Aranha-reclusa-chilena descoberta pela primeira vez em Portugal

Pode estar mais perto do que imaginamos, simplesmente porque não a vemos.
Os cientistas desconhecem a verdadeira extensão da presença da aranha-reclusa-chilena em Portugal.

Uma aranha sul-americana venenosa, a Loxosceles laeta, foi documentada pela primeira vez na Península Ibérica por cientistas da Universidade do Porto, após dois espécimes machos serem encontrados no Porto entre setembro de 2025 e janeiro de 2026. O achado, publicado em maio deste ano, levanta uma questão que vai além da biologia: até onde viajou esta espécie, e há quanto tempo partilha as nossas sombras sem ser reconhecida? A ciência encontrou-a duas vezes por acidente — o que sugere que a surpresa pode ser nossa, não dela.

  • Uma aranha venenosa nativa do Brasil e da Argentina apareceu no Porto duas vezes em quatro meses, sem que ninguém a estivesse à procura.
  • A mordida pode causar necrose cutânea grave e há registos de mortes associadas à espécie, criando uma tensão real entre o risco biológico e a necessidade de não gerar pânico.
  • Os investigadores alertam que a espécie pode estar a ser confundida há anos com a aranha-reclusa-do-mediterrâneo, já presente em Portugal, o que significa que a sua chegada pode ser mais antiga do que os dados sugerem.
  • Especialistas apelam à calma: a aranha é tímida, noturna e pouco propensa a atacar, preferindo cantos escuros e paredes a espaços frequentados por pessoas.
  • A ciência não sabe ainda se a espécie está confinada ao Porto ou já dispersa por outras regiões do país, deixando a extensão real da sua presença por determinar.

Uma aranha venenosa sul-americana foi encontrada em Portugal pela primeira vez — não uma, mas duas vezes, ambas por acidente. Os biólogos Francisco Gil e José Manuel Grosso-Silva, da Universidade do Porto, documentaram os dois espécimes no Campo dos Mártires da Pátria: o primeiro numa parede em setembro de 2025, o segundo preso numa armadilha adesiva destinada a outro fim, em janeiro de 2026. O estudo foi publicado em maio deste ano.

A espécie em causa é a aranha-reclusa-chilena, Loxosceles laeta, nativa da América do Sul. Mede entre um e três centímetros, é castanha uniforme e vive nas sombras — paredes, cantos, espaços ocultos. Não tece teias visíveis na vegetação. É noturna e discreta. O que a torna preocupante não é o comportamento agressivo, que é raro, mas o efeito da sua mordida: lesões cutâneas necróticas que podem variar entre casos ligeiros e situações graves, com registos de mortes documentados.

Grosso-Silva, entomólogo do Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto, foi deliberado em não alimentar o alarme. O risco para a população geral é reduzido: a espécie é tímida e pouco propensa a atacar. Mas o investigador levantou uma questão mais perturbadora — esta aranha pode estar a ser confundida há anos com a aranha-reclusa-do-mediterrâneo, espécie da mesma família já estabelecida em Portugal. Registos anteriores podem ter sido mal identificados.

O que os cientistas ainda não sabem é se a Loxosceles laeta está apenas no Porto ou se já se dispersou por outras regiões do país. A sua presença foi encontrada por acidente. Isso significa que pode estar mais perto — e há mais tempo — do que qualquer um imaginava.

Uma aranha venenosa sul-americana apareceu pela primeira vez em Portugal. Os cientistas a encontraram no Porto, não uma, mas duas vezes — acidentalmente, em circunstâncias que sugerem algo maior pode estar acontecendo nas sombras da cidade.

A espécie é a aranha-reclusa-chilena, conhecida cientificamente como Loxosceles laeta. O primeiro espécime, um macho, foi descoberto numa parede no Campo dos Mártires da Pátria em setembro de 2025. Quatro meses depois, em janeiro de 2026, outro macho apareceu preso numa armadilha adesiva — não era nem sequer uma armadilha destinada a aranhas. Estes achados foram documentados num estudo da Universidade do Porto, conduzido pelos biólogos Francisco Gil e José Manuel Grosso-Silva, publicado em maio deste ano.

