Talvez o momento mais decisivo da história do país
No Cáucaso do Sul, onde a história e a geografia há muito se entrelaçam em disputa, o conflito de Nagorno-Karabakh voltou a cobrar o seu preço em vidas civis. Em 4 de outubro de 2020, o Azerbaijão acusou a Arménia de ataques sistemáticos contra cidades densamente povoadas, incluindo Ganja, elevando o número de civis mortos para vinte e dois desde o reinício dos combates. Num território cuja soberania nunca foi verdadeiramente resolvida desde o colapso soviético, cada projétil disparado contra uma casa ou uma rua ecoa décadas de feridas por sarar.
- O Azerbaijão afirma que mais de dez mil projéteis foram lançados pela Arménia contra áreas civis em poucos dias, danificando mais de quinhentas casas em várias cidades.
- Dois novos civis morreram em Beylagan, elevando o total de vítimas civis azerbaijanas para vinte e dois desde o início dos confrontos — um número que continuava a crescer hora a hora.
- Baku insiste que os ataques não são acidentais, mas parte de um plano deliberado integrado na doutrina militar arménia, o que agrava a dimensão política e diplomática do conflito.
- O primeiro-ministro arménio Nikol Pashinyan descreveu o momento como 'talvez o mais decisivo da história' do seu país, sinalizando que Erevan não recuará facilmente.
- O cessar-fogo de 1994, mediado pelo Grupo de Minsk da OSCE, resiste formalmente, mas está a ser testado de forma sem precedentes desde os confrontos de abril de 2016.
Na manhã de 4 de outubro de 2020, o conselheiro presidencial azerbaijano Hikmet Hajiyev acusou as forças armadas arménias de terem lançado ataques coordenados contra alvos civis em várias cidades do Azerbaijão. Ganja, a segunda maior cidade do país, foi atingida por foguetes, enquanto Tartar, Horadiz e localidades nas regiões de Fuzuli e Jabrail sofreram bombardamentos com artilharia pesada. Hajiyev descreveu os ataques como sistemáticos e premeditados, afirmando que mais de dez mil projéteis tinham sido disparados contra zonas densamente povoadas nos dias anteriores, causando danos graves a mais de quinhentas casas.
O balanço humano continuava a agravar-se. A morte de dois civis adicionais em Beylagan elevou o total confirmado pelo Azerbaijão para vinte e dois desde o início da guerra. Baku garantiu que as suas forças respondiam para neutralizar os postos de fogo inimigos e proteger a população.
O pano de fundo deste conflito é antigo e complexo. Nagorno-Karabakh, enclave de maioria arménia integrado no Azerbaijão soviético em 1921, proclamou a independência em 1991 com o apoio de Erevan. A guerra que se seguiu fez cerca de trinta mil mortos e deslocou centenas de milhares de pessoas. O cessar-fogo de 1994 nunca eliminou as escaramuças, e os confrontos de julho de 2020 e de abril de 2016 lembraram que a ferida permanecia aberta.
Do lado arménio, o primeiro-ministro Nikol Pashinyan havia declarado, dias antes, que o país vivia talvez o momento mais decisivo da sua história — palavras que traduziam a gravidade com que Erevan percebia a escalada em curso e que tornavam qualquer solução diplomática rápida cada vez mais improvável.
Na manhã de 4 de outubro de 2020, o governo do Azerbaijão acusou a Arménia de ter lançado ataques coordenados contra alvos civis em várias cidades, incluindo Ganja, a segunda maior cidade do país. Segundo Hikmet Hajiyev, conselheiro da Presidência do Azerbaijão, as forças armadas armênias dispararam foguetes contra Ganja e utilizaram artilharia pesada e sistemas de lançamento de foguetes contra Tartar e Horadiz. Hajiyev afirmou também que houve ataques de foguetes em cidades nas regiões de Fuzuli e Jabrail, deixando vários civis mortos ou feridos.
