Auxílio-Inclusão completa um ano: como solicitar o benefício para pessoas com deficiência

Pessoas com deficiência historicamente excluídas do mercado de trabalho por medo de perder benefícios sociais agora têm oportunidade de inclusão laboral com segurança financeira.
Difícil descrever em palavras a sensação de se sentir útil
Andrieli dos Santos, que conseguiu seu primeiro emprego após descobrir o Auxílio-Inclusão.

Por décadas, uma armadilha silenciosa manteve pessoas com deficiência afastadas do mercado de trabalho no Brasil: conseguir emprego significava perder o único amparo financeiro que tinham. Com um ano de vigência, o Auxílio-Inclusão representa uma tentativa do Estado de desfazer esse nó — oferecendo meio salário mínimo como ponte de segurança para quem ousa dar o passo em direção ao trabalho. É a história de uma política pública que tenta transformar o medo em possibilidade.

  • Durante anos, aceitar um emprego era um risco inaceitável para beneficiários do BPC — a renda do trabalho cancelava o único suporte que tinham.
  • O Auxílio-Inclusão rompe essa lógica ao substituir o BPC por um benefício de meio salário mínimo enquanto a pessoa trabalha, eliminando a escolha impossível entre segurança e autonomia.
  • No primeiro aniversário do programa, o governo lançou material orientador para gestores municipais e estaduais, buscando ampliar o alcance com busca ativa e sensibilização de empresas.
  • Casos como o de Andrieli, contratada em 15 dias após descobrir o benefício, mostram que o programa funciona — mas a secretária nacional admite que a escala ainda está longe do necessário.
  • O acesso pode ser feito pela Central 135, pelo MEU INSS ou presencialmente, desde que o solicitante atenda aos critérios de renda e inscrição no Cadastro Único.

Em outubro, o Auxílio-Inclusão completou seu primeiro ano — e com ele, uma mudança estrutural na vida de pessoas com deficiência no Brasil. Antes do programa, existia uma armadilha cruel: quem recebia o BPC e conseguia emprego perdia o benefício. O novo programa resolve isso suspendendo o BPC e substituindo-o por meio salário mínimo mensal enquanto a pessoa trabalha, funcionando como um colchão de segurança.

O benefício tem raízes no Estatuto da Pessoa com Deficiência, de 2015, mas só foi regulamentado em 2021 e operacionalizado a partir de outubro daquele ano, sob gestão do Ministério da Cidadania e execução do INSS. Para marcar o primeiro aniversário, a Secretaria Nacional de Assistência Social lançou um documento orientador para gestores estaduais e municipais, detalhando critérios de acesso e estratégias de busca ativa.

A secretária Maria Yvelônia Barbosa celebrou o avanço, mas foi direta sobre os desafios: ainda é preciso grande dedicação para que pessoas com deficiência possam de fato demonstrar suas habilidades no mercado. O diretor Vinícius Prado destacou que o material inclui desde a sensibilização de empresas até o acompanhamento contínuo dos beneficiários em suas trajetórias profissionais.

Andrieli Raimundo dos Santos viveu na pele o impacto do programa. Beneficiária do BPC desde os 13 anos, quando sofreu uma lesão na medula, ela se formou em direito mas sempre teve medo de trabalhar e perder o auxílio. Ao descobrir o Auxílio-Inclusão pela internet, candidatou-se a uma vaga e foi contratada em 15 dias. "A sensação de começar a trabalhar, se sentir útil… é difícil descrever em palavras", disse ela, que vê nas empresas inclusivas não apenas agentes de responsabilidade social, mas ganhadoras de diversidade real.

Para solicitar o benefício, é necessário ser beneficiário do BPC, exercer atividade remunerada com renda de até dois salários mínimos, estar inscrito no Cadastro Único e atender aos demais critérios previdenciários. O pedido pode ser feito pela Central 135, pelo MEU INSS ou em agências da Previdência Social.

Em outubro, o Auxílio-Inclusão completou seu primeiro ano de funcionamento — um programa criado para resolver um dilema que havia paralisado milhares de pessoas com deficiência no Brasil. Antes dele existia uma armadilha: quem recebia o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e conseguia um emprego perdia o auxílio. Agora, quando alguém nessa situação entra no mercado de trabalho, o BPC é suspenso e é substituído por um novo benefício — meio salário mínimo por mês — que funciona como um colchão de segurança enquanto a pessoa trabalha.

O programa nasceu de uma lei de 2015, o Estatuto da Pessoa com Deficiência, mas só foi regulamentado em 2021 e começou a funcionar de verdade em outubro daquele ano, sob responsabilidade do Instituto Nacional do Seguro Social. A gestão fica a cargo do Ministério da Cidadania, através da Secretaria Nacional de Assistência Social. Para marcar o primeiro ano e ampliar o alcance do benefício, a secretaria lançou um documento orientador destinado a gestores estaduais e municipais, explicando como o programa funciona na prática, quais são os critérios de acesso e como as cidades podem identificar e apoiar as pessoas que têm direito.

