O verdadeiro empoderamento é não se desculpar por ser quem se é
Em um momento em que os limites entre liberdade individual e padrões institucionais se tornam cada vez mais contestados, a trajetória de Mariana Marquini condensa um dilema antigo sob uma luz nova: quem tem o direito de definir o que torna uma mulher digna de representação pública? Vetada pela Victoria's Secret por produzir conteúdo adulto, ela foi nomeada Embaixadora do Miss São Paulo — um gesto que, mais do que um convite, foi uma declaração sobre autenticidade, hipocrisia e o tipo de feminino que a sociedade escolhe celebrar.
- A exclusão pública da Victoria's Secret poderia ter encerrado uma carreira em ascensão, mas funcionou como estopim para um debate muito maior sobre moralidade e representação feminina.
- O Miss São Paulo transformou o veto em convite, nomeando Mariana Embaixadora em um movimento deliberado de posicionamento institucional — não de consolação.
- A tensão central é antiga e irresolvida: a sociedade ainda exige das mulheres uma escolha impossível entre sensualidade e respeitabilidade, entre autenticidade e aceitação.
- Mariana recusou a vitimização e converteu a polêmica em discurso de empoderamento, enxergando na nomeação a prova de que não é preciso pedir permissão para ser quem se é.
- O caso aterra em um impasse coletivo — com a moda fechando portas e os concursos abrindo palcos, a disputa sobre que tipo de mulher merece visibilidade institucional está longe de terminar.
Mariana Marquini vivia um momento de ruptura. A Victoria's Secret a havia excluído de um processo seletivo alegando que seu conteúdo adulto — fotos e vídeos sensuais que lhe rendem cerca de sessenta mil reais por mês — contrariava os valores da marca. Era um veto público que poderia ter marcado o fim de uma trajetória. Em vez disso, abriu outra.
A direção do Miss São Paulo respondeu ao episódio com um convite direto: Mariana seria nomeada Embaixadora do concurso. Não era um gesto discreto de consolo — era um posicionamento. Os organizadores interpretaram a exclusão como sintoma de uma rigidez maior, aquela que ainda exige das mulheres uma escolha entre ser sensual ou ser respeitável. Em nota oficial, descreveram Mari como bela, midiática e corajosa, e destacaram que ela havia transformado uma polêmica em discurso de empoderamento em vez de se vitimizar.
Mariana recebeu o título como validação do que já acreditava sobre si mesma. "Viraram as costas para mim por eu ser livre e de opinião, e depois um dos maiores concursos me abraçou. Isso é muito simbólico", disse. Para ela, o verdadeiro empoderamento não era pedir permissão nem esconder partes de si — era recusar a hipocrisia.
O papel de Embaixadora envolvia representar o concurso em eventos e ações institucionais, sendo um símbolo vivo de protagonismo feminino. Mariana o via como resposta direta ao fechamento que havia sofrido: "O mundo da moda me fechou uma porta, mas o universo dos concursos me abriu um palco. E aqui, posso ser eu mesma: sem censura, sem filtros e sem hipocrisia."
O caso transcende uma modelo e um concurso. Toca em questões sobre moralidade, sobre quem define o que é aceitável e sobre o papel da sensualidade na representação feminina contemporânea. A Victoria's Secret disse não. O Miss São Paulo disse sim — e ao fazê-lo, tomou um lado em um debate que não tem respostas fáceis, apenas escolhas sobre que tipo de mulher a sociedade quer ver em seus palcos.
Mariana Marquini estava em uma encruzilhada. Semanas antes, a Victoria's Secret a havia excluído de um processo seletivo, alegando que seu conteúdo adulto — fotos e vídeos sensuais que ela vende e que lhe rendem cerca de sessenta mil reais por mês — violava os valores da marca e da agência intermediária. Era um veto público, uma rejeição que poderia ter marcado o fim de uma trajetória em ascensão. Em vez disso, virou o começo de outra.