A aranha-reclusa-chilena é nativa da região ocidental da América do Sul, onde habita normalmente o Brasil e a Argentina. Mede entre um e três centímetros. O que a torna notável não é o seu tamanho, mas o facto de ter viajado tão longe do seu habitat original e de ter chegado a Portugal — um lugar onde ninguém a esperava encontrar. Segundo os investigadores, a espécie tem-se expandido para zonas distantes do seu território de origem, sugerindo uma capacidade de adaptação que merece atenção.

José Manuel Grosso-Silva, entomólogo do Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto, foi claro numa entrevista à Euronews: não há razão para pânico. A probabilidade de uma pessoa comum se cruzar com esta aranha ou ser mordida por ela é reduzida. A espécie é tímida, pouco propensa a atacar, e prefere os cantos escuros e as sombras. Constrói as suas teias em paredes e locais ocultos, não na vegetação visível onde as pessoas passam. É mais ativa durante a noite. Grosso-Silva foi deliberado em não alimentar o alarme: "Tento não contribuir para o pânico ou alarme excessivo", disse.

Mas há um porém importante. A mordida, quando ocorre, pode causar danos consideráveis. O estudo descreve lesões cutâneas necróticas — tecido que morre e apodrece. Existem diferentes níveis de gravidade, desde casos ligeiros até casos graves, e sim, há registos de mortes. O risco existe. É apenas reduzido.

O que torna este achado verdadeiramente intrigante é a incerteza que o rodeia. Os investigadores não sabem se a aranha-reclusa-chilena existe apenas no Porto ou se já se dispersou por outras regiões de Portugal. Há uma complicação adicional: esta espécie pode ser facilmente confundida com a aranha-reclusa-do-mediterrâneo, outra aranha venenosa da mesma família que vive em Portugal há várias décadas. Grosso-Silva sugere que fotografias identificadas como sendo da espécie mediterrânea podem, na realidade, ser da chilena. Isto significa que registos anteriores podem ter passado despercebidos, mascarados sob uma identidade errada.

A descrição morfológica ajuda a distinguir: a aranha-reclusa-chilena é castanha uniforme, sem as cores que permitiriam camuflagem na vegetação. Não tece as teias visíveis que vemos nas plantas. Prefere as paredes, os cantos, os espaços escondidos. É uma aranha de sombras, não de luz. O que significa que pode estar mais perto do que imaginamos, simplesmente porque não a vemos. A questão agora é saber até onde se estendeu a sua presença, e se Portugal está apenas no início de um encontro com uma espécie que viajou muito mais longe do que qualquer um esperava.

A probabilidade de as pessoas se cruzarem com esta espécie ou serem mordidas por ela é reduzida
— José Manuel Grosso-Silva, entomólogo da Universidade do Porto
Não sabemos se esta nova espécie existe apenas aqui no Porto ou se já está mais dispersa
— José Manuel Grosso-Silva
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Como é que uma aranha da América do Sul acaba numa parede no Porto?

Model

Ninguém sabe ao certo. Pode ter chegado em contentores de carga, em plantas importadas, em qualquer coisa que viajou de navio. Estas aranhas são pequenas, discretas. Viajam sem serem notadas.

Inventor

E se houver mais? Se estiver já dispersa por todo o país?

Model

Essa é a questão que mantém os cientistas acordados. Encontraram duas em meses. Mas a aranha-reclusa-chilena é tímida, vive nas sombras. Pode estar em centenas de casas e ninguém sabe.

Inventor

A mordida é perigosa?

Model

Pode ser. Causa lesões graves na pele, tecido que morre. Há casos fatais registados. Mas Grosso-Silva foi claro: a probabilidade de ser mordido é reduzida porque a aranha não quer atacar. Prefere fugir.

Inventor

Então por que razão isto importa?

Model

Porque marca o momento em que uma espécie invasora foi finalmente documentada aqui. Porque mostra que não sabemos realmente o que está nas nossas paredes. E porque levanta a questão: quantas outras coisas chegaram sem que nos apercebêssemos?

Inventor

Pode ser controlada?

Model

Ninguém disse nada sobre controlo. Os investigadores estão ainda a tentar compreender se está apenas no Porto ou se já está em Lisboa, em Covilhã, em qualquer lado. O primeiro passo é saber o que temos.

Inventor

E as pessoas? Devem ter medo?

Model

Não. Devem estar atentas. Há uma diferença. Medo é pânico. Atenção é sabedoria.

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