foram igualmente desligados do programa.
O histórico de patrocínio estatal a atletas brasileiros revela uma mudança de estratégia. Quando Isaquias começou a colecionar bons resultados internacionais, era o BNDES que financiava a canoagem como parte do Plano Brasil Medalhas, um programa que aportava recursos nas confederações durante o ciclo que levou aos Jogos do Rio. Agora, o Banco do Brasil adota uma abordagem diferente: em vez de financiar confederações ou programas amplos, a instituição assina contratos diretos com atletas individuais através de suas próprias empresas de representação.
O valor oferecido a Isaquias é expressivo quando comparado a outros atletas patrocinados pelo banco. Robert Scheidt, o velejador olímpico, recebeu R$ 610 mil por um contrato de apenas um ano entre 2018 e 2019. Os jogadores de vôlei de praia, modalidade com maior visibilidade, recebem valores variados: Rebeca e Ana Patrícia assinaram por R$ 245 mil cada uma em 2021, enquanto Alison, considerado um dos melhores do mundo em sua posição, recebeu R$ 354 mil pelo mesmo período. Evandro fechou contrato por R$ 274 mil, Ágatha por R$ 322 mil, Álvaro Filho por R$ 190 mil e Duda por R$ 184 mil.
O investimento do Banco do Brasil em Isaquias sinaliza uma aposta clara no atleta como figura de projeção internacional e como símbolo de uma modalidade que, apesar de seus resultados expressivos em competições olímpicas, permanece à margem do interesse comercial mainstream. A canoagem brasileira conquistou medalhas em Tóquio, mas segue enfrentando desafios de visibilidade e financiamento. Com este contrato, o banco estatal reafirma seu papel como agente de apoio ao esporte de alto rendimento no país, ainda que agora de forma mais seletiva e direta, focando em atletas individuais em vez de estruturas confederativas.
Citas Notables
Em 2024, quero realizar o sonho de me tornar o maior medalhista do Brasil. E ter uma empresa como o BB me apoiando e acreditando no meu trabalho, no meu talento, em uma modalidade que não tem muita visibilidade, é muito gratificante— Isaquias Queiroz
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Por que o Banco do Brasil escolhe agora investir em atletas individuais em vez de confederações, como faziam o BNDES e a Petrobras?
A mudança reflete uma estratégia mais enxuta e controlada. Contratos diretos com atletas permitem ao banco gerenciar melhor a visibilidade e o retorno de imagem. Com confederações, o dinheiro se dispersa. Com um atleta como Isaquias, o banco sabe exatamente onde seu investimento vai e qual é a face que o representa.
Isaquias diz que quer ser o maior medalhista do Brasil até 2024. Isso é realista?
Depende de como se conta. Se for apenas medalhas olímpicas, ele já está entre os maiores. Mas se incluir campeonatos mundiais e pan-americanos, há muito caminho. O que importa é que o atleta tem uma meta clara e o banco está apostando que ele a alcançará.
A canoagem tem pouca visibilidade. Por que o banco investe em uma modalidade que não atrai patrocínio privado?
Talvez porque justamente por isso. Isaquias é um campeão olímpico em uma modalidade negligenciada. O banco ganha crédito por apoiar o que ninguém mais apoia. É filantropia corporativa com retorno de imagem.
Quanto tempo levou para que o Banco do Brasil fechasse este acordo após a Petrobras sair?
Quatro meses. Isaquias perdeu o patrocínio em dezembro de 2021 e o Banco do Brasil anunciou o novo contrato em abril de 2022. Não foi imediato, mas também não foi uma espera longa. O atleta não ficou muito tempo sem apoio.
O valor de R$ 1 milhão em três anos é alto ou baixo para um campeão olímpico?
É moderado. Considerando que Robert Scheidt recebeu R$ 610 mil em um ano, Isaquias está recebendo menos por ano. Mas a canoagem não tem o apelo comercial do vôlei de praia. É um valor que reconhece o mérito sem ser exuberante.