Achava que podíamos ter levado mais. Tínhamos perdido tempo.
Em outubro de 2025, quatro homens entraram no Museu do Louvre disfarçados de operários e roubaram oito joias da galeria de Apolo — um crime encomendado, mal executado e ainda por resolver. Meses depois, dois dos detidos depuseram em tribunal, revelando um mandante insatisfeito, promessas de pagamento não cumpridas e um rasto que se apaga num parque de estacionamento em Aubervilliers. O que resta é uma investigação aberta, joias desaparecidas e a estranha melancolia de um crime que falhou até aos olhos de quem o ordenou.
- Dois homens recrutados dias antes do roubo confessaram em tribunal ter invadido o Louvre com uma rebarbadora e uma plataforma elevatória, levando apenas oito joias quando o objetivo era muito mais.
- O mandante, cuja identidade os detidos recusam revelar por medo de represálias, ficou insatisfeito com o resultado — considerando que a dupla perdera tempo e deixara peças para trás.
- A fuga caótica incluiu gasolina derramada sobre o camião, duas rotas de escape separadas e a entrega das joias num parque subterrâneo filmado por câmaras de vigilância.
- As oito joias históricas do Louvre continuam desaparecidas, e a polícia investiga se estão escondidas em Paris ou se foram contrabandeadas para fora do país no próprio dia do roubo.
Em outubro de 2025, quatro homens invadiram a galeria de Apolo do Museu do Louvre em Paris e roubaram oito joias. Meses depois, dois deles depuseram em tribunal, revelando os bastidores de um crime encomendado, mal planeado e ainda por resolver.
Abdoulaye N., ex-motorista de táxi e YouTuber de 40 anos, e Ghelamallah A., desempregado de 36, viviam em Aubervilliers e foram recrutados apenas dois ou três dias antes da ação. Receberam uma gravação com as joias a roubar e a promessa de 15 a 25 mil euros. Na manhã de 19 de outubro, os dois chegaram ao museu numa carrinha com plataforma elevatória, disfarçados de operários de manutenção. Ghelamallah havia treinado o uso de uma rebarbadora na noite anterior, num parque de estacionamento subterrâneo — mas no momento decisivo, a falta de destreza custou tempo e peças.
Conseguiram levar apenas oito joias. Na fuga, derramaram gasolina sobre o camião sem chegar a atear fogo, e separaram-se em duas rotas. Abdoulaye, com as joias, fugiu de scooter e entregou-as ao mandante num parque subterrâneo em Aubervilliers — encontro confirmado pelas câmaras de vigilância. Depois disso, o rasto desaparece.
Nos interrogatórios, os dois homens recusaram identificar o mandante por medo de represálias contra as suas famílias. Ghelamallah chegou a afirmar que julgava estar a assaltar uma fábrica de joias, não o Louvre. O detalhe mais revelador veio do próprio organizador: não estava satisfeito. Achava que podiam ter levado mais peças. A promessa de pagamento nunca foi cumprida na totalidade.
As joias permanecem desaparecidas. A polícia investiga se estão escondidas em Paris ou se foram contrabandeadas para fora do país no próprio dia do roubo.
Em outubro de 2025, quatro homens invadiram o Museu do Louvre em Paris e roubaram oito joias da galeria de Apolo. Meses depois, quando dois deles foram interrogados em tribunal, a história do crime começou a ganhar contornos inesperados — não tanto pela audácia do roubo, mas pela sua desorganização e pelo descontentamento de quem o havia encomendado.
Abdoulaye N., um homem de 40 anos que havia feito carreira no YouTube publicando vídeos de acrobacias de mota, e Ghelamallah A., desempregado de 36 anos, viviam ambos em Aubervilliers, a cerca de vinte quilómetros do museu. Foram recrutados apenas dois ou três dias antes da ação. Receberam uma gravação mostrando as joias que deveriam roubar e uma promessa clara: receberiam entre 15 e 25 mil euros pelo trabalho. O mandante, cuja identidade ambos recusaram revelar por medo de represálias contra as suas famílias, tinha planos precisos. A ordem era simples: partir as janelas das vitrinas, recolher as joias e entregá-las para revenda.
Na manhã de 19 de outubro, a dupla encontrou-se com outras duas pessoas cujos nomes nunca revelaram. Embarcaram num camião equipado com uma plataforma elevatória — a ferramenta perfeita para se fazerem passar por operários de manutenção. Ghelamallah havia treinado o manuseamento de uma rebarbadora num parque de estacionamento subterrâneo na noite anterior. Quando o museu abriu ao público, os dois homens utilizaram a plataforma para invadir a galeria de Apolo, enquanto os outros dois criminosos permaneceram no veículo. Alguns seguranças foram vistos a agitar-se ao longe, atrás de uma porta, mas ninguém os deteve.
