Anvisa desmente alegação falsa sobre fibrina e vacina contra covid-19

Fibrina é proteína natural; vacina não a libera
A Anvisa desmente alegação viral de que imunizantes causam liberação de fibrina na corrente sanguínea.

No espaço onde a ciência e o medo se encontram, um vídeo anônimo atravessou as redes sociais com mais de 48 mil curtidas, afirmando que as vacinas contra a covid-19 liberam fibrina no sangue e condenam os vacinados a um tratamento eterno. A Anvisa, guardiã regulatória brasileira, respondeu com clareza: não há qualquer evidência científica que sustente tal alegação, e os imunizantes seguem comprovadamente seguros e eficazes. O episódio revela um padrão antigo — a desinformação que ressurge, renovada, cada vez que uma nova etapa de vacinação é anunciada.

  • Um vídeo viral no TikTok, com dezenas de milhares de compartilhamentos, espalha o medo de que vacinas contra covid provoquem liberação de fibrina e doenças cardíacas.
  • A alegação mistura termos médicos reais — fibrina, proteína spike — para criar uma aparência de credibilidade científica onde não há nenhuma.
  • A Anvisa desmentiu categoricamente o conteúdo em nota oficial, reforçando que nenhuma bula das vacinas aprovadas no Brasil menciona fibrina como componente ou efeito colateral.
  • Ao menos quatro grandes veículos de fact-checking já haviam refutado o mesmo conteúdo em 2021, revelando que a desinformação simplesmente se recicla.
  • A onda de publicações falsas cresceu após o início da vacinação bivalente em fevereiro de 2023, seguindo um padrão recorrente de desinformação intensificada em campanhas de imunização.

Um vídeo publicado no TikTok em fevereiro de 2023 mostra uma mulher anônima afirmando ter encontrado fibrina em seu próprio sangue com o auxílio de um microscópio, atribuindo a presença da proteína às vacinas contra a covid-19. Segundo ela, a proteína spike dos imunizantes seria responsável por liberar fibrina na corrente sanguínea, explicando mortes e problemas cardíacos em pessoas vacinadas. O vídeo acumulou mais de 48 mil curtidas e 55 mil compartilhamentos.

A Anvisa respondeu com uma nota oficial categórica: não existe qualquer indicação científica de que as vacinas provoquem liberação de fibrina no organismo. Os dados de monitoramento e os estudos disponíveis confirmam que os imunizantes são seguros e efetivos, e nenhuma das bulas das vacinas aprovadas no Brasil menciona fibrina entre composições ou efeitos colaterais.

Para entender por que a alegação não se sustenta, basta compreender o que é fibrina: uma proteína natural do corpo humano, essencial para a coagulação do sangue em casos de lesão. Sua visualização exige microscópios especiais operados por profissionais qualificados. Já a proteína spike, citada no vídeo como vilã, é usada nas vacinas justamente para treinar o sistema imunológico — ela não tem qualquer relação com coagulação ou liberação de proteínas de coagulação.

O mesmo conteúdo já havia sido desmentido em 2021 por Estadão Verifica, Fato ou Fake, Aos Fatos e Lupa, revelando que a desinformação não é nova — apenas se renova. O padrão se repetiu com o início da vacinação bivalente em fevereiro de 2023, reforçando o desafio contínuo que a desinformação representa para a saúde pública.

Um vídeo que circula pelas redes sociais apresenta uma mulher anônima fazendo afirmações sobre sua saúde, alegando que a vacina contra a covid-19 libera fibrina na corrente sanguínea e que quem se imunizou precisará se tratar pelo resto da vida. No TikTok, onde foi publicado em 3 de fevereiro, o vídeo acumulou mais de 48 mil curtidas, 4,6 mil comentários e 55,6 mil compartilhamentos. A mulher afirma ter identificado várias fibrinas em seu sangue usando um microscópio e conecta a presença delas à proteína spike das vacinas, sugerindo que essa liberação de fibrina explica mortes e problemas cardíacos entre pessoas vacinadas.