Maria Yvelônia Barbosa, secretária nacional de Assistência Social, reconheceu o progresso do primeiro ano mas enfatizou que há muito trabalho pela frente. "Temos muito a nos alegrar por esse um ano de operacionalização do Auxílio-Inclusão, mas precisamos de uma grande dedicação para que, realmente, as pessoas com deficiência possam estar no mercado de trabalho, demonstrando suas habilidades e competências", disse. O diretor do Departamento de Benefícios Assistenciais, Vinícius Prado, explicou que o material de orientação inclui estratégias que vão desde a sensibilização de empresas até o acompanhamento contínuo das pessoas em suas jornadas profissionais. O governo também divulgou listas com informações sobre quem pode ser alcançado pelo benefício, para que a busca ativa seja focada e eficiente.

A história de Andrieli Raimundo dos Santos ilustra o impacto real do programa. Beneficiária do BPC desde 2000, quando sofreu uma lesão inflamatória na medula aos 13 anos, ela sempre desejou trabalhar mas tinha medo de perder o auxílio. Bacharel em direito, aos 36 anos, ela se mudou para São João Batista, em Santa Catarina, em julho de 2020, justamente quando seu marido ficou desempregado durante a pandemia de Covid-19. Ao descobrir o Auxílio-Inclusão pela internet, ela se candidatou a uma vaga de auxiliar comercial e foi contratada em apenas 15 dias. "A sensação e a emoção de começar a trabalhar, se sentir útil, fazer algo importante… é difícil descrever em palavras", comentou. Para ela, as empresas que abrem portas para pessoas com deficiência não apenas contribuem com inclusão social — elas agregam diversidade e novas perspectivas às suas equipes.

Para solicitar o Auxílio-Inclusão, a pessoa pode usar a Central 135, o aplicativo ou site MEU INSS, ou comparecer pessoalmente a uma agência da Previdência Social. Os requisitos são específicos: ser beneficiário do BPC e começar a exercer uma atividade com renda de até dois salários mínimos; ou ter sido beneficiário do BPC nos últimos cinco anos, ter pedido a suspensão do benefício por causa de trabalho remunerado, e estar exercendo atividade com renda dentro do limite; estar enquadrado como segurado obrigatório do regime geral de previdência social ou como filiado a um regime próprio de previdência; ter inscrição atualizada no Cadastro Único; ter inscrição regular no Cadastro de Pessoas Físicas; e atender aos critérios do BPC, inclusive quanto à renda familiar mensal por pessoa. O benefício representa uma mudança fundamental: pela primeira vez, uma pessoa com deficiência pode trabalhar e manter uma rede de proteção financeira, eliminando o medo que historicamente as manteve afastadas do mercado de trabalho.

Temos muito a nos alegrar por esse um ano de operacionalização do Auxílio-Inclusão, mas precisamos de uma grande dedicação para que, realmente, as pessoas com deficiência possam estar no mercado de trabalho
— Maria Yvelônia Barbosa, secretária nacional de Assistência Social
A sensação e a emoção de começar a trabalhar, se sentir útil, fazer algo importante… é difícil descrever em palavras
— Andrieli Raimundo dos Santos, beneficiária do programa
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que esse benefício demorou tanto para existir? A lei era de 2015.

Model

Porque regulamentar um benefício novo exige coordenação entre órgãos, definição de critérios, sistemas de pagamento. Levou seis anos, mas quando saiu, em 2021, começou a funcionar de verdade em outubro.

Inventor

Qual era o problema antes que o Auxílio-Inclusão resolve?

Model

Simples: se você recebia BPC e conseguia um emprego, perdia o auxílio. Então muitas pessoas com deficiência escolhiam ficar em casa a arriscar ficar sem nada. Era uma armadilha.

Inventor

E agora?

Model

Agora o BPC é suspenso, mas você recebe meio salário mínimo como Auxílio-Inclusão, junto com o salário do trabalho. Se perder o emprego, volta a receber o BPC. É segurança.

Inventor

Andrieli trabalhou 15 dias depois de saber do benefício. Por que tão rápido?

Model

Porque ela tinha qualificação — é bacharel em direito — e o benefício removeu o obstáculo psicológico. Ela não precisava mais escolher entre trabalhar e ter segurança financeira.

Inventor

O governo está fazendo algo além de pagar o benefício?

Model

Sim. Lançou um guia para gestores municipais e estaduais sobre como sensibilizar empresas, preparar beneficiários e acompanhá-los no trabalho. É uma estratégia de inclusão, não só um cheque.

Inventor

Qual é o limite de renda para receber?

Model

Até dois salários mínimos. Acima disso, a pessoa não se qualifica. É um programa focado em pessoas que estão começando no mercado de trabalho.

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