A direção do Miss São Paulo respondeu ao episódio com um convite: Mariana seria nomeada Embaixadora do concurso. Não era uma consolação discreta. Era um posicionamento. Os organizadores interpretaram a exclusão como um sintoma de um problema maior — a rigidez de padrões que exigem das mulheres uma conformidade impossível, uma escolha entre ser sensual ou ser respeitável, entre ganhar dinheiro com o próprio corpo ou ser considerada digna de representação institucional.
Para a direção do Miss São Paulo, a escolha tinha lógica clara. Mari, como é conhecida, personificava exatamente o tipo de mulher que queriam como rosto do concurso: autêntica, fora dos estereótipos tradicionais, conquistando espaço pela verdade sobre si mesma e não pela adequação a normas conservadoras. Em nota oficial, afirmaram que ela era bela, midiática e corajosa — e que, mais importante, havia transformado uma polêmica em discurso de empoderamento em vez de se vitimizar. Não havia preconceito naquela escolha, disseram. Havia intenção.
Mariana recebeu o título como validação de algo que ela já acreditava sobre si mesma. "Ser escolhida Embaixadora é o maior reconhecimento que eu poderia ter nesse momento", disse. "Viraram as costas para mim por eu ser livre e de opinião, e depois um dos maiores concursos me abraçou. Isso é muito simbólico." Ela via na nomeação mais do que um cargo: via a prova de que havia espaço para quem não se desculpava por ser quem era. O verdadeiro empoderamento, em sua visão, não era pedir permissão ou esconder partes de si. Era recusar a hipocrisia.
O papel de Embaixadora do Miss São Paulo envolvia representar o concurso em eventos, ações promocionais e comunicação institucional — ser um símbolo vivo de atitude, visibilidade e protagonismo feminino. Não era um título decorativo. Era uma plataforma. E Mariana a via como resposta direta ao fechamento de portas que havia sofrido. "O mundo da moda me fechou uma porta, mas o universo dos concursos me abriu um palco. E aqui, posso ser eu mesma: sem censura, sem filtros e sem hipocrisia."
O caso levantava questões que iam além de uma modelo e um concurso. Tocava em discussões sobre moralidade, sobre quem tinha o direito de definir o que era aceitável, sobre o papel da sensualidade na representação feminina contemporânea. A Victoria's Secret havia dito não. O Miss São Paulo havia dito sim — e ao fazê-lo, havia tomado um lado em um debate que não tinha respostas fáceis, apenas escolhas sobre que tipo de mulher a sociedade queria ver em seus palcos.
Citações Notáveis
Ser escolhida Embaixadora é o maior reconhecimento que eu poderia ter nesse momento. Viraram as costas para mim por eu ser livre e de opinião, e depois um dos maiores concursos me abraçou.— Mariana Marquini
Mari é um nome que provoca reflexão. Ela é bela, midiática e corajosa. Ao invés de se vitimizar, transformou uma polêmica em discurso de empoderamento.— Direção do Miss São Paulo
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Por que você acha que o Miss São Paulo respondeu dessa forma? Não era mais fácil simplesmente ignorar a polêmica?
Porque ignorar teria sido conivência. Eles viram uma oportunidade de dizer algo sobre que tipo de mulher eles realmente queriam representar — não a que se encaixa em moldes, mas a que é honesta sobre quem é.
Mariana ganha sessenta mil reais por mês com conteúdo adulto. Isso não é um detalhe menor. Como o concurso justifica abraçar alguém que a Victoria's Secret rejeitou por exatamente isso?
Porque para o Miss São Paulo, a questão não era o conteúdo em si. Era a hipocrisia de rejeitar uma mulher por ganhar dinheiro com seu próprio corpo enquanto a indústria da moda lucra com a sensualidade feminina todos os dias.
Você acha que isso muda algo na carreira dela? Ou é apenas um gesto simbólico?
Provavelmente ambos. Simbolicamente, é enorme — ela deixa de ser a mulher que foi rejeitada e vira a mulher que um grande concurso escolheu. Mas simbolismo tem peso real. Abre portas.
E se outras marcas seguirem o exemplo da Victoria's Secret? Se isso virar padrão?
Então o Miss São Paulo terá feito algo importante: mostrou que há um espaço, um palco, para quem não cabe nos moldes. Não resolve tudo, mas muda o jogo.