A Anvisa, agência reguladora brasileira, desmentiu categoricamente a alegação. Em nota oficial, a agência informou que não há qualquer indicação de que as vacinas provoquem liberação de fibrinas no organismo e que os dados de monitoramento e estudos científicos indicam que os imunizantes são seguros e efetivos. Todas as bulas das vacinas em uso no Brasil estão disponíveis no site da Anvisa para consulta pública, e nenhuma delas menciona fibrina em suas composições ou entre os efeitos colaterais possíveis.

Para entender por que a alegação não se sustenta, é importante saber o que fibrina realmente é. Trata-se de uma proteína natural do corpo humano que atua no processo de coagulação do sangue. Quando ocorre uma lesão ou hemorragia, a fibrina funciona como uma malha de proteína que controla a perda de sangue e repara a ferida. Sem os mecanismos envolvidos nessa cascata de coagulação, os organismos com sangue não conseguiriam interromper sangramentos ou hemorragias. A visualização de fibrinas no sangue, porém, requer microscópios especiais manipulados por profissionais qualificados da área — não é algo que qualquer pessoa possa fazer em casa.

A proteína spike, mencionada no vídeo como responsável pela liberação de fibrina, não tem relação alguma com fibrina. A spike é utilizada pelo vírus SARS-CoV-2 para infectar células humanas. Parte dessa proteína é incorporada às formulações de vacinas justamente para gerar uma resposta imunológica do corpo contra aquele agente estranho. Ela é usada especialmente nas vacinas de RNA mensageiro, como a da Moderna. Sua função nas vacinas é treinar o sistema imunológico, não provocar coagulação ou liberação de proteínas de coagulação.

Reportagens anteriores já desmentiriam que as vacinas sejam inseguras para o coração. Do ponto de vista do sistema cardiovascular, as vacinas superam de longe qualquer efeito adverso potencial. O mesmo conteúdo falso já havia sido desmentido por outros veículos de fact-checking — Estadão Verifica, Fato ou Fake, Aos Fatos e Lupa — em 2021, indicando que essa desinformação não é nova.

A circulação de publicações falsas sobre vacinas aumentou após o anúncio da vacinação com a dose bivalente contra covid-19. As aplicações começaram em fevereiro de 2023 nos grupos prioritários, seguindo o Programa Nacional de Vacinação. Esse padrão de desinformação intensificada em torno de campanhas de vacinação é recorrente e representa um desafio contínuo para a saúde pública.

Não há indicação de que a vacina provoque a liberação de fibrinas no organismo; os dados de monitoramento e estudos indicam que as vacinas são seguras e efetivas.
— Anvisa
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que um vídeo como esse consegue viralizar tanto se a alegação é tão facilmente desmentível?

Model

Porque toca em medos reais — morte, doença cardíaca — e oferece uma explicação que parece científica. O microscópio, a proteína spike, a fibrina: tudo soa técnico o suficiente para soar verdadeiro.

Inventor

Mas a pessoa no vídeo diz que viu as fibrinas com seus próprios olhos. Como você refuta uma experiência pessoal?

Model

Você não refuta a experiência dela. Você explica que fibrina é uma proteína normal que todos temos, que o que ela pode estar vendo é algo completamente diferente, e que microscópios especiais são necessários para identificar fibrina corretamente.

Inventor

A Anvisa simplesmente nega. Não oferece estudos próprios, certo?

Model

Oferece dados de monitoramento e estudos existentes. Mas você tem razão: a confiança na agência é parte da resposta. Se você já desconfia dela, nenhuma negação vai convencer.

Inventor

Quando começou essa desinformação específica sobre fibrina?

Model

Pelo menos desde 2021, segundo os fact-checkers. Mas ganhou força novamente agora, em fevereiro de 2023, quando a campanha da dose bivalente começou. Desinformação sobre vacinas parece ter ciclos.

Inventor

O que torna essa mentira particularmente perigosa?

Model

Ela conecta vacinação a morte e doença cardíaca de forma direta. Se alguém acredita, pode deixar de se vacinar ou de confiar em tratamentos médicos. E a simplicidade da explicação — uma proteína causa outra proteína — é sedutora.

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