O funcionário azerbaijano descreveu a escala dos ataques como sistemática e deliberada. Segundo sua conta, nos dias anteriores a Arménia havia disparado mais de dez mil projéteis de vários tipos contra áreas densamente povoadas, causando danos graves a mais de quinhentas casas. Hajiyev insistiu que estes ataques não eram acidentais, mas parte de um plano preparado com antecedência e integrado no programa de prontidão de combate do Exército Arménio. Ele sublinhou a importância de distinguir entre alvos militares e civis durante o confronto.
O balanço de vítimas continuava a crescer. A procuradoria-geral do Azerbaijão anunciou a morte de dois civis adicionais na cidade de Beylagan como resultado dos confrontos do dia anterior, elevando o número total de civis mortos para vinte e dois desde o início da guerra. Hajiyev garantiu que as forças armadas do Azerbaijão respondiam de forma adequada para neutralizar os postos de fogo inimigos e garantir a segurança da população civil.
O conflito ocorria no enclave de Nagorno-Karabakh, um território de maioria arménia localizado no Cáucaso do Sul, cuja história de disputa remonta décadas. Em 1921, as autoridades soviéticas integraram a região no Azerbaijão. Quando a União Soviética se desintegrou, Nagorno-Karabakh proclamou unilateralmente a independência em 1991, com o apoio de Erevan. A guerra que se seguiu matou cerca de trinta mil pessoas e deslocou centenas de milhares de refugiados. Um cessar-fogo foi assinado em 1994, e a mediação do Grupo de Minsk, constituído no seio da OSCE, foi aceite, mas os confrontos armados permaneceram frequentes ao longo dos anos.
Em julho de 2020, os dois países tinham-se envolvido em confrontos de menor escala que provocaram cerca de vinte mortos. Os combates mais significativos anteriores remontavam a abril de 2016, com um balanço de cento e dez mortos. A região permanecia um ponto de tensão geopolítica, com interesses divergentes de várias potências, incluindo a Turquia, a Rússia, o Irão e países ocidentais.
No sábado anterior aos ataques, o primeiro-ministro arménio Nikol Pashinyan havia declarado que o seu país enfrentava talvez o momento mais decisivo da sua história, uma afirmação que sinalizava a gravidade com que Erevan percebia a escalada do conflito. As acusações do Azerbaijão e a resposta arménia indicavam que o cessar-fogo de 1994, embora formalmente mantido, estava a ser testado de forma significativa.
Citações Notáveis
Os ataques sistemáticos da Arménia são um testemunho de que foi um plano preparado com antecedência e incluído no programa de prontidão de combate do Exército Arménio— Hikmet Hajiyev, conselheiro da Presidência do Azerbaijão
O país enfrenta talvez o momento mais decisivo da sua história— Nikol Pashinyan, primeiro-ministro da Arménia
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Por que é que o Azerbaijão escolheu denunciar publicamente estes ataques neste momento específico?
Porque o volume e a coordenação dos ataques sugeriam uma mudança de tática. Mais de dez mil projéteis não é uma escaramuça — é uma operação planeada. Publicar a acusação estabelecia um registo internacional de quem começou esta escalada.
A Arménia respondeu a estas acusações?
A fonte não inclui uma resposta arménia direta, mas o primeiro-ministro Pashinyan havia dito no sábado que o país enfrentava um momento decisivo. Isso sugeria que ambos os lados já sabiam que algo grande estava a acontecer.
Qual é a importância real de Nagorno-Karabakh para compreender este conflito?
É o coração do problema. Um território arménio dentro do Azerbaijão, proclamado independente em 1991, nunca realmente resolvido. Trinta mil mortos numa guerra anterior, um cessar-fogo que nunca foi paz. Isto é um ferimento que nunca cicatrizou.
E as potências externas mencionadas — Turquia, Rússia, Irão — qual era o seu papel naquele momento?
A fonte não detalha isso, mas a sua presença no Cáucaso do Sul significa que nenhum conflito aqui é apenas bilateral. Cada um tem interesses. Isso torna qualquer escalada mais perigosa.
Vinte e dois civis mortos até esse ponto — isso era considerado grave?
Era o começo. Vinte e dois é um número que cresce. A fonte mostra que o Azerbaijão estava a contar cada morte, a documentar cada casa destruída. Isso é o que se faz quando se sabe que a história está a ser escrita.