As 50 escolas do Rio com melhor desempenho no Enem 2025

Apenas uma escola pública entre as 50 melhores do estado
O Colégio Naval é a única instituição pública que aparece no ranking de desempenho do Enem 2025 no Rio de Janeiro.

A cada ciclo do Enem, os microdados do MEC funcionam como um espelho: revelam não apenas quais escolas alcançaram as maiores médias, mas também onde a excelência acadêmica se concentra — e quem ela tende a deixar de fora. No Rio de Janeiro de 2025, esse espelho reflete um estado dividido entre colégios privados de bairros nobres, liderados pelo Alfa CEM Bilíngue com 759,31 pontos, e uma vasta maioria de escolas públicas ausente do topo. A única exceção pública, o Colégio Naval, surge como ilha solitária em um ranking que, por si só, já conta uma história sobre desigualdade.

  • O MEC divulgou os microdados do Enem 2025 e o Rio de Janeiro tem seu ranking das 50 melhores escolas dominado quase inteiramente por instituições privadas de alto padrão.
  • O Colégio Alfa CEM Bilíngue, na Barra da Tijuca, lidera com 759,31 pontos, seguido de perto por duas unidades do Pensi em Niterói e no Maracanã — todas privadas, todas em regiões de alto poder aquisitivo.
  • Entre as 50 escolas listadas, apenas o Colégio Naval, em Angra dos Reis, representa a rede pública, ocupando o 11º lugar com 715,07 pontos.
  • Dados de matrícula levantam suspeita: algumas escolas privadas teriam inscrito no Enem apenas alunos selecionados de alto desempenho, inflando artificialmente suas médias e distorcendo o que o ranking deveria medir.
  • O mapa do desempenho revela uma concentração geográfica clara — Barra da Tijuca, Botafogo, Laranjeiras e Icaraí dominam a lista, enquanto escolas do interior e de periferias permanecem invisíveis.

O Ministério da Educação divulgou nesta segunda-feira os microdados do Enem 2025, e o ranking das 50 melhores escolas do Rio de Janeiro confirmou o que muitos já suspeitavam: o desempenho mais alto se concentra em colégios privados de bairros nobres da capital e de cidades como Niterói, Petrópolis e Nova Friburgo.

No topo está o Colégio Alfa CEM Bilíngue, com unidade na Barra da Tijuca e média de 759,31 pontos. Logo atrás, o Pensi de Icaraí marca 758,94, e outra unidade do mesmo grupo, no Maracanã, fecha o pódio com 740,73. Instituições como Santo Agostinho, Cruzeiro e Santo Inácio aparecem múltiplas vezes ao longo da lista.

A metodologia é direta: a nota de cada escola é a média aritmética entre a redação e as quatro provas objetivas de todos os alunos que compareceram ao exame. Quem faltou não entra no cálculo, e escolas com menos de dez participantes ficam fora da divulgação.

Entre as 50 colocadas, apenas uma é pública: o Colégio Naval, em Angra dos Reis, que alcançou 715,07 pontos e figura em 11º lugar — uma exceção que, por seu isolamento, reforça a regra.

Mas os dados escondem uma questão incômoda. Algumas escolas privadas do ranking apresentaram, em 2024, um número de matrículas no segundo ano do ensino médio muito superior ao de alunos inscritos no Enem em 2025. O padrão sugere que essas instituições podem estar selecionando apenas os melhores alunos para o exame, registrando os demais em outro CNPJ — prática que, se confirmada, infla artificialmente as médias e distorce a real qualidade do ensino oferecido.

O ranking, portanto, não é apenas uma lista de campeões. É também um documento das desigualdades estruturais do sistema educacional fluminense, onde bairros ricos celebram resultados enquanto escolas públicas e periféricas permanecem ausentes do debate sobre excelência.

O Ministério da Educação divulgou nesta segunda-feira os microdados do Enem 2025, revelando quais escolas do Rio de Janeiro obtiveram as maiores médias no exame. O ranking das 50 melhores unidades de ensino do estado traz uma fotografia clara de onde se concentra o desempenho mais alto: em colégios privados localizados em bairros nobres da capital e em cidades como Niterói, Petrópolis, Nova Friburgo, Macaé e Três Rios.