O que se seguiu foi um exercício de incompetência. Ghelamallah não tinha destreza suficiente com a rebarbadora. O tempo passou. Demoraram demasiado. Conseguiram levar apenas oito joias quando o objetivo era maximizar o roubo. Quando saíram do museu, os quatro criminosos derramaram gasolina sobre o camião numa tentativa de apagar os vestígios — embora ninguém tivesse planeado atear fogo. Depois, a fuga dividiu-se em duas rotas. Ghelamallah e outro homem embarcaram numa carrinha Berlingo branca estacionada no cais de Ivry-sur-Seine. Abdoulaye, que tinha as joias, fugiu numa scooter em direção oposta, acompanhado pelo quarto elemento do grupo. A carrinha estava a chamar demasiada atenção da polícia.
Abdoulaye conduziu para a zona leste de Paris e entregou as joias ao mandante num parque de estacionamento subterrâneo em Aubervilliers. As câmaras de vigilância confirmaram este encontro. Outras pessoas esperavam no exterior para recolher as joias com o mandante. Depois disso, o rasto desaparece.
Quando interrogados em junho — Abdoulaye nos dias 2 e 22 — os dois homens revelaram detalhes que pareciam corroborados pela investigação, mas também outros que pareciam desconexos ou até absurdos. Abdoulaye admitiu saber que o alvo era o Louvre e que a ordem era clara. Ghelamallah insistiu que nunca teria entrado no museu se soubesse que era esse o objetivo — acreditava que o assalto seria numa fábrica de joias. Ambos negaram que o mandante fosse Slimane K. ou Rachid H., também detidos. Abdoulaye referiu apenas um tal de Jo, de Aubervilliers.
Mas o detalhe mais revelador veio do próprio mandante, através das palavras de Abdoulaye. Não estava satisfeito. Achava que podiam ter levado mais peças. Tínhamos perdido tempo a entrar pela janela, disse Abdoulaye, reproduzindo a reclamação. A promessa inicial era de 15 a 25 mil euros, mas havia margem para mais dinheiro se trouxessem mais itens. Ninguém trouxe.
O paradeiro das oito joias continua desconhecido. A polícia trabalha com duas hipóteses: ou estão escondidas em Paris e os quatro detidos sabem onde, ou foram contrabandeadas para fora do país logo após o roubo, no mesmo dia 19 de outubro. As investigações prosseguem, mas por enquanto, as joias históricas do Louvre permanecem perdidas.
Citações Notáveis
Achava que podíamos ter levado mais. Tínhamos perdido tempo a entrar pela janela.— Abdoulaye N., reproduzindo a reclamação do mandante
Nunca teria posto os pés no museu se soubesse ser este o alvo.— Ghelamallah A., afirmando que acreditava tratar-se de uma fábrica de joias
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
O que torna este roubo diferente de outros assaltos a museus que conhecemos?
A desorganização. Não é um crime de profissionais. Um homem que faz acrobacias de mota no YouTube e um desempregado recrutados dias antes, com uma ferramenta que ninguém sabia usar bem. Conseguiram levar apenas oito joias quando o objetivo era maximizar.
E o mandante? Parece estar genuinamente frustrado.
Está. Diz que podiam ter levado mais, que perderam tempo. Mas nunca aparece em tribunal, nunca fala diretamente. Só sabemos o que ele pensava através das palavras de Abdoulaye. É como ouvir um eco de raiva.
Porque é que Ghelamallah diz que nunca teria entrado se soubesse que era o Louvre?
Porque acreditava que era uma fábrica de joias. A diferença é enorme — uma coisa é roubar a uma empresa privada, outra é roubar a um museu nacional. O peso moral é diferente. Ou talvez apenas o risco.
As joias desapareceram completamente. Ninguém sabe onde estão.
Exatamente. Nem a polícia, nem os detidos aparentemente. Ou estão enterradas em Paris, ou saíram do país no mesmo dia. É um vazio. O crime aconteceu, as joias foram roubadas, mas depois... nada.
E quanto ao dinheiro? Receberam os 15 a 25 mil euros?
Não sabemos. Os depoimentos não dizem. Talvez tenham recebido menos porque trouxeram menos joias. Talvez nem tenham recebido nada. O mandante estava insatisfeito — é difícil imaginar que tenha pago a totalidade.
Qual é a sensação que fica?
A de um crime que correu mal desde o início. Pessoas erradas, ferramentas erradas, execução errada. E no final, um mandante invisível que quer mais, joias que desapareceram, e ninguém sabe para onde.