No topo da lista está o Colégio Alfa CEM Bilíngue, com sua unidade na Barra da Tijuca alcançando a nota de 759,31 pontos. Logo atrás vem o Colégio e Curso Pensi, com unidade em Icaraí, Niterói, marcando 758,94. A terceira posição fica com outra unidade do Pensi, desta vez no Maracanã, com 740,73 pontos. O padrão é evidente: as instituições que dominam o topo são todas privadas, concentradas em regiões de alto poder aquisitivo.

A metodologia por trás do ranking é simples. A nota de cada escola representa a média aritmética da redação somada aos resultados das quatro provas objetivas — Matemática, Linguagens, Ciências Humanas e Ciências da Natureza — de todos os alunos que realizaram o exame naquele ano. Estudantes que faltaram ao teste são excluídos do cálculo. Colégios com menos de dez participantes não aparecem na divulgação, uma restrição que o MEC mantém para garantir a confiabilidade dos dados.

Entre as 50 escolas listadas, apenas uma é pública: o Colégio Naval, em Angra dos Reis, que alcançou a nota de 715,07 e aparece em décimo primeiro lugar. Sua presença no ranking é notável justamente por ser exceção em um universo dominado por instituições privadas. O restante das posições é ocupado por colégios particulares, muitos deles com múltiplas unidades espalhadas pela região metropolitana do Rio.

No entanto, uma questão importante emerge dos dados. Algumas das escolas privadas que figuram no ranking apresentaram, em 2024, um número de matrículas no segundo ano do ensino médio significativamente maior do que no terceiro ano, em 2025. Esse padrão sugere que essas instituições podem estar selecionando um grupo restrito de alunos com alto desempenho para participar do Enem, enquanto o restante da turma é registrado em outro CNPJ. A prática, se confirmada, teria o efeito de inflar artificialmente as médias dessas escolas no ranking nacional, criando uma distorção que não reflete necessariamente a qualidade do ensino oferecido à totalidade dos estudantes.

O ranking completo mostra a predominância de bairros como Barra da Tijuca, Botafogo, Laranjeiras e Cosme Velho no Rio de Janeiro, além de Icaraí em Niterói. Instituições como Santo Agostinho, Cruzeiro, Santo Inácio e Franco Brasileiro aparecem múltiplas vezes na lista, consolidando sua posição entre as mais bem colocadas. A distribuição geográfica revela também que o desempenho concentra-se nas áreas urbanas mais estruturadas, com pouca ou nenhuma presença de escolas do interior ou de regiões periféricas.

Esse cenário levanta questões sobre equidade educacional no estado. Enquanto essas 50 escolas celebram seus resultados, a maioria das instituições de ensino médio do Rio — particularmente as públicas — não aparece entre as melhores colocadas. O ranking, portanto, não apenas documenta quem obteve as maiores notas, mas também evidencia as desigualdades estruturais que marcam o sistema educacional fluminense.

Alguns colégios privados podem ter selecionado um grupo de jovens com alto desempenho para conseguir destaque na lista, enquanto o restante dos alunos acaba sendo registrado em outro CNPJ
— Análise dos microdados do MEC
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que esse ranking importa? É só uma lista de números.

Model

Porque mostra onde está concentrado o sucesso educacional no estado. Quando você vê que 49 das 50 melhores escolas são privadas, está vendo um mapa das desigualdades.

Inventor

Mas essas escolas realmente ensinam melhor, não é?

Model

Talvez. Ou talvez estejam selecionando apenas os alunos que já chegam preparados. Os dados sugerem que algumas delas registram muito mais alunos no segundo ano do que no terceiro — o que significa que muitos desaparecem do Enem.

Inventor

Desaparecem como?

Model

Mudam de CNPJ. A escola coloca os alunos com melhor desempenho em um registro e o resto em outro. Assim a média fica alta, mas não reflete toda a população escolar.

Inventor

Isso é fraude?

Model

É uma questão em aberto. Tecnicamente, cada CNPJ é uma entidade diferente. Mas o efeito é que o ranking fica distorcido — parece que essas escolas são melhores do que realmente são.

Inventor

E o Colégio Naval, que é público?

Model

É a exceção que prova a regra. Está em décimo primeiro lugar, o que é impressionante para uma escola pública. Mas está sozinho entre as 50 melhores.

Inventor

O que isso diz sobre educação pública no Rio?

Model

Que ela está em crise. Uma única escola pública entre as 50 melhores em um estado inteiro é um sinal de que o sistema público não está competindo.

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